MINUTA  DO  LIVRO  DA  FAMÍLIA  LICHT

PREFÁCIO

CAPÍTULO 1

Introdução

CAPÍTULO 2

Os imigrantes alemães

CAPÍTULO 3

Os mercenários estrangeiros do Exército Imperial do Brasil

CAPÍTULO 4

A região de origem da Família Licht

As origens da Família Licht

A imigração da Família Licht para o Brasil

CAPÍTULO 5

Os dois ramos Licht do Rio Grande do Sul

CAPÍTULO 6

Johann Peter Nicolau Licht - o genearca do ramo de Porto Alegre

CAPÍTULO 7

Johann Peter Conrad Licht - o genearca do ramo de Santa Maria

CAPÍTULO 8

Algumas dúvidas

CAPÍTULO 9

Os descendentes de Carl Philipp Licht e Anna Maria Bottler  – Oito gerações no Brasil

CAPÍTULO 10

Documentação fotográfica

CAPÍTULO 11

Agradecimentos e créditos

CAPÍTULO 12

Referências

Livros e periódicos

Documentos religiosos

Documentos civis

Páginas na Internet

Arquivos pessoais

PREFÁCIO

 

Meu envolvimento com genealogia começou em 1995 quando recebi de meu pai, Henrique Felippe Bonnet Licht, as anotações das pesquisas que ele havia feito no decorrer de 30 anos com a ajuda de muitos familiares e do Monsenhor Rubens Neiss, idealizador e realizador do Arquivo Histórico da Cúria Metropolitana de Porto Alegre. Recebi uma grande quantidade de material manuscrito com dezenas de esquemas de grupos familiares, memórias e anotações de conversas, que logo transcrevi para um programa computacional específico de genealogia. Quando comecei a observar a estruturação dos grupos familiares mais antigos, e principalmente os vazios documentais a serem pesquisados, meu interesse e envolvimento com a história de meus ancestrais já não tinha retorno. Rapidamente a pesquisa da história e dispersão dos descendentes dos Licht, Werlang, Raupp, Straatmann, Bonnet, Maggi, Boni e Lupi, meus ascendentes alemães, holandeses, franceses e italianos foi ampliada com os Weber, Gallas, Flesch, Schuch, Marmitt e Deferrari, alemães e italianos ascendentes de minha esposa. Meu interesse nessa pesquisa ampliou-se de tal forma que tive a pretensão de conhecer com mais profundidade e cadastrar os casais e avulsos imigrantes alemães chegados à Real Feitoria do Linho Cânhamo, na Colônia Alemã de São Leopoldo, Província de São Pedro do Rio Grande do Sul, Império do Brasil, na segunda década do século XVIII. A pesquisa em empoeirados livros de cartórios e casas paroquiais, a transcrição de lápides em pequenos cemitérios, a descoberta de pequenos detalhes como datas, nomes, sobrenomes e casamentos e as antigas formas de grafia do nome de localidades me fizeram mergulhar cada vez mais nesse trabalho envolvente. Isso deu origem ao livro “Povoadores alemães do Rio Grande do Sul 1847-1849. O recenseamento dos moradores das Colônias São Leopoldo e Mundo Novo, Província de São Pedro do Rio Grande” publicado em 2005 e que contém a transcrição do recenseamento realizado pelo administrador da Colônia Alemã de São Leopoldo, Dr. JOHANN DANIEL HILLEBRAND.

Nunca tive a intenção de encontrar na Itália, França ou Alemanha um antepassado com título de nobreza, proprietário de um castelo com belas montanhas nevadas ao fundo. Tampouco busquei encontrar um brasão familiar. Me moveu nessa pesquisa o interesse em descobrir pessoas comuns e relacioná-las com episódios históricos importantes como a Campanha da Cisplatina, a Guerra dos Farrapos, a Campanha contra Rosas e a Guerra do Paraguai e os dramas de cada indivíduo ou de grupos familiares na sobrevivência em um ambiente totalmente adverso. Quais os motivos que moveram chefes de família a arriscar a segurança dos seus por mais precária que fosse, e atravessar o Atlântico, chegar em um ambiente hostil, expondo a todos a perigos de toda hora e riscos de morte iminente ? Malária, febre amarela, tifo, matas com animais selvagens e ataques de indígenas que reagiam à invasão dos europeus. Em que condições de vida encontravam-se essas famílias na Europa pós- Napoleônica para aceitarem essa aventura? Quantos morreram e quantos nasceram na viagem de mais de cem dias da Europa ao Rio de Janeiro? Quantos morreram na quarentena na Armação da Praia Grande no Rio de Janeiro, capital do Império do Brasil? Quantos morreram e quantos nasceram na viagem de mais de um mês do Rio de Janeiro até Porto Alegre e daí até São Leopoldo ? Quais as condições de vida e subsistência desses imigrantes em Porto Alegre e no Vale do Rio dos Sinos na primeira metade do século XVIII onde esperavam a demarcação de seus lotes coloniais e depois, nos trabalhos de desmatamento para a primeira lavoura?

Essas perguntas sempre retornam ao ler cada linha dos livros do Dr. Daniel Hillebrand, médico e comandante da Colônia Alemã de São Leopoldo, ou os documentos de concessão de prazos coloniais, ou registros religiosos e civis.

 

Isso é o que me interessa e isso é o que me move na pesquisa da genealogia que nada mais é que micro-história, ou seja, a história examinada com uma poderosa lente de aumento, capaz de identificar pessoas e colocá-las em uma conjuntura e em um ambiente histórico.

 

 

Otavio Augusto Boni Licht

Curitiba, janeiro de 2010

 

CAPÍTULO 1

 INTRODUÇÃO

“A formação científica nos ensina a duvidar de tudo e de todos,

 pois só é provisoriamente aceito como verdadeiro aquilo o que

ninguém conseguiu ainda demonstrar como sendo falso.

 Onde estão as fontes?

Que credibilidade merecem?

Como foi coletada a informação?

A que procedimentos foi submetida?”

(Castro, 2001).

 

 pesquisa e a elaboração da árvore genealógica de uma família atende não só à curiosidade de reatar vínculos familiares perdidos ao longo do tempo como também descobrir de onde viemos, como e porque estamos ocupando uma certa posição no tecido social. Além desses objetivos - que satisfazem interesses e desejos estritamente pessoais - a genealogia está vinculada com a pesquisa da história de um povo, visto que os fatos e acontecimentos familiares estão intimamente relacionados com uma conjuntura histórica. Assim, ao elaborar a genealogia familiar, é possível identificar com maior detalhe e precisão, alguns acontecimentos que na literatura são abordados com uma visão genérica. A ocorrência de homônimos, a simplificação ou a tradução dos nomes de imigrantes, muitas vezes produz confusões que são solucionadas somente após uma exaustiva, paciente e meticulosa pesquisa em documentos originais guardados em igrejas, cartórios, arquivos e museus. As conclusões só devem ser estabelecidas e os relacionamentos só podem ser elaborados quando os fatos forem objetivos, estiverem claros e livres de qualquer vício de origem. As estórias registradas na memória familiar são importantes como hipótese de pesquisa, mas é necessário duvidar sempre, seguindo uma metodologia rigorosamente científica. Não se admitem hipóteses vazias, muito menos esconder a verdade documental por mais estranha que possa parecer ou conflitante com os nossos padrões morais e comportamentais. É necessário sempre ter em mente que esses padrões eram muito diversos dos atuais, regidos e controlados por outra conjuntura social, política e econômica.

 

Seguindo esses princípios e critérios, este livro é uma primeira tentativa de recompor as origens da Família Licht, no Estado do Rio Grande do Sul, identificando os descendentes do casal de imigrantes alemães CARL PHILLIP LICHT e ANNA MARIA BOTTLER, que desembarcou na cidade do Rio de Janeiro em dezembro de 1828. Apesar de essa pesquisa se basear em uma exaustiva pesquisa realizada ao longo de aproximadamente 45 anos, apoiada em farta documentação e contando com grande número de colaboradores, ainda há muitos pontos a esclarecer e vazios a preencher.
 

CAPÍTULO 2

OS IMIGRANTES ALEMÃES

s aventuras e desventuras dos alemães que imigraram para o Império do Brasil no período 1824 – 1830, já foram examinados em detalhe por diversos historiadores e genealogistas entre os quais salientam-se Porto (1996), Hunsche (1975, 1977, 1979), Oberacker Júnior (1989) e Roche (1969). As dificuldades da longa viagem desde a terra natal na Europa até a Imperial Feitoria do Linho Cânhamo, na Colônia Alemã de São Leopoldo, Província de São Pedro do Rio Grande do Sul, Império do Brasil são apresentadas na narrativa transcrita de Petry (1947).

 

“Partiu da província renana com destino ao porto de Bremen, gastando nessa viagem, feita em carreta puxada por animais, cerca de três semanas. Ali chegados, tiveram que esperar outras 14 (catorze) semanas até encontrarem um navio que os trouxesse ao Brasil. Chegou enfim o dia em que nos despedimos de nossa Pátria. Embarcamos no navio Olbers, de três mastros, mas já um tanto velho. Além do comandante e dos marinheiros, vinham neste navio 875 passageiros.

A princípio navegávamos nas proximidades da costa ingleza, numa zona onde no anno anterior tinha naufragado um transporte de imigrantes. Estes salvaram-se, tiveram porém que permanecer na cidade de Plymouth até a chegada de um navio que os levasse; julgando que o comandante do navio provocara o desastre com o intuito de os vender posteriormente como escravos, não simpatizavam muito com ele e em certa ocasião ao passar perto de algumas mulheres que estavam lavando roupa, estas avançaram e o espancaram com as peças de roupa molhada, o que produziu enorme hilariedade entre os ingleses presentes à luta.

Também nosso comandante, em certa ocasião se viu em palpos de aranha. Quando navegávamos perto do Equador, onde mais intenso se faz sentir o calor do sol, a água nos era fornecida em quantidade insuficiente e de má qualidade, o que motivou vários casos de doença entre os passageiros. Nomeamos uma comissão que foi apresentar as nossas reclamações ao comandante: este porém irritou-se e mandou postar um canhão na popa do navio, com o fim de nos aterrorizar. Não conseguindo todavia seu intento, mandou satisfazer nosso pedido. (...)

Apesar de ter corrido relativamente bem a viagem, vieram a fallecer 50 pessoas mas também nasceram 50, de maneira que não sofreu alteração o número dos passageiros que saíram da Europa.

Durou a viagem até o Rio de Janeiro, 14 semanas e ali tivemos que esperar outras 14 por uma embarcação menor que nos trouxesse a Porto Alegre. Alguns moços que viajavam em nossa companhia, ficaram naquela cidade e se alistaram no exército brasileiro. Nós, porém continuamos a viagem para o Rio Grande onde chegamos após 14 dias e desta cidade seguimos depois de alguns dias de demora, a Porto Alegre e dali em lancha ao Porto dos Sinos, denominado Passo, hoje São Leopoldo, onde desembarcamos e nos dirigimos à Feitoria Velha, uma fazenda Imperial onde fomos acomodados em construções de madeira.

Demorara nossa viagem toda quarenta e nove semanas.”

 

 

Os imigrantes, na chegada ao Rio de Janeiro, capital do Império do Brasil, ficavam alojados na Armação da Praia Grande nas proximidades da Villa Real da Praia Grande - atual cidade de Niterói, na Baía de Guanabara, cumprindo uma quarentena obrigatória. Essa quarentena, além dos propósitos sanitários, também servia para a recuperação do profundo desgaste físico e emocional, produzido pela longa viagem, de quase cem dias, que iniciava com o embarque na Alemanha, escalas em diversos portos da Europa - para que a carga de mercadorias e de viajantes fosse completada - e finalmente a travessia do Atlântico. Documentos oficiais e diários pessoais dos imigrantes mostram que durante a viagem os nascimentos e as mortes eram muito comuns, alterando a composição do grupo de imigrantes, mas às vezes mantendo inalterado o total de indivíduos. Lemos (1993) fornece uma visão do ambiente em que foram recebidos e onde foram alojados os primeiros imigrantes alemães.

 

A primeira questão que se apresentou para o recém-nomeado Inspetor da Colonização Estrangeira no Brasil, e premente, foi a de alojar esses alemães que chegariam a qualquer momento. Precisavam de espaço e meios. Uma coisa era certa: os alemães teriam que ficar fora do Rio de Janeiro, para que a vida da cidade não fosse perturbada pela invasão, ainda que pacífica, de trezentos estrangeiros; mas ao mesmo tempo, não longe da Corte, para que fosse facilitada a execução de providências (que ainda não sabia quais seriam) relativas ao seu posterior destino (que ainda não se sabia qual seria). (...) A solucão então aflorou, solução de emergência, mas sempre uma solução: a Armação da Praia Grande era um excelente lugar para acomodar os alemães. (...) A Armação da Praia Grande, ou Armação das Baleias, ou Armação de São Domingos, era um conjunto de velhos prédios, destinados à industrialização da pesca de baleias. (...) A Armação situava-se na Ponta da Areia, em São Domingos, distrito da Villa Real da Praia Grande, hoje Niterói. (...) Ali acantonaram, em 1815, os soldados da Divisão de Voluntários Reais, tropa mandada vir de Portugal por Dom João, para a intervenção na Banda Oriental.
 

CAPÍTULO 3

OS MERCENÁRIOS ESTRANGEIROS DO EXÉRCITO IMPERIAL DO BRASIL

ogo que proclamou a Independência do Império Português em 22 de abril de 1822, o Imperador D. Pedro I, sentiu a necessidade urgente de reforçar suas tropas, preparando-se para neutralizar uma eventual reação de tropas leais a Portugal.

 

Em resposta à rebeldia de Dom Pedro, a tropa portuguesa, a partir de 1821, transformou-se em um verdadeiro exército de ocupação.

No Rio de Janeiro, os batalhões do Gen. Avilez cometeram excessos e estrepolias notáveis. As provocações e desafios atingiram o nível de pura delinqüência criminal.

Dom Pedro reagiu e preparou-se para o que prenunciava ser uma longa guerra de libertação. (Lemos, 1993)

 

 

Além disso, chegavam também notícias de que um grande exército estaria sendo formado em Lisboa para restaurar a condição subalterna que o Brasil ocupava no Reino Português.

 

Em 1822, era ponto pacífico entre os homens da Independência que, apenas com a prata da casa, dificilmente conseguiríamos resistir à retaliação portuguesa; e lá se iria por águas abaixo o sonho imperial brasileiro, arrastando consigo a pretendida unidade territorial do Brasil. (Lemos, 1993)

 

Dois eventos contribuiram para a redução dos quadros militares na Corte, aumentando esses riscos. O primeiro foi o envio de tropas à Província de Pernambuco para sufocar a revolta republicana da Confederação do Equador. O segundo foi a necessidade de reforçar as defesas na fronteira da Província de São Pedro do Rio Grande em virtude da declaração de guerra às Províncias Unidas do Prata na disputa pela Província Cisplatina (atual República do Uruguai).

 

Entretanto, em 4 de novembro de 1825, o Império recebe o comunicado de que as Províncias Unidas entendiam a Cisplatina como parte do seu território e, assim, o Rio de Janeiro declara guerra aos portenhos em 10 de dezembro de 1825. A resposta argentina é dada menos de um mês depois: é declarada guerra ao Brasil no primeiro dia de 1826. Ferreira (

 

Ferreira, F.

Breves considerações acerca da Província Cisplatina: 1821-1828

Revista Tema Livre

 

Na tentativa de solucionar esse problema complexo, D. Pedro I decidiu constituir um corpo de soldados estrangeiros no exército brasileiro e para isso resolveu contratar mercenários na Europa. O Regimento de Estrangeiros foi criado pelo Decreto de 8 de Janeiro de 1823. Em virtude de ter sido ativado apenas um de seus batalhões, o Regimento desde sua criação, ficou conhecido como Batalhão de Estrangeiros com um efetivo de 844 homens (Lemos, 1993).

O Coronel William Cotter, veterano de diversos combates em Portugal e da Campanha da Banda Oriental (1816-1820), foi encarregado de contratar mercenários irlandeses, o que fez por meio de anúncios em jornais na cidade de Cork. Como resultado de suas atividades, de 29/9/1827 a 23/12/1827, chegaram ao porto do Rio de Janeiro aproximadamente 2.265 irlandeses solteiros ou em grupos familiares (Lemos, 1993).

Já o austríaco Major Georg Anton Aloysius von Schäffer, amigo da imperatriz Leopoldina de Habsburgo, esposa de D. Pedro I, foi encarregado da contratação de mercenários nos países da Europa central. O Major von Schäffer utilizou-se então de um artifício: contratou e embarcou grupos de soldados ("avulsos") para o Brasil, mesclados em grandes contingentes de famílias de colonos com a promessa de alojamentos confortáveis e suprimentos abundantes durante a viagem e terras, utensílios, sementes e todo apoio nas futuras colônias, promessas sem qualquer fundo de verdade. Esses são alguns dos motivos pelos quais até hoje lhe é atribuído o rótulo de aventureiro de mau caráter.

 

Para tal (empreitada), foi contratada uma deveras singular e até hoje discutida pelos historiadores e pesquisadores da História: o Major Georg Anton von Schäffer. Foi ele encarregado de aliciar colonos para as terras da Real Feitoria, no território da Prússia. Fez misérias. Quem lê sua obra ‘Brasilien als unabhängiges Reich’, publicada em 1824 (...) trabalho escrito para fazer propaganda da terra e conseguir candidatos à travessia do oceano, chega a conclusão de que se tratava de um homem de cultura, inteligente, mas também de um mestre do exagero. Fazia tudo para que os incautos servidores da gleba no reino da Prússia tivessem a impressão de que embarcavam para o paraíso: “os navios brasileiros destinados ao transporte de colonos são providos, copiosamente, com víveres e água; um tal navio só transporta passageiros e aquilo que eles necessitarem; a bordo se encontra um médico, um médico alemão formado, escolhido com cuidado, além de cirurgiões e de uma farmácia de bordo a fim de serem úteis em caso de necessidade”.

 

Telles, L.

Do Deutscher Hilfsverein ao Colégio Farroupilha.

Ass. Benef. Educacional de 1858. : Porto Alegre. 1974

 

A cronica desse Schaeffer (Jorge Antonio Schaeffer) é pavorosa. Todos os escritores que a ele se referem, o menos que dizem a seu respeito é que era um bebedo habitual. Um escritor nacional, tratando desse indivíduo diz: “O traumatismo de ordem oral que vitimou não poucos dos adventícios dos primeiros anos do Brasil independente póde ser considerado por uma enfermidade agravada pela propaganda interesseira de Schaeffer que levava, em seu bojo, tres defeitos capitais: 1º) não esclarecia as verdadeiras condições locais; 2º) prometia vantagens superiores aos recursos do país; 3º) arrebanhava, indiferentemente, vagabundos, bandidos, bebedos inveterados, mendigos e galés tirados dos presídios, a par de elementos sãos e de boa vontade.

 

Belém, J.

História do Município de Santa Maria. 1797 – 1933.

Porto Alegre : Livraria Selbach. 1933

 

 

O Regimento de Estrangeiros foi criado pelo Decreto de 8 de Janeiro de 1823: “Convindo nas actuais circunstâncias argumentar a força do Exército e havendo estrangeiros, que voluntariamente se offerecem ao serviço deste Império; Hei por bem mandar formar um Regimento, composto de um Estado-Maior, e três Batalhões, o qual se denominará – Regimento de Estrangeiros – procedendo-se imediatamenteà organização de um de seus Batalhões, que terá a força de um Estado-Maior e seis Companhias (...) sendo formados os outros sucessivamente, e quando se apresetarem voluntários.” (Collecção das Decisões de 1823, p2. )

Lemos, J.S. Os mercenários do Imperador –

a primeira corrente migratória alemã no Brasil.

Ed. Palmarinca. Porto Alegre. 1993.

 

Mais de 3.000 mercenários alemães, logo ao desembarcar no Rio de Janeiro, foram incorporados ao 2º e 3º Batalhões de Granadeiros e aos 27º e 28º Batalhões de Caçadores do Exército Imperial Brasileiro. A maioria desses soldados era constituída por solteiros, porém muitos deles vieram acompanhados por suas famílias.

 

Além dos colonos, havia 277 soldados a bordo do Germania. Estes destinavam-se aos quatro batalhões alemães no Rio de Janeiro (dois de caçadores e dois de granadeiros), incorporados ao Corpo de Estrangeiros, formado em princípios de 1823 para combater, em defesa da Independência, as tropas ainda fiéis a Portugal, estacionadas no Brasil.

 

Hunsche, C. H.

O biênio 1824/1825 da imigração e colonização

alemã  no Rio Grande do Sul.

A Nação. Porto Alegre, 1975, p.27

 

O rigor dos oficiais prussianos, as punições desumanas a que essas tropas eram submetidas e o atraso dos soldos logo provocaram descontentamento e revolta. No dia 4 de junho de 1828, uma quarta feira, estourou um motim no 2º Batalhão de Granadeiros aquartelado no bairro de São Cristóvão. A desordem estendeu-se pela cidade do Rio de Janeiro envolvendo a população civil, escravos armados por seus proprietários, tropas fiéis ao Governo e fuzileiros navais ingleses e franceses que desembarcaram a pedido do Governo Imperial para debelar a revolta dos soldados alemães e irlandeses. Ao final de quatro dias de combates, estima-se que morreram entre 20 e 50 alemães, de 70 a 100 irlandeses, 97 infantes e 23 soldados de cavalaria brasileiros, cerca de 10 ou 12 civis inclusive escravos. Esses acontecimentos trágicos forçaram a decisão do Governo Imperial de dissolver os Batalhões de Estrangeiros. No dia 17 de junho de 1828, o “Censor Brasileiro” trazia a decisão do governo:

 

 

“Os soldados Irlandeses sahem para a Irlanda, e nem hum só ficará dentro do Império. Os Soldados Allemães que se acharem criminosos vão ser processados; e os do Batalhão n. 28, que permanecerão fora da insubordinação, devem marchar quanto antes para o Sul.

 

O Censor Brasileiro, edição de 17/06/1828,

Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro.

apud  Lemos (1993)

 

Aos poucos o 28º Batalhão de Caçadores foi sendo embarcado na nau “Dom Pedro I” e, em 16 de agosto de 1828, a Caixa do Tesouro recebeu ordens para entregar ao Comissário Geral do Exército a quantia de “...dez contos, cento e vinte e seis mil réis...” para a compra de gêneros a serem fornecidos “...ao 28º BC, na sua viagem para o sul...” (Lemos, 1993).

 

Os cerca de 300 soldados que restavam do 28º Batalhão de Caçadores foram enviados para o sul. Desembarcados em Florianópolis, seguiram por terra até Laguna e chegaram a Torres esfomeados, sob trovoadas e chuvas, desfraldando bandeiras ao toque da música, sem comida, mas abastecidos de álcool. De Torres foram a Porto Alegre, onde cometaram violências e atacaram, aos grupos, casas e tabernas. Impossível mantê-los na capital, foram mandados para Rio Pardo e daí para Santa Maria, onde a tropa foi seccionada. Parte ficou em Santa Maria, parte remetida para Rio Pardo e outros para Porto Alegre, onde, em 23 de outubro de 1830 participou das comemorações do aniversário do Imperador.

 

Alemães na Guerra dos Farrapos.

 Flores, H.A.H. Coleção História 6.

Porto Alegre.  EDIPUCRS. 1995. 

 

 

 

Esse grupamento constituiu um importante contingente de alemães que migrou para o sul do país. Enviados para a Província de São Pedro do Rio Grande do Sul, os mercenários alemães do 28º BC lutaram contra a Argentina, na Guerra da Província Cisplatina, ao lado de portugueses, índios, negros e de voluntários alemães recrutados na recém instalada Colônia Alemã de São Leopoldo.

 

Com estes colonos, formou-se a Companhia de Voluntários Alemães, da qual parte era de veteranos, dando uma tropa bem disciplinada. O seu número varia na literatura entre 120 e 198 indivíduos. O seu proceder desinteressado parece não ter aproveitado muito a esses voluntários. Sofriam, não somente como as outras tropas, horrivelmente pela má organização e falta de tudo quanto fosse de primeira necessidade para a vida, como moralmente pela circunstância de pertencerem a raça alemã. Aurélio Porto escreve a propósito: "Durante um ano, um longo ano de martírios e tormentos, um ano de aflições e misérias, afrontando todos os dias a morte, e indo até a morte buscar um descanso, que a impiedade de seus chefes lhes não dava, esses abnegados colonos prestaram seu primeiro tributo de sangue à pátria brasileira. Com usos e costumes diferentes, falando uma língua estranha, incompreendidos por todos, sempre escalados para os trabalhos mais árduos, menos dignos, açoitados, às vezes, pelas mínimas faltas disciplinares, souberam, entretanto, honrar as tradições da raça valente, cujo sangue lhes corria nas veias". (O Trabalho, p. 96).

 

Oberacker Jr., C.H.

A contribuição teuta à formação da nação brasileira.

Ed.Presença, RJ. 1985, 4 ed. 235 p (pgs 181-183)

 

 

Outrossim, encontravam-se nas tropas de (Marques de) Barbacena diversas unidades alemãs. Dos soldados engajados pelo major Schaeffer, fora despachado, já em 1826, para o teatro de guerra, como defesa da fronteira, o 27° Batalhão de Caçadores , com um efetivo de 500 homens, e composto de 6 companhias. Havia, ainda, o esquadrão de mais de 85 lanceiros alemães sob o comando do capitão Ludovico von Quast e organizado pelo major Carlos Frederico Otto Heise. Além dos mercenários, também voluntários alemães, provenientes da Colônia Alemã de São Leopoldo, haviam-se incorporado sob a bandeira brasileira. A organização dessa Companhia de  Voluntários Alemães, de São Leopoldo, é atribuída ao médico e antigo legionário alemão João Daniel Hillebrand (1795 - 1880)

 

Oberacker Jr., C.H.

A contribuição teuta à formação da nação brasileira.

Ed.Presença, RJ. 1985, 4 ed. 235 p (pgs 181-183)

 

Ao assumir o Marques de Barbacena o comando-geral do exército brasileiro, encontrava-se o grosso das forças concentrado por seu antecessor em local absolutamente impróprio, em Santana do Livramento, e em situação verdadeiramente deplorável. As condições impostas por Caldeira Brant, na ocasião da transferência do comando-geral, fora satisfeitas só em parte, e mesmo assim, com procrastinações, pelo modo de proceder do presidente da província. Entrementes, o comandante do exército argentino havia completado seus preparativos e iniciou a marcha sobre o Rio Grande do Sul. Era seu plano bater o exército brasileiro dividido, pois parte considerável das tropas brasileiras estava sob o comando do general de brigada von Braun entre as cidades fronteiriças de Pelotas e Jaguarão. Barbacena reconheceu em tempo o grande risco a que estava exposto o seu exército, inferior em número e em equipamento. Assim, deu ordem a Braun de reunir a sua divisão, de quase mil e seiscentos homens, e da qual faziam parte os contingentes alemães, com a maior celeridade possível, ao grosso do exército. Antes de partir, o Marques confiou a proteção do antigo acampamento de Santana do Livramento ao pequeno contingente de voluntários alemães, que no entanto, dentro em breve se viu confrontado com forças inimigas mui superiores; não lhes sobrou outro remédio do que queimar o acampamento com suas reservas e o arquivo e retirar-se, fato que tanto desagradou a Barbacena que mandou em abril de 1827 dissolver a Companhia dos Voluntários Alemães, por não ter correspondido a sua expectativa.

 

Oberacker Jr., C.H.

A contribuição teuta à formação da nação brasileira.

Ed.Presença, RJ. 1985, 4 ed. 235 p (pgs 181-183)

 

 

Mas qual o interesse existe nesses mercenários alemães em um livro de genealogia e história familiar ?

A resposta é muito simples. Os genearcas dos dois ramos da Família Licht no Rio Grande do Sul, os irmãos Johann Peter Conrad Licht e Johann Peter Nicolau Licht, vieram da Europa para o Brasil como soldados mercenários. Os detalhes de suas histórias pessoais, semelhantes às de muitas centenas de imigrantes alemães desse período, merecem ser conhecidas e preservadas.
 

CAPÍTULO 4

A REGIÃO DE ORIGEM DA FAMÍLIA LICHT

 Família Licht é originária dos vilarejos de Mülheim e Dusemond, pequenas povoações da margem direita do rio Mosel, do Landkreis Bernkastel-Wittlich, no Rheinland-Pfalz, Hünsrück (Figura 1) (Figura 2) (Figura 3), região de origem de grande quantidade dos imigrantes alemães que na segunda década do século XIX, povoaram o vale do rio dos Sinos na Província de São Pedro do Rio Grande do Sul.
 

Figura 1 - Localização de Brauneberg (ex- Dusemond) e Mülheim e outras cidades e vilarejos do vale do rio Mosel.

     

Figura 2 - Dois aspectos atuais do vilarejo de Mülheim an der Mosel, à margem direita do rio Mosela.

(http://www.moselbilder.de/Photokorn/index.html?action=showgal&cat=75)

     

Figura 3 - Dois aspectos atuais do vilarejo de Brauneberg (ex-Dusemond) à margem direita do rio Mosela.

(http://www.moselbilder.de/Photokorn/index.html?action=showgal&cat=13)
 

A região do vale do rio Mosel é composta por elevações suaves e planícies aluviais e coberta por florestas naturais, campos e vinhedos. A ocupação humana na região é muito antiga, com vestígios de aldeias da idade do Bronze. Desde 500 A.C. foi colonizada pelos Celtas e Germanos e, em 50 A.C., a região foi finalmente tomada pelo Império Romano, ocupação que perdurou até 500 D.C. quando foi ocupada pelos Francos.

Mülheim

Dusemond foi fundada pelos romanos no ano 588 A.C e seu nome tem origem no Latim mons dulcis – doces montes – em virtude da excelência e riqueza dos vinhos que produz, classificados como dos mais finos dos vinhos do vale do rio Mosel. A partir de 1925, para caracterizar seu produto vinícola como de origem alemã, a vila abandonou o nome latino Dusemond e passou a se chamar Brauneberg - montes castanhos.

 

A extensa pesquisa realizada por Thomas Pick (Pick, 2007) nos registros de nascimento e casamento das igrejas católicas da região do Rheinland-Pfalz, apesar de conter referências a muitos membros da familia Licht na localidade de Dusemond, não contém nenhuma a qualquer dos membros do grupo familiar que emigrou para o Rio Grande do Sul. Assim, mesmo que tenham declarado, em diversas oportunidades serem católicos, os membros dessa família eram evangélicos luteranos como uma grande parcela dos imigrantes alemães da Província do Rio Grande do Sul. Quanto a esse fato, o genealogista alemão Otto Bremm que realizou extensa pesquisa sobre os evangélicos luteranos da região do vale do Mosel, informou que “Ainda uma palavra deve ser dita sobre a anotação ‘católico’. Brauneberg pertenceu, ainda como Dusemond, ao condado de Veldenz que aproximadamente em 1550, tornou-se protestante luterano, seguindo a lei comum ‘cuius regio eius religio’ que significa ‘a religião é a do dono da terra’. Assim, segundo esse princípio, em algumas áreas católicas, era permitida a permanência dos protestantes apenas se seus filhos tivessem sido batizados e criados na fé católica e vice-versa. Em Brauneberg todas as pessoas eram originalmente protestantes e então, principalmente por meio dos casamentos, mais e mais católicos foram sendo agregados à área. Essa foi a maneira como diversos Licht tornaram-se católicos. Carl e Anna Maria Licht e seus filhos eram protestantes quando emigraram e provavelmente tornaram-se católicos após assentados (Otto Bremm, 2007, com. pessoal).

Além disso, como a igreja protestante luterana só foi regularmente estabelecida em Porto Alegre em 1865, muitos imigrantes luteranos se declaravam católicos para poderem assistir aos ofícios religiosos e receber os sacramentos de batismo, casamento e encomendação. Veremos adiante que alguns membros da Família Licht, em Porto Alegre, foram sepultados no Cemitério (Católico) da Santa Casa de Misericórdia, sendo alguns anos depois transladados para o Cemitério da Comunidade Evangélica de Porto Alegre.

 

AS ORIGENS DA FAMÍLIA LICHT

O ancestral mais distante já identificado é Mathias Licht, nascido em 1597, em Mülheim a.d. Mosel. Em 1º de Janeiro de 1624, ele casou com Anna em Mülheim a.d. Mosel, tendo desse casamento havido pelo menos três filhos. O terceiro deles, Johannes, nascido em 1631 em Mülheim a.d. Mosel casou em 16 de Setembro de 1657 em Mülheim com Anna Margaretha Schreiber de cujo casamento houve oito filhos. O sétimo deles, Johann Reinhard nascido em 4 de julho de 1676 em Mülheim, casou a 6 de Fevereiro de 1703 em Mülheim com Anna Margretha Kruft nascida a 1 de Dezembro de 1678 em Dusemond. Esse casal teve nove filhos e o último, Johann Adam, nascido a 30 de setembro de 1720 em Dusemond, casou a 13 de abril de 1749 em Mülheim com Eva Maria Haag, nascida a 30 de março de 1729 em Mülheim, tendo gerado pelo menos seis filhos. A primeira filha desse casal, Susanna Maria teve pelo menos dois filhos: Johann Samuel e Carl Phillip. Não foi encontrado qualquer registro que permitisse identificar o marido de Susanna. Com isso o sobrenome Licht da mãe foi passado a seus filhos.

 

Carl Phillip Licht nasceu a 19 de setembro de 1785 em Dusemond. Casou a 22 de fevereiro de 1810 em Mülheim, com Anna Maria Bottler, nascida a 7 de janeiro de 1786 em Gornhausen, filha de Maria Catharina Bottler.

 

Carl Phillip e Anna Maria tiveram pelo menos três filhos: Johann Peter Nicolau, nascido a 5 de janeiro de 1811 em Dusemond, Johann Peter Conrad, nascido aproximadamente a 1813 em Dusemond e Johanna Franziska nascida aproximadamente a 1815 em Dusemond.

 

Foi esse o grupo familiar que emigrou para o Brasil em setembro de 1828, dando origem a uma enorme quantidade de descendentes na Província de São Pedro do Rio Grande do Sul. 

 

A IMIGRAÇÃO DA FAMÍLIA LICHT PARA O BRASIL

A família de Carl e Anna Maria habitava o vilarejo de Dusemond (atual Brauneberg) no vale do Mosel. Eram agricultores, como seus ancestrais. Abandonaram a terra natal como todos os imigrantes do Hunsrück, pelas dificuldades econômicas provocadas pela devastação das Guerras Napoleônicas e atraídos pelas promessas do Major von Schäffer, enviado pelo Governo do Império do Brasil para contratar mercenários disfarçados de colonos.

 

O primeiro a emigrar deve ter sido o filho Johann Peter Conrad Licht, que ingressou em 1826 no batalhão formado por cerca de 300 mercenários europeus, principalmente alemães para lutar em Portugal, na guerra civil entre as facções Pedristas, partidários de D. Maria da Glória e de D. Pedro (legalistas e constitucionalistas) e Miguelistas, partidários de D. Miguel (usurpador do trono).

Como relata Lemos (1993) esse batalhão Pedrista, comandado pelo alemão Coronel Schwallbach, foi enviado para o arquipélago dos Açores, para restaurar a constituição e o reinado de Dª Maria da Glória. Lá chegando na segunda metade de 1828, encontrou o arquipélago cercado pela esquadra inglesa, o que impediu o desembarque desse batalhão. Em vez de retornar a Portugal, o comandante resolveu seguir viagem para o Brasil, onde se apresentou ao Imperador D. Pedro I no final de 1828.

Porém, algum tempo antes, em Agosto de 1828, os corpos de mercenários do exército brasileiro tinham sido dissolvidos em virtude da revolta que agitou e ensangüentou a Corte em Junho do mesmo ano.

Assim, a chegada desse batalhão de mercenários alemães ao Rio de Janeiro provocou descontentamento e apreensão generalizadas. Por pressão de diversos parlamentares e da população da Corte, os que concordaram foram licenciados e enviados para o sul como colonos. Os que optaram por permanecer engajados, Dom Pedro I incorporou-os ao Exército Imperial criando o “Batalhão de Fuzileiros” que foi alojado na fortaleza da Praia Vermelha. Em maio de 1829, esse Batalhão de Fuzileiros estava aquartelado na Praia Vermelha, no Rio de Janeiro e era a única tropa de estrangeiros existente no Rio de Janeiro

Em meados de 1829, essa era a única tropa de estrangeiros existente no Rio de Janeiro. Nessa época Johann Peter Conrad Licht, era Cabo desse Batalhão de Fuzileiros.

A curtíssima vida do Batalhão de Fuzileiros alemães acabou formalmente nos primeiros dias de 1831 quando seu comandante recebeu ordens para excluir diariamente quatro homens de cada companhia. (Lemos, 1993).

 

A referência documental mais antiga relacionada ao processo de imigração de um membro da família Licht para o Brasil é datada de 17 de setembro de 1828 (Figura 4). Trata-se da relação de jovens que seriam embarcados no porto de Bremen e incorporados ao Exército de Sua Majestade D. Pedro I. Essa lista mostra que até crianças com dez anos de idade, eram regularmente incorporadas ao exército, e provavelmente usados para serviços leves como mensageiros e ajudantes de oficiais, de forma a iniciá-los na carreira militar. Era também uma forma encontrada pelos imigrantes alemães para reduzir o custo do transporte de suas famílias da Europa até o Brasil, já que as despesas dos soldados corriam por conta do Governo Imperial.

 

Rol dos moços que se tem obrigado entrar no Serviço Militar

de Sua Magestade depois de sua chegada a Rio de Janeiro

Número

Nomes

Idade

Pátria

Religião

Profissão

Observações

1

Nicolao Weitzmann

22

Prússia

catolica

(vazio)

(vazio)

2

Nicolao Bierinfeld

20

(vazio)

(vazio)

3

João Feltes

17

(vazio)

(vazio)

4

Maths Fröhlich

21

(vazio)

(vazio)

5

Adam Muller

22

(vazio)

(vazio)

6

João Fröhlich

19

(vazio)

(vazio)

7

Jacobo Feltes

15

(vazio)

(vazio)

8

Simon Kappel

18

evangelica

(vazio)

(vazio)

9

Louis Schneider

17

(vazio)

(vazio)

10

João Schlick

18

(vazio)

(vazio)

11

Nicolao Seewald

25

França

(vazio)

(vazio)

12

Paulo Orth

10

Prússia

(vazio)

(vazio)

13

Pedro Jozé Schons

28

(vazio)

(vazio)

14

Friderico Fröhlich

17

(vazio)

(vazio)

15

Nicolao Leidems

29

(vazio)

(vazio)

16

Pedro Kich

13

(vazio)

(vazio)

17

João Pedri

13

(vazio)

(vazio)

18

Pedro D Becker

12

evangelica

(vazio)

(vazio)

19

Pedro Müller

18

catolica

(vazio)

(vazio)

20

João Müller

11

(vazio)

(vazio)

21

Pedro Wagener

15

(vazio)

(vazio)

22

Pedro Kappel

15

evangelica

(vazio)

(vazio)

23

Jorge Fröhlich

16

católica

(vazio)

(vazio)

24

Nicolao Engelsdorff

15

França

(vazio)

(vazio)

25

Maths Sewerin

19

Prussia

(vazio)

(vazio)

26

Jacobo Sewerin

13

(vazio)

(vazio)

27

João Sewerin

(vazio)

(vazio)

(vazio)

28

João Pedro Licht

(vazio)

(vazio)

(vazio)

 

Bremen, 17 de Setembro de 1828

Luiz Frederico M. (ilegível)

(ilegível) Cônsul do Império do Brasil

 

Fundo Ministério da Guerra - OG,

 caixa 824, pacote 02

Arquivo Nacional, Rio de Janeiro

Transcrição por Otavio A. B. Licht
 

Figura 4 - “Rol dos moços que se tem obrigado entrar no Serviço Militar de sua Majestade depois de sua chegada ao Rio de Janeiro”,

documento datado de 17 de setembro de 1828, no porto de Bremen. João Pedro Licht, o genearca do ramo Licht de Santa Maria é o nº 28.

(Fonte: Arquivo Nacional, Rio de Janeiro).
 

A partir de documentos que serão adiante examinados, o João Pedro Licht citado na lista de embarque em Bremen, era JOHANN PETER NICOLAU LICHT, nascido em 5/1/1812 e portanto com a idade de 16 anos e oito meses na data do embarque em Bremen. Em virtude da menor idade e mesmo constando da relação de futuros soldados do Exército Imperial, na longa viagem até o Brasil ele deve ter sido acompanhado por seus familiares, o pai, CARL PHILLIP LICHT, a mãe ANNA MARIA BOTTLER, a irmã JOHANNA FRANZISKA. Nessa época, o irmão JOHANN PETER CONRAD LICHT como já vimos, estava incorporado ao grupamento de alemães mercenários que lutava em Portugal e que viria a se transformar no Batalhão de Fuzileiros do Exército Imperial.

No dia 26 de setembro de 1828, uma sexta feira, último dia da lua cheia, a Família Lichtjunto com centenas de outros imigrantes alemães, embarcou no grande navio de três mastros Olbers (Figura 5).
 

 

Figura 5 - A grande fragata transatlântica de três mastros Olbers que zarpou do porto de Bremen no dia 26.9.1828 e

chegou ao Rio de Janeiro em 17.12.1828. Fez a 28ª viagem com imigrantes alemães em direção ao Brasil,

com cerca de 874 passageiros entre os quais quatro integrantes da Família Licht. Das 152 famílias a bordo,

muitas se radicaram na Colônia Alemã de São Leopoldo. (Pintura a óleo de C.J. H. Fedeler, de 1839 (propriedade da família C. Wuppersahl, Bremen)

http://www.goettems.com.br/ahist.htm)

 

Figura 6 - Os alojamentos dos imigrantes alemães durante a travessia do Atlântico

 

O 28º embarque foi efetuado pelo veleiro Olbers, o maior dos navios que até aquela data haviam efetuado o transporte de imigrantes ao Brasil. O Olbers partiu do porto de Bremen no dia 26/9/1828 e chegou ao Rio de Janeiro em 17/12/1828. Navio especialmente construido para o transporte de pessoas transportou 152 famílias, cerca de 874 passageiros entre eles muitas famílias que se radicaram na Colônia Alemã de São Leopoldo.

Hunsche, C.H., O quadriênio da imigração alemã 1824 – 1830 In:

http://www.weissheimer.hpg.ig.com.br

Acesso em 22/11/2005

 

Aqui se estabelece uma controvérsia. Palmer (http://homepages.rootsweb.ancestry.com/~young/holbers.htm) aponta que existiram cinco barcos com o nome de Olbers, todos em homenagem a Heinrich Wilhelm Matthias Olbers (1758 – 1840) um famoso médico e astrônomo de Bremen. 

Entretanto, diversos autores fazem referência à 26ª viagem de imigrantes alemães rumo ao Império do Brasil, na fragata Olbers, o maior dos navios que até aquela data haviam efetuado o transporte de imigrantes ao Brasil. O Olbers partiu do porto de Bremen no dia 26 de setembro de 1828 e chegou ao Rio de Janeiro em 17 de dezembro de 1828, uma quarta feira. Foi sem dúvida esse veleiro Olbers, o primeiro navio construído especialmente para transporte de pessoas, que traria o maior contingente de colonos para a Colônia Alemã de São Leopoldo agrupados em 152 famílias mais dezenas de avulsos, totalizando 874 passageiros. Embora a composição da tripulação seja até hoje desconhecida, pois a relação de passageiros foi extraviada ou destruída durante a 1ª Guerra Mundial, foi possível identificar as famílias tomando por base a relação de pessoas que na época (Agosto de 1828) se encontravam na hospedaria "Vor dem Bunten Thore" de Bremen aguardando embarque no Olbers, cujos nomes foram posteriormente confirmados com o registro de imigrantes de São Leopoldo. Na relação de passageiros, os nomes das famílias estão escritos da mesma forma como foram registrados no livro de registros de imigrantes, podendo haver divergência entre a exata grafia do nome da família, tal como ocorre com o sobrenome Licht grafado como Lichten.

 

Abraham, Achilles, Adam, Adamy, Ahrend/Arend, Alaga, Albrecht, Alles, Andersen, Anker, Anstigen, Antler, Appel, Arenhardt, Bachmann, Balk, Balus, Barth, Battmann, Becherer, Bechtel, Becker, Becking, Beda, Behn, Behnke, Beil, Beimler, Bender, Benkenstein, Benter, Bernardi, Berner, Bernet, Berns, Berron, Berwanger, Biarrowsky, Biermann, Birk, Bode, Bodin, Böhm, Boni, Booge, Born, Bornemann, Bortorff., Brandt, Brauer, Brauns, Breitenbach, Brinckmann, Bruscher, Budin, Bülow, Burchard, Burg, Burmeister, Bursch, Busch, Cinser, Conrad, Coré, Cornelson, Daecke, Damian, Deppe, Derr, Dietrich, Dill, Dillenburg, Dockhorn, Dreyer, Dröscher, Dunker, Dweyer, Elicker, Ely, Elz, Engelsdorf, Erwig, Eskenbach, Falkenberg, Faltey, Feltes, Finke, Fischer, Förster, Franzen, Freder, Freis, Freyle, Fritzen, Froelich, Frühsctück, Funk, Gämmer, Geisbusch, Gellner, Germer, Gettems, Gille, Ginke, Goergen, Goldmann, Gräber, Haacker, Hackmann, Häfner, Hanauer, Harth, Heberly, Heinitz, Heinz, Heller, Hellmund, Herscher, Herter, Herter, Hiewinger, Hinrichsen, Hochscheu, Hoerholz, Holz, Holzhauer, Hörle, Horly, Ibendorf, Jacobsen, Johann, Jung, Junges, Jürgens, Kautner, Kaye, Keinz, Keiper, Kessler, Kierieleison, Kirchner, Kirsch, Klein, Klinger, Klöckner, Knapp, Knöche, Knopp, Koerner, Kohn, Kohnen, Köppler, Kraemer, Krewitt, Krimnitz, Kritsch, Kröplin, Krüger, Kuber, Kuhn, Kunzler, Kuplich, Kuss, Kussmann, Lang, Lau, Lauermann, Ledur, Lehnen, Lehnert, Leitsch, Leyndecker, Lichten, Limon, Lorenz, Lorscheiter, Lüdke, Lüdkin, Ludwig, Lunn, Marmitt, Martini, Matt, Maurer, Maxim, Mewius, Meyer, Minwegen, Moehlhausen, Möhrken, Molitor, Müller, Munsul, Nagel, Neumeyer, Noe, Oestreich, Ohm, Orth, Ostermann, Ott, Otto, Pauli, Petry, Petsch, Pohren, Poplotzky, Popp, Probst, Prott, Rambo, Rech, Reis, Reischel, Reitenbach, Rhode, Richter, Riecke, Riethbrock, Rimann, Rode, Roggenbach, Rosau, Rulingo, Schaefer, Schatz, Scheerer, Scheibel, Schirmacher, Schlepper, Schlich, Schmedecke, Schmeer, Schmidt, Schneider, Scholl, Schönig, Schöpf, Schorn, Schuch, Schüller, Schuns, Schütt, Schwingel, Seewald, Sefferin/Seffrin, Sellbach, Sihn, Simon, Spanath, Spedenz, Speicher, Steffens, Stein, Strademeyer, Strauch, Streit,Studt, Sutis, Swenzen, Tarrent, Tentz, Thesing, Tiedgens, Tobus, Trott, Ture, Unfried, Urnau, Volz, Voss, Wagner, Walter, Weber, Wehlhausen, Wehmers, Wendling, Werner, Weyrausch, Widitz, Wiesemann, Wilhelm, Windrath, Wolf, Zellmann.

http://penta2.ufrgs.br/rockenbach/documentos

 http://www.mluther.org.br/Imigracao/imigracao_i.html

 

Nos últimos dias de 1828, os cinco membros da Família Licht, reencontraram-se no Rio de Janeiro: Carl, Anna, Johanna e Johann Peter Nicolau, chegados de Bremen e Johann Peter Conrad chegado dos Açores.

Enquanto o adolescente Johann Peter Nicolau era preparado para a vida militar, o restante da família permaneceu por pouco mais de três meses na Armação da Praia Grande – onde hoje se localiza a cidade de Niterói - para recuperar-se do desgaste físico e emocional da longa viagem desde Bremen até o Rio de Janeiro.

 

Como já vimos, logo na chegada ao Rio de Janeiro que ocorreu no final de 1828, os mercenários alemães do Batalhão de Fuzileiros que concordaram, foram licenciados e mandados para o sul. Ao re-encontrar-se com os pais e irmãos, Johann Peter Conrad Licht deve ter aceitado a oferta, abandonando (provisoriamente) a farda e a carreira militar.

 

O Bergantim - também chamado de bragantim ou bergantina - era uma pequena embarcação com uma só coberta, com dois mastros e com velas retangulares. A (Figura 7) mostra um Bergantim semelhante aos que faziam as viagens entre Rio de Janeiro e Porto Alegre, transportando colonos e soldados e também cargas dos mais diversos tipos. As viagens no mesmo trecho eram também cobertas por outros tipos de embarcações menores como sumacas e patachos.
 

 

Figura 7 - Bergantim que fazia as viagens costeiras entre Rio de Janeiro e Porto Alegre.

Foi no Bergantim 10 de Maio, que a família Licht embarcou no Rio de Janeiro em 29 de março de 1829 em direção à Colônia Alemã de São Leopoldo.

 

Em março de 1829, o Bergantim Dez de Maio estava surto no Trapiche do Velho, no Rio de Janeiro, e com viagem marcada para o Rio Grande do Sul; por isso, seu comandante ofereceu espaço para carga nos porões e camarotes para eventuais passageiros. Essa oferta aconteceu nas Notícias Marítimas do Jornal do Commercio do Rio de Janeiro na edição de 5 de março de 1829.

 

"Para o RIO GRANDE DO SUL - O Bergantim Brasileiro DEZ DE MAIO, quem nelle quizer carregar ou hir de passagem para o que tem os melhores commodos, dirija-se à Rua das Viollas n.59 ou a bordo do mesmo, fundeado defronte do Trapixe do Velho"

 

Jornal do Commercio Vol VI, nº 418 de 5 de março de 1829,

Secção "Notícias Marítimas", pag. 4 ,col.1.  Rio de Janeiro

Biblioteca Nacional.

Transcrição por Otavio A. B. Licht

 

Naquela época não deveria ser fácil encher os porões de um barco como o Dez de Maio e por isso o anúncio foi repetido nas edições do Jornal do Commercio nos dias 7 e 14 de março.

Enquanto aguardava a chegada de viajantes e carga para levar ao Rio Grande do Sul, eis que o vento da sorte sopra as barbas do comandante do Dez de Maio, com a publicação do seguinte anúncio:

 

"Notícias Particulares

31. Quem quizer transportar Colonos Allemãos para Porto Alegre, os quaes devem sahir com a maior brevidade que for possível, dirija-se á casa do Sr. Jerônimo Francisco de Freitas Caldas, assistente defronte da Igreja da Candellaria para tratar do competente ajuste. "

 

Jornal do Commercio Vol VI, nº 428, Terça feira 17 de março de 1829,

pag.34 ,col.2.  Rio de Janeiro

Biblioteca Nacional.

Transcrição por Otavio A. B. Licht

 

O acordo comercial entre o Sr. Jerônimo Francisco de Freitas Caldas com o comandante do 10 de Maio ocorreu sem maiores problemas já que poucos dias depois, no sábado, 21 de março de 1829, primeiro dia da lua cheia, Carl, Anna Maria, Johanna e Johann Peter Conrad Licht e mais duzentos e sessenta e sete imigrantes alemães, embarcaram no Bergantim “Dez de Maio”, com destino a Colônia Alemã de São Leopoldo na Província de São Pedro do Rio Grande do Sul, deixando Johann Peter Nicolau em treinamento militar no Rio de Janeiro.

 

"Relação dos Colonos Alemães que seguiram viagem a bordo do Berg.m. Dez de Maio desta Capital para Porto Alegre a entregar ao Ilmo. Exmo. Sr. Presidente da Província de São Pedro, na conformidade das ordens expedidas pela Secretaria d'Estado dos Negócios do Império da Colonização Estrangeira nesta Corte

(...)

N  da familia : 29

Carlos Licht                144

Anna Maria                (Mr [mulher] ) 145

João Pedro Conrad  (Fo [filho] ) 146

Joanna Francisca     (Fa [filha] ) 147 

(...)

 

Ficarão embarqadas duzentas e Setenta e huma Pessoas entre homens, mulheres e crianças e pela Comissão que me foi conferida pela ordem do Exmo. Snr. Inspector das Colonizações Estrangeiras, assignei a presente declaração. - Bordo da Escuna - Dez de Maio. Junto neste Porto Rio de Janeiro em 21 de Março de 1829.

 

São 271 pessoas. "

 

Avisos do Governo, documento nº  76, 17/03/1829.

Códice B.1.24 - 1829

Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul.

Transcrição por Otavio A. B. Licht

 

Decorridas sete semanas de viagem pela costa brasileira, o Bergantim “Dez de Maio” fundeou em Porto Alegre, na Província de São Pedro do Rio Grande do Sul.

Passageiros e carga foram desembarcados e alguns dias depois, em lanchões movidos a remo e varejão, subiram o rio dos Sinos rumo à villa de São Leopoldo, sede da Colônia Alemã. Esse grupo de imigrantes chegou ao porto das Telhas na villa de São Leopoldo no domingo, dia 10 de maio de 1829, 1º dia da lua crescente. Devem ter ficado hospedados, como todos os outros colonos alemães destinados a essa colônia, nas antigas instalações da Real Feitoria de Linho Cânhamo, enquanto o prazo colonial (lote de terra) destinado à família não era demarcado e concedido.

O livro de registro da chegada dos colonos mantido pelo Dr. Johann Daniel Hillebrand, médico e comandante da colônia alemã de São Leopoldo, indica que a  viagem da família Licht não foi tranqüila, já que apresenta apenas a chegada do casal de filhos, JOHANN PETER CONRAD e JOANNA FRANCISCA. É muito provável que o casal CARL PHILLIP e ANNA MARIA, tenha falecido durante essa viagem, não resistindo as péssimas condições da viagem da Europa até o Brasil somados ao calor tropical no período de quarentena e ainda mais dois meses de viagem (de 21 de março a 10 de maio de 1829) do Rio de Janeiro até São Leopoldo. Se isso realmente aconteceu, os corpos foram lançados ao mar ao largo da costa brasileira, ou então sepultados em algum porto de escala como Angra dos Reis, Parati, São Sebastião, Santos, Paranaguá, São Francisco do Sul, Florianópolis ou Rio Grande entre outras. O fato é que até o momento não foi localizado qualquer registro que esclareça o desaparecimento desse casal na lista de desembarque, já que era procedimento normal que as mortes ocorridas na viagem fossem registradas no Aviso de Governo (Figura 8) (Figura 9) que acompanhava os passageiros. Esse é um ponto ainda obscuro e que merece aprofundamento das pesquisas nos registros de óbito das igrejas dessas cidades litorâneas.

Talvez em conseqüência da mesma moléstia que vitimou CARL e ANNA MARIA, e ainda o esgotamento físico e emocional da longa viagem somado à perda dos pais, a menina JOANNA FRANCISCA faleceu nos últimos dias de junho de 1829, pouco tempo depois da chegada à Real Feitoria do Linho Cânhamo.
 

 

Figura 8 - Aviso de Governo de 17 de março de 1829 indicando que no Bergantim 10 de Maio saiu do Rio de Janeiro com destino a

Porto Alegre um grupo de imigrantes alemães totalizando 271 pessoas. (Fonte: Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul)

 

Figura 9 - Detalhe do Aviso de Governo de 17 de março de 1829 indicando que a família Licht registrada sob o número 29

saiu do Rio de Janeiro com destino a Porto Alegre no Bergantim 10 de Maio. (Fonte: Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul)
 

 

Colonos vindos do Rio de Janeiro e chegados em São Leopoldo no dia 10 de Maio de 1829

N

25 - 969 - João Pedro Conrad Licht                          casado com Werlang reside em Porto Alegre

26 - 970 - Joanna Francisca      Irman                 morreu ult's Junho / 1829

 

Códice C-333, registros do Dr. João Daniel Hillebrand

 Documento n76, página 122.

Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul

Transcrição por Otavio A. B. Licht

 

Assim, da composição original do grupo familiar que embarcou em 21 de março de 1829 no porto do Rio de Janeiro, nos primeiros dias de julho de 1829, na Província de São Pedro do Rio Grande do Sul, restava apenas o filho JOHANN PETER CONRAD LICHT.

Da leitura do registro feito pelo Dr. JOHANN DANIEL HILLEBRAND referente ao imigrante JOHANN PETER CONRAD LICHT podem ser feitas algumas observações adicionais. O prenome Conrad está grafado como sobrescrito, como se originalmente houvesse sido escrito apenas João Pedro Licht e o Conrad acrescentado posteriormente, sem contar com espaço suficiente. A observação “casado com Werlang” está rasurada e ao lado se lê “reside em Porto Alegre”. Esse conjunto de acréscimos e rasuras são exemplos claros da confusão que ocorria, já naquela época, entre os dois irmãos JOHANN PETER NICOLAU LICHTgenearca do ramo Licht de Porto Alegre e JOHANN PETER CONRAD LICHTgenearca do ramo Licht de Santa Maria, Tupanciretã e Santo Ângelo.

Soma-se a isso o fato salientado por Rosa (2005), que o Livro de Registros da Entrada dos Colonos Alemães na Colônia de São Leopoldo, elaborado pelo Dr. JOHANN DANIEL HILLEBRAND e conhecido como códice C-333, deve ter sido redigido posteriormente, a partir de um conjunto de anotações e rascunhos. Muitos imigrantes que estão relacionados nesse livro, permaneceram e fixaram residência em Porto Alegre, sem nem sequer tentar se estabelecer na Colônia de São Leopoldo o que pode ter acontecido com JOHANNA FRANZISKA e JOHANN PETER CONRAD LICHT.

Quanto a JOHANNA FRANZISKA, não há outro registro de seu falecimento ou sepultamento no Livro de Óbitos da Igreja Católica de São José de São Leopoldo, nos Livros de Registros da Comunidade Evangélica de São Leopoldo, nem no da Matriz de Nossa Senhora Madre de Deos de Porto Alegre.

Enfim, o grupo original da família Licht no Rio Grande do Sul, foi composto por:

 

Carl Philipp Licht e sua esposa Anna Maria Bottler

e seus filhos:

Johann Peter Conrad Bottler Licht

Johann Peter Nicolau Bottler Licht

Johanna Franziska Bottler Licht
 

CAPÍTULO 5

OS DOIS RAMOS LICHT DO RIO GRANDE DO SUL

omo já salientamos, a semelhança entre os prenomes de JOHANN PETER NICOLAU LICHT e JOHANN PETER CONRAD LICHT e a ambiguidade na redação de diversos documentos, encarregaram-se de estabelecer uma grande confusão para o princípio da história da FAMÍLIA LICHT na Província de São Pedro do Rio Grande do Sul. Como vimos, a única referência da chegada em São Leopoldo é o livro de registros do Dr. JOÃO DANIEL HILLEBRAND. Nele, JOÃO PEDRO CONRAD LICHT está identificado como residente em Porto Alegre mas infelizmente, sem indicação de idade, nacionalidade, profissão ou religião.

A confusão aumenta em virtude das diversas referências a um PEDRO LICHT na Companhia de Caçadores Voluntários Alemães - comandada primeiro pelo Capitão LUDWIG KERSTING e depois por seu irmão Capitão, e depois Major FERDINAND AUGUST MAXIMILIAN KERSTING - na Guerra dos Farrapos. Nesses documentos, são encontradas diversas citações de PEDRO LICHT, ou Soldado LICHT ou Cabo de Esquadra PEDRO LICHT. Por isso, alguns autores como Moehlecke (1986) e Flores (1995) já o consideravam como o genearca do ramo LICHT de Porto Alegre.

A confusão é tamanha, que por muito tempo considerei que o genearca do ramo LICHT de Santa Maria e de Porto Alegre pudesse ter sido a mesma pessoa, com duas famílias simultâneas, uma em cada cidade já que ambos, ao casar, foram identificados nos respectivos registros de matrimônio apenas como PEDRO LICHT, filho de CARLOS e ANNA LICHT.  Era um ingrediente favorável a essa hipótese, o fato dos primeiros filhos varões de cada casamento, terem recebido o mesmo nome - JOÃO HENRIQUE, embora nascidos em datas e locais totalmente diversos e de duas mães perfeitamente identificadas. O nome do primogênito do casamento do PEDRO LICHT de Santa Maria parece ser uma homenagem ao avô materno JOHANN HEINRICH DRÜCK. Já o primeiro filho do PEDRO LICHT de Porto Alegre era neto de JOST WERLANG, o que não justificaria a homenagem.  No entanto, como sabemos hoje que os dois PEDRO LICHT eram irmãos, é necessário levar em consideração que esse nome (JOÃO HENRIQUE ou JOHANN HEINRICH) pode ter sido uma homenagem a um dos bisavôs (o pai de CARL PHILLIP ou de ANNA MARIA) fato muito comum nas famílias de então. Mas isso é apenas uma suposição, pois não temos registro do nome de nenhum dos avôs, apenas das avós, SUSANNA MARIA HAAG LICHT e MARIA CATHARINA SCHUMANN BOTTLER, respectivamente.

O aprofundamento da pesquisa e a localização de importantes fontes documentais, possibilitou identificar os dois personagens, bem como caracterizar seus percursos de vida na Província de São Pedro do Rio Grande do Sul. Não só a diferença de 15 anos entre os casamentos, o de de JOHANN PETER NICOLAU LICHT ocorrido em 1838 com MARIA MARGARIDA BECKER WERLANG em Porto Alegre e o de de JOHANN PETER CONRAD LICHT em 1852 com MARIA ISABEL KNEWITZ DRÜCK em Santa Maria da Boca do Monte, mas principalmente o registro de sepultamento e respectivo inventário de JOHANN PETER NICOLAU em Porto Alegre e o inventário de JOHANN PETER CONRAD em Santa Maria são alguns desses fatos singulares.

 

Assim, é ponto pacífico que JOHANN PETER CONRAD e JOHANN PETER NICOLAU, eram filhos de CARL PHILLIP LICHT e ANNA MARIA BOTTLER, chegados no Brasil praticamente ao mesmo tempo mas que foram separados por força de situações e momentos históricos específicos. Hoje, seus descendentes encontram-se dispersos por diversas cidades do Rio Grande do Sul e outros estados brasileiros.

Nessa pesquisa de fontes documentais vimos que ambos sobrenomes LICHT e BOTTLER são herdados apenas das mães, visto não terem sido localizados nem os nomes dos pais, nem os documentos de registro de casamento.
 

 CAPÍTULO 6

JOHANN PETER NICOLAU LICHT - O GENEARCA DO RAMO DE PORTO ALEGRE

 genearca dos Licht de Porto Alegre, JOHANN PETER NICOLAU LICHT, nasceu em 5 de Janeiro de 1812 em Dusemond, filho do casal CARL PHILLIP LICHT e ANNA MARIA BOTTLER .

O registro de nascimento de JOHANN PETER NICOLAU BOTTLER LICHT, é grafado em francês, já que nessa época a região do Sarre, fazia parte do Império de Napoleão Bonaparte e contém o seguinte:

 

Nº 3                                             ACTE DE NAISSANCE

L'an mil huitcent douze le six du mois de Janvier à neuf heure du matin par-devant nous Maire faisant les fonctions d'officier de l'état civil de la Mairie de Mulheim, Canton de Berncastel, Department de la Sarre, est comparu Charles Licht âgé de vingt huit ans, profession de Cultivateur, domicilié à Dusemond qui nous a présenté un enfant du sexe masculin né a Dusemond le Cinquieme jour du mois de Janvier à six heure du matin de lui déclarant profession de Cultivateur domicilié à Dousemond et de Anna Maria Bottler son épouse, et auquel enfant il a declare voulouir donner les prénoms de Jean Pierre les dites déclaration et presentation faites em présence de Jean Jaques Binz âgé de trinte trois ans de profession de Secretaire domicilié à Mulheim premier témoin, et de Philippe (ilegível) âgé de trinte huit ans profession de Cultivateur domicilié a Mulheim second témoin, et on le requerant et les témoins ont signé avec nous  le présent acte de naissance , après qu’il leur en a été fait lecture.

Fait a Mulheim , les jour, moins et an que dessus.

Le Maire de Mulheim.

Licht (assinatura)         Binz (assinatura)          (ilegível) (assinatura)     (ilegível) (assinatura).

 

Registro civil de nascimento

Cópia recebida de Otto Bremm

Transcrição por Maria Luiza Bonnet Licht de Moraes

Em diversos documentos ele é citado, referido e inclusive assinando apenas como PEDRO LICHT. O único documento em que consta um segundo prenome, PETER NICOLAU LICHT, e que o diferencia de maneira definitiva do irmão JOHANN PETER CONRAD LICHT, é a certidão de batismo do menino PETER MARGUERITA LÜBCKE, filho de JOCHEM CHRISTOPHER WILHELM LÜBCKE e ELISABETH SOPHIA DOROTHEA SETTGAS, e do qual JOHANN PETER NICOLAU LICHT e sua esposa MARIA MARGARETHA BECKER WERLANG, foram padrinhos em 9 de junho de 1860.

 

1860                                            Vol. V. fol 3, N 55

Junho 9                                      Peter Marguerita Lübke (Gêmeo)

 

No ano de Cristo de 1860, a 9 de junho, Jochem Christopher Wilhelm Lübcke, de Neunkirchen, em Meckleburg-Schwerin, e sua esposa Elisabeth Sophia Dorothea Lübcke, nascida Settgas, de Gross-Warnsdorf, em Mecklenburg-Schwerin, solicitaram o batismo de seu filho Peter Marguerita, nascido entre 1 e 2 horas da noite, do dia 8 de maio de 1860, perto de Porto Alegre. Os padrinhos foram:

 

Peter Nicolaus Licht,

Marguerita Licht, nasc. Werlang.

 

Registro de Batismos e Confirmações da Comunidade Evangélica de S. Leopoldo,

na Província de S. Pedro do Rio Grande do Sul, do Império do Brasil .

Volume V – Anos de 1860 a 1884 e 1885 a 1905.

Trad. Pastor Martim Dreher. UNISINOS :

São Leopoldo. 2000. CD-ROM

 

Jochem Christoph Lübcke era filho de Jochem Friedrich Anton Lübcke, chegado no Brasil em 18 de junho de 1829, Cabo do 27º Batalhão de Caçadores (Rosa, 2005) e provavelmente colega de armas de Pedro Nicolau Licht. Em 16 de julho de 1863, ele contrairia com Pedro Nicolau Licht, um empréstimo com cláusula de hipoteca de uma chácara na região da Azenha em Porto Alegre, evento que será detalhado adiante.

JOHANN PETER NICOLAU LICHT padrinho de batismo de Peter Margherita Lübcke é, sem sombra de dúvida, o JOÃO PEDRO LICHT citado sob o nº 28 na relação de jovens que embarcaram no porto de Bremen em 17 de setembro de 1828, para serem incorporados ao Exército de Sua Majestade D. Pedro I e que foi apresentada páginas atrás:

Essa certeza é baseada nos termos da declaração feita por ele na Chefatura de Polícia de Porto Alegre e que consta do códice C-138 - Fundos de Polícia do Arquivo Histórico do RS. O termo de Abertura do referido códice C-138 é o seguinte:

 

“Este Livro ha de servir para a apresentação e matricula dos Estrangeiros, vae por mim numerado, rubricado e assignado. Leal e Valoroza Cidade de Porto Alegre 27 de Abril de 1842. Manoel Paranhos da Silva Velozo, Chefe de Polícia interino desta Província”

 

Códice C-138

Matrícula de Estrangeiros de 29/4/1842 a 29/3/1843.

Fundos de Polícia

Arquivo Histórico do RS.

Transcrição por Otavio A. B. Licht

 

A declaração do estrangeiro PEDRO LICHT (JOHANN PETER NICOLAU LICHT) e que consta do verso da página 16, é a seguir transcrita:

 

Anno de 1842

Mez de Maio

Dia 9 =

Pedro Licht Natural da Prússia de idade 29 annos, cazádo, negociante, declarou residência na

Estatura regular

Côr m. branca

Cabellos castanhos

Olhos azuis

Naris regular

Boca regular

Barba cerrada

Rosto redondo

Pessoas da família

Mulher e hum filho menor

Rua Nova, casa sem número, e ter chegádo ao Império, digo chegado a 15 de Agosto de 1831, havido por terra de Santa Catharina e ter chegado ao Império a 4 de Dezembro de 1828, vindo do Porto de Bremen na galera Olbers = Não aprezentou documento e assignou

 

 

Pedro Licht (assinatura)

 

Códice C-138

Matrícula de Estrangeiros de 29/4/1842 a 29/3/1843.

Fundos de Polícia

Arquivo Histórico do RS.

Transcrição por Otavio A. B. Licht

 

A data de partida de Bremen e o nome da galera permitem atribuir a identidade de JOÃO PEDRO LICHT embarcado em Bremen ao JOHANN PETER NICOLAU LICHTmorador de Porto Alegre. Dessa forma, fica solucionada a identidade do genearca do ramo LICHT de Porto Alegre.

 

LICHT, Johann Peter - Prussia, católico, 29 annos

Saiu de Bremen, no dia 17/9/1828 na galera "Otto" [o nome do barco e a data de partida estão incorretos. Nota do Autor], com destino ao "Depósito Geral de Recrutas" no Rio de Janeiro, listado como Recruta nº 28.

Chegou ao Rio de Janeiro no dia 4 de dezembro de 1828 [a data de chegada está incorreta. N.A.].

Foi incorporado ao Exército Imperial, mas por pouco tempo, como Cabo-de-Esquadra.

 

Juvêncio Saldanha Lemos

 Informações recebidas em 24/01/2005

Sua chegada a Porto Alegre em 15 de Agosto de 1831, vindo de Santa Catarina por terra, como consta da declaração acima transcrita, é compreensível já que o deslocamento terrestre de tropas era fato absolutamente normal como bem apresentado por Lemos (1993).

No dia 17 de junho de 1828, o Ministro da Marinha oficiou ao Diretor do Arsenal que aprontasse, sem perda de tempo

 

"(...) tanto as Embarcações destinadas a Transportar para a Ilha de Santa Catarina, os cascos [remanescentes. N.A.] dos Batalhões 2, e 3 de Granadeiros Allemães, como os que devem transportar directamente ao Porto do Rio Grande do Sul, o Batalhão N. 28 e as praças de Estrangeiros que vão reforçar o Batalhão 27 e o Corpo de Lanceiros, existentes naquella Provincia em actual campanha."

Diário Fluminense, 17/6/1828,

Biblioteca Nacional, RJ,

apud  Lemos 1993

Em 20 de junho de 1828, o Jornal do Commercio, referindo-se à revolta dos mercenários alemães e irlandeses no Rio de janeiro, transcreveu o seguinte editorial do Censor Brasileiro:

 

Os lamentáveis acontecimentos dos dias 10, 11 2e 12 são de tal natureza, que de bom grado nos pouparia a entrar no seu detalhe, se licito nos fosse guardar sopbre elles, o silencio. (...) Os Soldados Irlandeses sahem para a Irlanda e nem hum só ficará dentro do Imperio. Os Soldados Allemães que se acharem criminosos vão ser immediatamente processados; e os do batalhão n. 28, que permanecerem fora da insubordinação, devem marchar quanto antes para o Sul. Nas actuaes circunstancias nenhuma outra medidas nos parecerião mais acertadas.

 

Jornal do Commercio

Vol III, nº 212. Sexta feira 20/06/1828. página 3.

 Rio de Janeiro

Transcrição Otavio Augusto Boni Licht 

Seidler (1941, apud Lemos, 1993) encontrou em princípios de 1829, nas proximidades de Laguna, Província de Santa Catarina, um grupo de seis a oito soldados alemães excluídos, que pretendia fazer a pé a longa viagem até Porto Alegre ou Rio Grande, alguns mesmo até Buenos Aires "...Eram as primeiras tropas estrangeiras que haviam sido dispensadas depois da capitulação imposta pelo governo na sublevação ocorrida no Rio de Janeiro entre batalhões estrangeiros...". Outros grupos de soldados devem ter feito esse mesmo trajeto a pé desde o Rio de Janeiro até Porto Alegre e São Leopoldo e entre eles poderia estar JOÃO PEDRO NICOLAU LICHT, já que ele declarou na Chefatura de Polícia de Porto Alegre que tinha chegado em Porto Alegre em 15 de agosto de 1831, vindo por terra de Santa Catarina. Para que a questão ficasse definitivamente esclarecida, faltaria apenas identificá-lo na relação nominal dos integrantes do 28º Batalhão, porém essa é uma tarefa quase impossível, visto que era um soldado raso, e desses não eram feitos registros nominais, apenas mapas com os totais de cada unidade.

Cinco anos após sua chegada a Porto Alegre, entretanto, encontramos seu nome na relação de soldados da Companhia de Caçadores de Voluntários Alemaens, que foi comandada até 25 de Novembro de 1836 pelo Capitão LUDWIG KERSTING, data em que foi substituído por ofício do Presidente da Província, por seu irmão Capitão FERDINAND AUGUST MAXIMILIAN KERSTING.

 

Companhia de Caçadores de Voluntários Alemaens

Mappa mensal da Força da  sobredita Companhia para o Mez de Dezembro de 1836

Numero

Graduações

Nome

Observações

1

Capitão

Luiz Kersting

Tem demição do Serviço, concedida por Despacho do dia 25 de Novembro de 1836

2

Dito Graduado

Fernando Kersting

Passou a tomar o Comando da Compª por Officio do Exmo Sr Prezidente de 26 de Novembro de 1836

3

Tenente

Julio Henrique Knorr

 

(...)

21

Soldado

Licht

 

 

Documento 832

Autoridades Militares, maço 124

Arquivo Histórico do RS

Transcrição por Otavio A. B. Licht

 

Nas fileiras legalistas da Companhia de Caçadores de Voluntários Alemães e sob o comando do Capitão e depois Major FERDINAND AUGUST MAXIMILIAN KERSTINGJOHANN PETER NICOLAU LICHT lutou durante a Guerra dos Farrapos na defesa de Porto Alegre, de 15 de abril de 1836 até o final de setembro de 1838. Desse modo, deve ter participado do combate conhecido como “Ataque dos Tamancos” ocorrido em 29 de setembro de 1837, quando os legalistas que se encontravam sitiados em Porto Alegre, tentaram um ataque aos farroupilhas. Desse acontecimento há duas versões.

 

A primeira de autor desconhecido e existente no Arquivo Histórico recebida do Arquivo Publico (...) diz assim:

(...)

A coluna do centro era comandada pelo Brigadeiro Cunha composta do Batalhão Provisório de 250 homens, Comandante Ten. Cel. Salustiano dos Reis, 120 homens tropa de linha de infantaria, 70 homens de infantaria da Cia. dos Alemães, comandada pelo Major Kersting [grifo nosso], 30 homens de cavalaria, Comandante Capitão Mariano e o Cap. Manoel Luiz Osório com 15 lanceiros, e o povaréu em velhos, moços e crianças de 700 a 800, o forte dos farrapos entrincheirado; hoje, chácara da família Ferreira Porto.

 

(...)

 

A outra versão (...) assim:

(...)

Carregando então o 8º de Caçadores, comandado pelo denodado tenente-coronel Visconde de Camamú, a companhia de alemães tendo a frente o seu valente capitão [grifo nosso], e 3 companhias do provisório mandadas pelo major, conseguimos a completa fuga dos rebeldes, pagando caro a temeridade que haviam cometido.

 

Moehlecke, G.O.

Os imigrantes alemães e a revolução farroupilha.

 ed. autor : S.Leopoldo. 1986.

 

Dentre esses solteiros que se estabeleceram em São Leopoldo, em 1829, estavam líderes de projeção que a seguir passam a se envolver em atividades subversivas para o Governo Imperial, como a Sedição de 1830 com as idéias republicanas do engenheiro Kerst, e os que cinco anos mais tarde emprestaram seu vigor ideológico à Guerra dos Farrapos, levando consigo um número significativo de colonos. Entre essas lideranças citamos: SALISCH, HEISE, KRÜGER, os KLINGELHOEFFER, os SARANIN e os LAFAYETTE. Para combatê-los, o Governo se valeu da ação de HILDEBRAND, KERSTING, KNORR, MOMBACH, SCHNEIDER, LICHT e outros (Becker, 1971, 1978; Lemos, 415; Porto 1934, 98-102; Wiederspahn, 95-96 e 304-306).

 

Hilda Agnes Hübner Flores

Alemães na Guerra dos Farrapos. p. 22

 

 

Pedro Licht e Daniel Schneider, este cunhado de Kersting, ambos ex-cabos da Cisplatina [isso não é correto, pois Johann Peter Nicolau Licht não participou da Campanha da Cisplatina e sim seu irmão Johann Peter Conrad Licht. N.A.], desde janeiro de 1836 agenciavam colonos e os treinavam em suas casas, que acabaram saqueadas e incendiadas (ou agenciavam porque tiveram suas casas incendiadas ??). Audaciosos, recrutavam inclusive em território sob dominação farroupilha. Ambos integravam a Cia. de Caçadores Voluntários Alemães. Licht em plena guerra, a 21 de junho de 1839, casou com Margarida Werlang. Após a Revolução, abriu casa comercial e hospedaria em Porto Alegre. Schneider foi Cabo de Esquadra entre abril e setembro de 1836, tempo que, como Licht e outros alemães da Força Legal, ficou com o soldo a descoberto.

 

Hilda Agnes Hübner Flores

Alemães na Guerra dos Farrapos. p. 22

 

Logo no início dos combates entre os revolucionárias Farrapos e as tropas do Exército Imperial, o SOLDADO LICHT já estava incorporado à Companhia de Caçadores Voluntarios Alemaens, comandada pelo Capitão LUDWIG KERSTING.  Esse SOLDADO LICHT, certamente não é o JOÃO PEDRO CONRADO LICHT, genearca do ramo Licht de Santa Maria, já que dez anos antes ele ocupava o posto de Cabo do Batalhão de Fuzileiros no Exército Imperial brasileiro e esse SOLDADO LICHT, era apenas um soldado raso, mesmo que numa unidade não regular como a Companhia de Caçadores Voluntários Allemaens. Dessa maneira, o SOLDADO LICHT, citado nesse documento é, sem dúvida,  JOHANN PETER NICOLAU LICHT,o genearca do ramo LICHT de Porto Alegre.

 

Companhia de Caçadores de Voluntários Alemães.

Mappa mensal da Força da sobredita Compa. pa. o mez de Dezembro de 1836

Numero       Graduação           Nome     Observação

  (...)

   21              Soldado               Licht        (vazia)

  (...)

Capitão Fernando Kersting (assinatura).

 

Documento 832. Autoridades Militares, maço 125.

Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul

Transcrição por Otavio A. B. Licht

 

Muitos requerimentos foram feitos ao governo legal sediado em Porto Alegre, pedindo soldos que haviam sido prometidos e não pagos no devido tempo (Moehlecke, 1986). Com JOHANN PETER NICOLAU LICHT, não foi diferente, pois em dezembro de 1836, ele e o colega DANIEL SCHNEIDER, apresentaram um requerimento ao Comandante Ferdinand Kersting, que deu origem ao processo, ou melhor, seqüência de documentos e informes que estão abaixo transcritos:

 

Diz Pedro Licht Cabo da Esquadra da Compa. de Voluntários Alemães qe. elle Supe. servio nas Fileiras da Legalid. debaixo do Commando do Dr. Hillebrand des o Mez de Janeiro até 11 de Septembro dia em qe. sentou praça na da. Compa. como o Supe. não tenha recebido seus soldos como os mais receberão, razão p.q. roga a V.Exa. pa. qe. depois das informações necessárias mande pagar ao Supte. como he havido

Pedro Licht (assinatura)

Documento 777A. Autoridades Militares, maço 125.

Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul

Transcrição por Otavio A. B. Licht

 

 

"Em virtude dos despachos de Va. Exa. nos requerimentos juntos de Felipe Müller e Pedro Licht ambos soldados da Companhia do meu Commando, posso informar: que hé verdade o qe. os Supptes. allegão e que ambos elles são Soldados d' muito boa e regular Conducta tanto civil como militar.

 

Deus guarde a Va. Excia. - Quartel de Porto Alegre aos 20 de Dezembro de 1836.

 

Ilmo. Exmo. Sr. Dr. José de Araújo Ribeiro

Presidente desta Província.

 

O Commdte. da Compa. de Volunt. Alem.

Fernando Kersting (assinatura)."

 

Documento  829. Autoridades Militares, ano 1836, maço 122.

Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul

Transcrição por Otavio A. B. Licht

 

 

"O abaixo assinado conhecendo a necessidade que havia de que promovesse na Colônia de São Leopoldo reuniões de forças a favor da Legalidade para obstar os progressos da anarquia e rebelião, tomou a si esse trabalho, pondo-se a testa das mesmas de quem merecia a confiança. Principiando no mês de Janeiro do ano próximo findo de fazer o primeiro ajuntamento composto de Colonos Alemães, moradores do lado ocidental do rio dos Sinos que pegaram em armas para debelar os inimigos do Governo, desprezando seus interesses, bens e tranquilidade, sendo derrotados e saqueadas suas casas pelo partido dos rebeldes, nem tudo isso os poude desviar de seus deveres, antes conservaram-se fiéis ao Governo, lutando mais de onze meses a que tudo não pode ser desconhecido de V. Exa. Entre os colonos que mais se distinguiram pela sua adesão a Causa da Legalidade, se achavam os suplicantes Daniel Schneider e Pedro Licht (outro requerimento anexo) que durante o tempo da invasão do inimigo se conservaram em Armas. O serviço efetivo principiou no dia 15 de abril até o fim do mês de Setembro do ano passado, tempo em que sentaram praça na Companhia de Voluntários Alemães nesta Capital. Portanto estão nas mesmas circunstâncias dos vinte e quatro colonos que receberam igualmente cinco mêses de soldo pelo antecessor de V. Exa. É quanto tenho a honra de informar a V.Exa. 7 de julho de 1837.

 

Dr. João Daniel Hillebrand (assinatura)

Cel. Ex- Comandante da Força Alemã de São Leopoldo

 

Autoridades Militares. Documento 777, maço 125.

Correspondência de Fernando Kersting.

Arquivo Histórico do RS.

Transcrição por Otavio A. B. Licht

 

"Ilmo Sr. Contador

Visto os suppes. Daniel Senneider (sic) e Pedro Licht declararem que são praças da Compa. de Voluntários Alemaens, he de supôr que tenhão sido incluidos nos Pret. respectivos e pagos desses atrasados que reclamão convem portanto que o Cappm. Comdt. da sobreda. Compa. atteste o que souber a respeito e constar dos seus apontamentos. Contador da Tezra. 19 de julho de 1837.

 

O Escrivão.

Candido Peixoto de Miranda (assinatura)

 

Autoridades Militares Documento 777/3, maço 125.

Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul

Transcrição por Otavio A. B. Licht

 

Ilmo Sr. Contador.

Requerendo-me os supptes. Daniel Schneider e Pedro Licht ambos praças da Compa. do meu Commando, que pa. Justiça dos mmos. informe a V.Sa. o que souber dos seus soldos atrazados e vencidos desde 15 d'Abril até o fim do mez de setembro do anno passado, cumpre-me attestar que ambos os Supptes. não tem sido incluidos nos Prets. desta Compa. visto que o soldo foi vencido antes da organização da mesma. No mmo. tempo attesto que hé verdade o que os Supptes. alegão nos seus requerimtos. de ter servido na Força dos Alemães de S. Leopoldo, commandados pelo Dr. Hillebrand a quem eu, naquelle tempo servi de Ajudante de Campo. Consta-me mais que varios outros sujeitos tem recebido os mmos. soldos atrazados p. essa Thezouraria, vencidos nas mmas. circunstancias, a razão de 100 Reis de Soldo e 200 reis de Etapa diariamte. Quartel da Compa. de Caçadores de Voluntários Alemaens em Porto Alegre a 20 de Julho de 1837.

Fernando Kersting (assinatura)

Cap. Commandante.

 

Autoridades Militares Documento 777/2, maço 125.

Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul

Transcrição por Otavio A. B. Licht

 

Como não há o despacho final do processo, permanece a dúvida se o Soldado JOHANN PETER NICOLAU LICHT recebeu os soldos atrasados do governo da Província de São Pedro do Rio Grande do Sul.

Ao ser levantado pelos farroupilhas o segundo sítio de Porto Alegre, um relatório do Presidente da Província nos dá um bom panorama da situação de São Leopoldo naquele mês de fevereiro de 1838” (Moehlecke, 1986).

 

Itinerário da Marcha da Divisão da Direita, começada no dia 31 de Janeiro às 5 horas da tarde, a que se refere o ofício desta data.

(...)

Fevereiro 4 – Às 7 horas da manhã pôs-se a Coluna em marcha com um Esquadrão avançado e logo a Companhia dos Alemães [grifo nosso], a artilharia, os batalhões 8º e 2º (...).

 

Moehlecke, G.O.

Os imigrantes alemães e a revolução farroupilha.

 ed. autor : S.Leopoldo. 1986.

 

Já poucos meses depois, em 21 de junho de 1838, em plena Revolução Farroupilha  e ocupando o posto de 2º Sargento, JOHANN PETER NICOLAU LICHT casou na Matriz da Nossa Senhora da Madre de Deus, em Porto Alegre, com MARIA MARGARIDA BECKER WERLANG (nascida aproximadamente em 1816 em Wiebelsheim bei Oberwesel am Rhein), filha de JOST WERLANG (nascido aproximadamente em 1774 em Wiebelsheim bei Oberwesel am Rhein) e de CHRISTINA BECKER (nascida aproximadamente em 1781 em Wiebelsheim bei Oberwesel am Rhein).

 

"Aos vinte e um dias do mês de junho de hum mil oitocentos e trinta e oito, na Igreja de Nossa Senhora da Madre de Deus desta cidade de Porto Alegre as onze horas da manhã, depois de feitas as diligencias de estillo e não havendo impedimento algum na forma do Sagrado Concílio Tridentino e Constituição do Bispado, perante mim, se receberão em matrimônio com palavras de presente em que expressaram seus mútuos consentimentos o 2º Sargento Pedro Licht, natural d'Alemanha, filho legítimo de Carlos Licht e de Anna Maria Licht, protestantes, com Margarida Werlangin (sic), catolica romana, natural da Prússia, filha legítima de José Werlang e de Christina Werlangin (sic). Receberão as bençãos sendo testemunhas os abaixo assignados perante os quais declarou o contrahente que não impediria de sorte algua que os filhos havidos desse matrimonio fossem educados na religião Católica Romana e por isso assignou esse termo que fiz para constar.

Testemunhas (assinados) Pedro Licht, Phillipe Wernz, Miguel Behrentz

Padre Thomé Luiz de Souza"

 

Livro de Casamentos 4, página 265

Matriz da N.S. Madre de Deus

Cúria Metropolitana de Porto Alegre

Transcrição por Otavio A. B. Licht

 

A questão religiosa fica bem exposta nas últimas linhas do registro de casamento, onde expressa a religião dos noivos, foi exigida do noivo a declaração de que os filhos seriam batisados e educados como católicos, o que realmente aconteceu.

Algum tempo após o casamento, JOHANN PETER NICOLAU E MARIA MARGARIDA, estabeleceram sua casa de moradia, à Rua Nova (nas proximidades do atual cruzamento da Avenida Salgado Filho - Rua Coronel Andrade Neves com a Avenida Borges de Medeiros). Esse local de moradia fica bem caracterizado na declaração compulsória que JOHANN PETER NICOLAU LICHT prestou como estrangeiro à Chefatura de Polícia de Porto Alegre. Nesse depoimento, que aconteceu em 9 de maio de 1842, ele declara moradia na Rua Nova, casa sem número, com mulher e um filho menor. Na realidade, tratava-se de uma filha menor, Maria Luiza, já que o primeiro filho, João Henrique nascido em 11 de março de 1841, faleceu com poucos dias de vida.

Nessa residência, a família Licht aumentou com o nascimento dos filhos Maria Luiza (* 06/08/1839), João Henrique (* 24/03/1841), João Felippe (* 9/7/1842), Margarida (* 10/4/1844), Pedro (* 29/6/1846), Jorge Pedro (* 7/?/1848) e Guilherme (* 26/8/1850), todos batisados na Matriz de Nossa Senhora Madre de Deus, paróquia com jurisdição sobre essa região de Porto Alegre.  

A casa de comércio de secos e molhados mantida junto ao local de moradia garantia a sobrevivência da família. Os produtos coloniais talvez fossem itens importantes do estoque, já que entre 11 de janeiro de 1841 a 5 de abril de 1842, PEDRO LICHT (JOHANN PETER NICOLAU LICHT) comerciante, utilizou o serviço de transporte por lanchões fluviais, entre Porto Alegre e São Leopoldo, provavelmente para aquisição de produtos para seu armazém. Sua viagem está registrada nos assentamentos do Dr. JOÃO DANIEL HILLEBRAND.

 

Janeiro 1841

Dia 11 de Janeiro

 (...)

Seguem para Porto Alegre p. terra os Snrs Pedro Licht, Augusto Behrends e Joze Raupp et.

Portarias, despachos e licenças

De 1º a 31 de Dezembro de 1841

Dr. João Daniel Hillebrand.

FR12, caderno 1

Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul

 

Dia 4 de Junho de 1841

(...)

Seguem para Porto Alegre com seus Lanchãos. Jacob Blauth com os remadores Christian Langler, Felippe Berlitz, Pedro Capel, Jorge Petrie e Jacob Diehl. Passageiros = Pedro Licht, Jost Werlang e Catharina Dulgus[?? N.A.]

 

Portarias, despachos e licenças

De 1º de Fevereiro a 30 de Junho de 1841

Dr. João Daniel Hillebrand.

FR12, caderno2

Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul

 

Dia 5 de Abril [de 1842 N.A.]

(...)

Segue para Porto com seu Lanchão Pedro Kappel. 4 Remadores, e os Passageiros Pedro Licht, Carlos Ely e suas mulheres.

 

Portarias, despachos e licenças

De 1º de Janeiro a 30 de Abril de 1842

Dr. João Daniel Hillebrand.

FR12, caderno 4

Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul

Com as dificuldades naturais para a sobrevivência em um ambiente estranho, os imigrantes alemães estabelecidos em Porto Alegre, sentiram a necessidade de constituir um fundo capaz de auxiliar membros da colônia em dificuldades financeiras. Assim, em 21 de março de 1858, foi realizada a reunião de fundação da Deutscher Hilfsverein (Sociedade Beneficiente Alemã ou Sociedade Alemã de Assistência) que tinha o objetivo “de auxiliar, segundo as possibilidades, todos os alemães necessitados ou pessoas de origem alemã”. No primeiro ano de existência, a Sociedade limitou-se a auxiliar financeiramente os que estivessem passando dificuldades assim como provendo assistência médica e medicamentos e hospitalização aos enfermos necessitados ou as despesas de sepultamento. Tempos depois passou a conceder auxílio a estudantes pobres (Roche, 1962). No livro que registrou os associados da Deutscher Hilfsverein e que era usado para o controle de pagamento das mensalidades, encontra-se sob o nº 33, o nome de Pedro Licht (JOHANN PETER NICOLAU LICHT), evangélico, proprietário de armazém de secos e molhados (Teles, 1974).  Posteriormente a Deutscher Hilfsverein, tornou-se a Associação Beneficiente e Educacional de 1858, sociedade mantenedora do Colégio Farroupilha de Porto Alegre.

A partir de 1851, a família Licht passou a residir nas proximidades da doca de Porto Alegre (atual Praça Parobé, ao lado do Mercado Público). Um dos motivos dessa mudança pode ter sido a facilidade no abastecimento do armazém com produtos coloniais que chegavam a Porto Alegre por via fluvial desde região de São Leopoldo e arredores e também das mercadorias importadas vindas do porto de Rio Grande.

Nessa moradia, a família Licht aumentou com a chegada dos filhos Felippe (*14/8/1852), Adelaida Carolina (*27/08/1854), Maria Amália (*8/11/1859) e Francisco Augusto (*18/7/1861), todos batizados na Igreja de Nossa Senhora do Rosário, localizada a poucos quarteirões, paróquia com jurisdição sobre a região da parte baixa do centro de Porto Alegre, próximo à doca.

Foram encontradas diversas referências e fontes documentais sobre essa moradia da família Licht na região central da cidade. Entre essas, destaca-se o depoimento de ANTONIO LEHMANN, uma das testemunhas dos autos do inquérito dos famosos crimes da Rua do Arvoredo que abalaram a cidade de Porto Alegre no período 1863-1864.

 

[71r.]

Termo de Assentada

Aos seis dias do mês de maio de ano do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil oitocentos e sessenta e quatro nesta Leal e Valorosa Cidade de Porto Alegre (...)

(...)

8a. Testemunha

Antonio Lehmann, branco, casado, natural da Saxônia (...)

(...) disse mais, que em sete de setembro do ano passado encontrando o réu José Ramos perto da casa de Pedro Licht, na doca, perguntou-lhe por Claussner (...)

 

Os crimes da Rua do Arvoredo. Sec. Est. Cultura RS.

 Edições EST. Porto Alegre. 1993. p 60.

 

Os crimes da Rua do Arvoredo (atual Rua Fernando Machado) ficaram famosos e povoaram o imaginário popular de Porto Alegre por muitas décadas. Contava a  lenda urbana que o açougueiro JOSÉ RAMOS, teria cometido diversos assassinatos e que teria feito e vendido lingüiça com os pedaços dos corpos de suas vítimas. Porém, o inquérito e o julgamento foram incapazes de comprovar esses fatos.

Outra fonte documental que situa a moradia da família Licht na região do centro baixo de Porto Alegre, é o testamento e inventário de MARIA MARGARIDA HENSEL, lavadeira que trabalhava nas praias de Porto Alegre. Além disso, o inventário evidencia que as famílias tinham relações íntimas de amizade, a ponto de ele Pedro, ter sido indicado como testamenteiro e inventariante dela, já que MARIA MARGARIDA HENSEL descredenciou o próprio filho MATHIAS SANTO DO VALLE deixando registrada a falta de confiança que lhe tinha. Nesse inventário PEDRO LICHT fez questão de deixar registrado que, a pedido de sua família, tinha educado e zelado pelos netos da falecida como se fossem filhos dele. Outros registros esclarecem essa história. O nome da viúva testada era MARIA MARGARETHA SELZHEIM e havia chegado à Colônia de São Leopoldo em 4 de fevereiro de 1827 junto com JOHANN SELZHEIM seu filho do segundo casamento, tendo sido registrados com números 265 e 266 no Códice C-333, (Registros da chegada dos imigrantes pelo Dr. Daniel José Hillebrand, Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul). Ocorre que em 1842, em Porto Alegre, JOHANN SELZHEIM havia casado com CHRISTINA BECKER WERLANG, irmã de MARIA MARGARIDA BECKER WERLANG e desse modo, cunhada de JOHANN PETER NICOLAU LICHTJOHANN SELZHEIM mantinha movimentado intercâmbio comercial com a Europa, levando mercadorias por via marítima de Porto Alegre para lá e vice versa. Chegando, certo dia uma carta da Alemanha, endereçada a ele, que estava em viagem, a esposa CRISTINA BECKER WERLANG por curiosidade abriu a carta, e descobriu que a missivista se dirigia ao destinatário como se fosse sua esposa. Ao retornar Johann da Europa, a esposa mostrou-lhe a carta questionando-o se de fato mantinha outra família na Alemanha. Com a confirmação do conteúdo da carta e da complicada situação matrimonial, CRISTINA BECKER WERLANG separou-se do marido e após a partilha dos bens e propriedades, recolheu-se ao Convento das Irmãs do Sagrado Coração de Jesus (Träsel, 1969). Por esse motivo, a avó MARIA MARGARIDA HENSEL SELZHEIM, era a responsável pela guarda dos filhos de CHRISTINA BECKER WERLANG com JOHANN SELZHEIM.

 

Testamento e inventário de Maria Margarida Hensel

 

Diz Pedro Licht, na qualidade de testamenteiro da finada Maria Margarida Hensel e tutor testamentário dos menores nettos da mesma falecida declarados em seu testamento junto por certidão que não tendo a mma falecida deixado bens alguns mais do que os constantes da relação junta, por ser reconhecidamente pobre pois vivia de lavar roupa nas praias desta cidade como é publico, não está por conseguinte na responsabilidade de fazer inventário pois que mantendo a falecida intimas relações de amizade com a família do Supte , d’aqui nascerão os desejos de fazer o seu testamento com o fim somente de nomear o Supte – como nomeou – tutor de seus nettos para não recahir este encargo na pessoa de seu filho Mathias e tio dos menores, que lhe não merecia confiança por causas que em sua vida lhe manifestara e aos rogos de sua família, o Supte a isso se prestou tomando conta dos ditos menores, educando-os e zelando-os como seus filhos próprios. Em vista do exposto que comprovarão com juramento se precizo for, espera o Supte que seja na conformidade da lei o excuse de fazer o Inventario pois que esses poucos e insignificantes moveis achão-se em poder dos mmos orphãos e de sua May que fazem o com (fls 2v) competente uso e tendo aceitado este encargo por amizade e caridade aos mesmos orphãos não pode e nem deve fazer despezas que em nada lhes aproveita.

 

Pedro Licht (assinatura)

 

Deferido em

17 de 10bro 1860

 

Falecida: Maria Margarida Hensel

Nascida na Prússia na Alemanha

 

Filha de Balthasar Stadler e Bárbara Stadler ambos falecidos.

 

1as núpcias Miguel Santa do Nalle (pode ser Santo do Valle. N.T.)

2as núpcias Francisco Salzlim

 

Filhos do 1º casamento Mathias Santa do Nalle (pode ser Santo do Valle)

      2º casamento todos falecidos ficando de um destes, João Salzlim, a viúva Christina Salzlim com seus filhos que são Maria, João Christiano, Guilherme e Margarida Elisabete.

 

A viúva nomeou como 1º testamenteiro Pedro Licht

    2º testamenteiro Pedro Bart

    3º testamenteiro Jacob Bart

 

fls 9

Relação dos móveis e únicos bens que ficarão por falecimento de Maria Margarida Hensel.

1 Mesa

1 Marquesa

4 Cadeiras de pau

2 panellas de ferro e outras miudezas de serventia

1 caixa com roupas de uso o que tudo foi entregue a May dos mesmos.

 

Porto Alegre 22 de Fevereiro de 1859

 

Pedro Licht (assinatura)

 

Fls 10

Cemiterio da Misericórdia

Conducção do cadáver de Anna Maria Hensel no 5º carro da Igreja ao seu jazigo

10$000

Custo da sepultura

4$000

 

14$000

 

5 de Junho de 1853

 

Fls 11

Recibo de Tratamento médico da falecida

 

Sessenta e quatro mil reis

 

Porto Alegre 22 de Fevereiro de 1859

Dr. (ilegível)    (assinatura)

 

1º Cartório de Orphãos de Porto Alegre

Ano 1860, Feito 1856, maço 87, estante 2

Arquivo Público do Rio Grande do Sul

Transcrição por Otavio A. B. Licht

 

Na folha 12verso desse inventário, consta uma assinatura de Peter Licht muito semelhante a outras assinaturas de documentos variados, o que serve de comprovação da identidade de JOHANN PETER NICOLAU LICHT.

Então, em 1860, o casal JOHANN PETER NICOLAU LICHT e MARIA MARGARETHA WERLANG, à época com 10 filhos menores, assumiu o encargo adicional de cuidar dos quatro sobrinhos e da cunhada MARIA CHRISTINA WERLANG.

Em 3 de junho de 1862, Pedro Licht (JOHANN PETER NICOLAU LICHT) apresentou um requerimento ao Presidente da Província, solicitando autorização para compra de uma quantia de pólvora sem uso, para “arrancar pedra”. Infelizmente não consta do requerimento o uso seria dado a cerca de 300 kg de explosivos nem o local onde seria aplicado.

 

Requerimento 1862

Ilmo Exmo Sr Presidente da Província

Ao Senhor Brigadeiro Diretor do Arsenal de Guerra, para informar. Palácio do Governo em Porto Alegre 3 de junho de 1862

Como requer e expeça-se ordem. Palácio do Governo em Porto Alegre, 9 de junho de 1862.

Diz Pedro Licht que consta que existe no Arsenal de Guerra huma quantia de pólvora arruinada e o suppte. precizava a quantia de vinte arrobas.

Declara que he para arrancar pedra. Pede a V.Excia a compra da dita pólvora.

 

Pago cem réis                                           E.R.Mce.

P.Alegre 3 junho 1852                Pedro Licht  (assinatura)

 

1862 Requerimentos, Diversos.

Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul

Transcrição por Otavio A. B. Licht

 

O requerimento foi despachado ao Diretor do Arsenal de Guerra, que concordou com a solicitação e autorizou a doação.

Na documentação tributária da Câmara Municipal de Porto Alegre, consta que JOHANN PETER NICOLAU LICHT e sua família moravam na Rua de Bragança (atual rua Marechal Floriano) onde também estava o armazém de secos e molhados. Não consta desses registros, a numeração predial, mas a julgar pelos registros dos prédios vizinhos, a casa teria numeração baixa, provavelmente nº 16, e estaria localizada em frente à atual Praça Parobé, na quadra entre a Rua Voluntários da Pátria e Avenida Sete de Setembro, onde se localizava a doca de Porto Alegre até o início do século XX.

 

Lançamento nominal dos contribuintes da Camara Municipal no anno finnanceiro de 1865

Página 7

 

Número

Nome

§15 Imposto de 25$000

§29 Imposto de aferição

Total

Rua de Bragança

(Pela seqüência da numeração, deve ser o nº 16 - N.A.)

Pedro Licht

25$000

10$200

35$200

 

Livro 1.11.1.5.1.

Registro de Contribuintes do Fundo da Câmara Municipal de Porto Alegre.

Arquivo Histórico de Porto Alegre – Moyses Vellinho

Transcrição por Otavio A. B. Licht

 

Após 1865, a família Licht mudou-se da região central de Porto Alegre para o subúrbio da Azenha. Isso se explica pela escritura de empréstimo com cláusula hipotecária, contraída em 16 de Julho de 1863 por Guilherme Lübcke e sua esposa (nomes originais JOCHEM CHRISTOPHER WILHELM LÜBCKE, e sua esposa ELISABETH SOPHIA DOROTHEA SETTGAS), com o compadre JOHANN PETER NICOLAU LICHT, como abaixo transcrito:

Fls. 100

Escriptura de divida hypothecaria que fazem Guilherme Lübcke e sua mulher a Pedro Licht, como abaixo se declara:

Saibão quantos virem o presente público instrumento de Escriptura de divida e hypotheca que no Anno do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Christo de mil oitocentos e sessenta e trez aos dezesseis dias do mez de Julho nesta Leal e Valoroza Cidade de Porto Alegre, em meo Cartório comparecerão prezentes partes havidas e ajustadas como Devedores hypothecantes Guilherme Lübcke e sua mulher Elisabeth Lübcke e como Credor hypothecario Pedro Licht, reconhecidos de mim Tabelião pelos próprios de que dou fé; e por aquelles Devedores Hypothecantes me foi dito perante as testemunhas ao diante nominadas e assignadas que pela prezente Escriptura se constituem devedores ao referido Credor Pedro Licht da quantia de um conto e trezentos mil réis, que já havião recebido da mão do mesmo Credor em moeda commercial cuja quantia se obrigão a pagar-lhe da dacta desta Escriptura a dous annos vencendo desta mesma dacta   rembolço o premio de nove por cento ao anno e para garantiadeste pagamento hypothecão uma Chácara na estrada do Matto Groço (sic), subúrbios desta Cidade que houverão por compra feita ao Coronel João Pedro de Abreu a qual já se acha hypothecada a João Filber pela quantia de quatro contos de reis que lhe são devedores como consta da Escriptura lavrada a folhas seis verço (sic) do Livro setenta e seis de Nottas deste meo Cartório; e na referida Chácara terá o mesmo Credor toda a preferência para seu pagamento, e se obrigão a não vender, doar nem fazer qualquer outra forma dispor della em quanto (fls 100v) em quanto não for pago ao ditto Credor toda a importância de sua divida. Prezente o Credor por elle foi dito que aceitará ter a prezente Escriptura em todas as suas partes na forma expressada.E assim justas e contratadas pedirão a mim Tabelião lavrace (sic) esta Escriptura em minha Notta o que fiz por me ser aprezentado o bilhete de pagamento do sello proporcional com a notta de distribuição do teor seguinte. A [ilegível] em quinze de Julho de mil oitocentos e sessenta e trez = Brito = Gulherme Lübcke paga sello proporcional da quantia de um conto e trezentos mil reis de uma hypoteca que faz à Pedro Licht. Porto Alegre quinze de Julho de mil oitocentos sessenta e três = Leite (?) = Almeida = E sendo-lhes lida a mesma Escriptura a aceitarão e assignarão a saber a rogo da devedora Elisabeth Lübcke por ella não saber escrever assigna (em branco) sendo testemunhas prezentes João Luiz Teixeira Junior e Luiz Candido Teixeira, reconhecidos de mim Pedro Nolasco Pereira da Cunha Tabelião que escrevi. Pagou na forma do Regimento.

 

Seguem as assinaturas

 

2º  Notariado de Porto Alegre

Livro 77, fls 100 e 100v

Arquivo Publico do RS

Transcrição por Otavio A. B. Licht

 

Como anteriormente foi referido, em 9 de junho de 1860, Johann Peter Nicolau Licht e Maria Margarida Becker Werlang foram padrinhos de batismo de Peter Marguerita Lübke, filho de Jochem Lübke e Elisabeth Settgas.

Em 1865, com o vencimento do prazo da hipoteca feita por JOCHEM CHRISTOPHER WILHELM LÜBCKE, e sua esposa ELISABETH SOPHIA DOROTHEA LÜBCKE, e sem que o mesmo tivesse sido quitado, JOHANN PETER NICOLAU LICHT tomou posse da propriedade e fez o pagamento dos tributos municipais de um terreno localizado na região da Azenha, com localização idêntica à da Chácara dada como garantia do empréstimo.

 

Lançamento nominal dos contribuintes da Camara Municipal no anno finnanceiro de 1865

Pagina 16

Azenha

 

Pedro Licht

-

-

-

 

Livro 1.11.1.5.1.

Registro de Contribuintes do Fundo da Câmara Municipal de Porto Alegre.

Arquivo Histórico de Porto Alegre – Moyses Vellinho

Transcrição por Otavio A. B. Licht

 

Nos registros fiscais dos anos de 1867 e 1873, não constam mais anotações da propriedade da Rua de Bragança, pois a família Licht já morava na Estrada do Mato Grosso, onde além da casa de moradia, possuiam um armazém de secos e molhados e uma taverna. A localização desse imóvel no arruamento atual de Porto Alegre corresponde aproximadamente à esquina da rua Marcílio Dias com a avenida Dr. Oscar Pereira (antiga Estrada de Belém) e onde começa a avenida Bento Gonçalves (antigo Caminho ou Estrada do Mato Grosso), no atual bairro da Azenha.

 

Lançamento nominal dos contribuintes da Camara Municipal no anno finnanceiro de 1867 - 1868

Página 39

 

Número

Nome

§14 Imposto de 25$000 a 4$000

§15 Imposto de 25$000

§29 Imposto de aferição

Total

Matto Grosso

 

Pedro Leite

4$000

25$000

7$200

32$200

 

 
Lançamento nominal dos contribuintes da Camara Municipal no anno finnanceiro de 1873 – 1874

Pagina 87

Nome

Residências

§

Classes de negócio

Imposto

Data do conhecimento

Pagamentos

Dia

Mez

Anno

1045

Pedro Licht

Caminho do Matto Grosso

10 – 9

Taverna

25$000

29

10

1873

1:427

27$500

 

O mesmo

Caminho do Matto Grosso

12

Aferição

9$700

29

10

1873

1428

10$670

 

Livro 1.11.1.5.1. Registro de Contribuintes do Fundo da Câmara Municipal de Porto Alegre.

Arquivo Histórico de Porto Alegre – Moyses Vellinho

Transcrição por Otavio A. B. Licht

 

Em 1864, por meio de um ofício enviado ao Presidente da Província JOHANN PETER NICOLAU LICHT intercedeu em favor do sobrinho de sua esposa, GUILHERME WERLANG (WILHELM FRANZEN WERLANG), tentando evitar que o rapaz fosse incorporado à Guarda Nacional e enviado como soldado para o teatro da Guerra do Paraguai.

 

"Ilmo Exmo Sr Prezte. da Província

Entregue-se, mediante recibo. Palácio do Governo em Porto Alegre, 20 de outubro de 1864

Pedro Licht precisando remeter p/ Rio Pardo o requerimento de Pedro Werlang em que pede dispensa da Guarda Nacional p/ seu filho Guilherme Werlang, vem portanto respeitosamente pedir a V.Exa p/ mandar entregar-lhe pelo que E.R.Mce.

 

- Recebi o req. incluso e nesta petição. P.Alegre 22 de outubro 1864

 

PAlegre 15 outubro 1864

Pedro Licht (#)  "

 

Requerimento 107  1864  Diversos

Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul

Transcrição por Otavio A. B. Licht

 

Os esforços de JOHANN PETER NICOLAU LICHT não surtiram efeito e WILHELM FRANZEN WERLANG foi efetivamente incorporado à Guarda Nacional, participando da Guerra do Paraguai, onde faleceu na batalha da travessia do rio Trebibaí, próximo à cidade de Villeta, no dia 11 de dezembro de 1868. O relato no diário do Capitão PEDRO FRANZEN WERLANG descreve a cena quando encontrou o corpo do irmão.

 

“A seguir, nossas forças se retiraram, sempre abaixo de chuva, e acamparam próximo da cidadesinha de Villeta, distante cerca de ¼ de légua do campo de sangue. Lá verificamos nossas baixas e contamos nossso mortos, cujo número andava em tôrno de mil, entre os quais muitos oficiais de altas e baixas patentes; entre os mortos tive de contar, com lágrimas, o meu irmão Guilherme que teve a cabeça trespassada por uma bala.

 

Diário do Capitão Pedro Werlang (Guerra do Paraguay)

In: Álbum Jubilar de Santa Clara do Sul. Pe. Alberto Träsel. s.d.

 

O Capitão PEDRO FRANZEN WERLANG, sobrinho de MARIA MARGARIDA BECKER WERLANG, esposa de JOHANN PETER NICOLAU LICHT, enviou desde o “teatro de guerra” algumas correspondências ao parente e amigo, certamente para comunicar a morte do irmão GUILHERME FRANZEN WERLANG.

1869

Em 13 de Maio escrevi uma carta a meus pais e juntei 7 retratos, 1 para os meus pais, a minha mulher, a João Haas, a João Rabusky, a Pedro Licht, a João Wernz e um para Luiz Pezat.

(...)

A 25 de Novembro mandei uma carta para minha mulher e uma para Pedro Licht”

 

Prado, A.G do.

O Capitão Pedro Werlang e seu “Diário de Campanha”

escrito durante e após a guerra do Uruguay e a do Paraguay

Ed. Hilgert e Filhos. Canoas. 1969

 

A atividade que provia a sobrevivência da família Licht era o armazém de secos e molhados na esquina da Estrada do Mato Grosso com a Estrada de Belém que à noite se transformava em taverna, local de encontro de moradores da região. Pessoas de bons hábitos e maus bofes e vice versa. No inverno de 1873, na noite de 8 de julho, o soldado de polícia MANOEL JOSÉ VALENTIM entrou no estabelecimento comercial de JOHANN PETER NICOLAU LICHT, e já embriagado pediu que lhe servisse bebida e que pagaria depois. Iniciou-se então uma discussão entre o freguês e o proprietário, sobre o “pagamento fiado”. O soldado, alterado pela bebida, após discutir com o proprietário, fez menção de pular o balcão e agredi-lo fisicamente. Foi quando este apanhou uma arma sob o balcão e atirou, ferindo o agressor. Por isso, JOHANN PETER NICOLAU LICHT foi indiciado no Processo Crime Nº 1.235 mas, ao final das investigações, em 4 de novembro de 1873, o Juiz de Direito DIONÍSIO DE OLIVEIRA SILVÉRIO, considerou improcedente o processo sumário, inocentando o indiciado por considerar que o ato tinha sido praticado em legítima defesa. Um resumo dos autos do inquérito estão a seguir transcritos:

 

Cartório Júri - Sumários

Maço 43 - Porto Alegre

Processo Crime nº 1235

Autora: a Justiça

Réu: Pedro Licht - da Prússia, morador de Porto Alegre, negociante, 60 anos, casado, filho de Carlos Licht, sabe ler e escrever.

 

- Ofício ao Juiz Municipal, do Promotor Público da 1ª Vara Miguel Lino de Moraes Abreu.

Dia 08.07.1873 - "o soldado da polícia Manoel José Valentim, retirando-se para uma chácara em Belém, parando na venda do denunciado Pedro Licht, situada na estrada da Azenha, subúrbios desta cidade e pediu-lhe fiado um pouco de aguardente".

Houve discussão e o soldado embriagado quis pular o balcão para dar de relho no negociante, mas foi seguro por algumas pessoas e desistiu.

"Quando o denunciado, que se retirara para o fundo de sua casa, voltou armado de uma pistola carregada de chumbo de caça e sem mais provocação desfechou-lhe sobre a cabeça um tiro, que o teria matado se por felicidade dele ofendido não fosse quase toda a carga perdida a exceção de alguns bagos de chumbo que o atingiram em lugar em que não puderam produzir o mal que teve em vista o denunciado"

* Declaração da praça do Corpo Policial Manoel José Valentim - 09.07.1873 - Porto Alegre, na Secretaria de Polícia - na presença do Chefe de Polícia Dr. Luiz José de Sampaio. O depoente é camarada do Alferes Paiva, "que se acha preso no quartel do Corpo Policial, achando-se incumbido pelo mesmo de tomar conta de sua chácara próxima a Belém". Foi comprar cigarros na venda "e dizendo ele declarante que já havia pago, ainda assim, para evitar questões, puxou de outros 2 vinténs e atirou sobre o balcão".

Ao sair e montar a cavalo recebeu o tiro, arranhando-lhe a testa.

* declaração de Pedro Licht: 11.07.1872 - O soldado apareceu embriagado e pediu alguns gêneros fiados; negou-se e foi injuriado; foi chamado de "alemão de merda, filho da puta" e tentou agredi-lo com um relho; tentou chamar a polícia com um apito, mas como ela não apareceu pegou uma pistola e deu um tiro em um caixão de sal; com o barulho apareceu a polícia e levou o soldado a seu pedido. No dia do ocorrido estavam na venda os pretos Mathias, Afonso e alguns escravos de Manoel Batista.

* declaração de Afonso, escravo de D. Maria Clara (testemunhou como 1ª testemunha) - nascido nesta Província, ignora a idade (25 anos), mora na estrada do Mato Grosso em frente a casa de Chico Ferro, onde trabalha em casa de sua senhora no serviço de roça. Foi a venda comprar "um vintém de anis, que bebeu neste ato". O soldado pediu fiado 2 vinténs de anis e o negociante negou-se. O soldado pagou dizendo que nunca lhe comprara nada fiado, "ao que Pedro Licht apontando para sua própria cabeça sim ! esta cá assentado". Iniciaram a discutir, "ao que ele respondente vendo que poderia haver alguma desordem entre eles, retirou-se".

"Disse que na venda tinha muitos pretos que se estavam divertindo com tocar de violão, mas que não conhece a nenhum deles e não sabe se são forros ou cativos".

- Não conhece os "pretos ou crioulos" que tocavam.

* declaração de Matias, escravo de D. Maria Joaquina, viúva de Manoel Nunes (testemunhou como 4ª testemunha), mora na casa de sua senhora na Cavalhada, nascido nesta Província, ignora a idade (23 anos), solteiro, trabalha em olaria.

Foi a venda, mas vendo o soldado retirou-se; lá estavam diversos pretos, dos quais só conhece o preto Afonso; o soldado bêbado dançava fazendo barulho ao som do violão; como havia desordem retirou-se.

* Capitão Fernando Schneider (1ª testemunha) - 14.07.1873 - na presença do Delegado de Polícia 2º Suplente João Pereira Maciel. Da Prússia, 50 anos, casado, mora nesta cidade, empregado na Cia. De Bondes, mora na Azenha, Inspetor de Quarteirão.

No dia 9 de manhã, chegou a estação onde é chefe o furriel de polícia, comandante do destacamento da Azenha, Bernardino, dando parte do ocorrido; disse ao policial que desse parte ao Delegado de Polícia; voltou o furriel dizendo que ia prender Pedro e o capitão acompanhou-o "para que a prisão fosse feita em ordem".

* Bernardino Vieira Fernandes (4ª testemunha) - desta Província, 21 nos, solteiro, mora nesta cidade, furriel do Corpo Policial, branco.

Dia 8 de noite - fazendo a patrulha do destacamento da Azenha, ouviu um tiro; viu o soldado montado com a testa um pouco ensangüentada;

* João Batista Ribeiro (5ª testemunha) desta Província, 31 anos, casado, branco, mora nesta cidade, praça de polícia, mora na azenha.

Andando de "passeio" na Azenha; o furriel ordenou que ingressasse na patrulha; "em caminho para o quartel ouviu um tiro mas não deu importância, porque ali constantemente dão tiros".

No quartel encontrou o soldado com um lenço na cabeça muito embriagado. No dia seguinte foi a venda de Pedro que contou-lhe o caso e viu no caixão indicado os buracos das balas.

* José Antônio Martins (6ª testemunha) - desta Província, 26 anos, solteiro, mora nesta cidade, praça do Corpo Policial, pardo. Dia 8 - estava de patrulha na Azenha e ouviu um tiro, "mas não foi ver, por estar ocupado em serviço".

* Manoel Joaquim de Freitas - desta Província, 19 anos, solteiro, mora nesta cidade, praça de polícia. No dia 8, trazia uma preta e um preto presos e ouviu um tiro, mas só soube do ocorrido no dia seguinte.

* Manoel Joaquim da Silva (7ª testemunha) desta Província, 19 anos, solteiro, pardo, mora nesta cidade, praça de polícia. No dia 8 estava no quartel e apareceu o ofendido ferido.

* Manoel, nascido em Santa Catarina, 25 anos, solteiro, mora em casa de seu senhor José Batista Soares da Silveira, mora no Menino Deus, subúrbios desta cidade com seu senhor, trabalha na olaria. (2ª testemunha informante). No dia 8 - chegando na venda "ouviu e viu que se tocava violão e estavam dentro da venda algumas pessoas". Pediu 2 vinténs de aguardente; logo que o soldado entrou ele retirou-se acompanhado do preto Gervasio. Não ouviu o tiro e nem conhecia quem tocava violão.

* Gervasio, desta Província, ignora a idade (27 anos), solteiro, mora nesta cidade na olaria de Manoel Batista Soares da Silveira e Souza, escravo do Major Sezefredo Almeida Lemos. No dia 8 - foi em companhia de Manoel a venda; com a chegada do soldado retiraram-se; não ouviu o tiro; na venda não havia tocata alguma.

* Américo Cláudio de Oliveira (2ª testemunha) - 16.07.1873 - desta Província, 32 anos, solteiro, mora nesta cidade, de negócios, mora na Azenha. Apareceu em sua venda o soldado embriagado e pediu-lhe fiado alguns gêneros; negou-se e o soldado começou a "importuná-lo", retirando-se dizendo que ia ao Pedro, que ele fiaria; fechou a venda e recolheu-se a moradia; foi acordado pela filha do réu que pediu-lhe auxílio pois um soldado queria matar seu pai; ao sair ouviu o estampido.

* Antônio José da Silva Madeira (3ª testemunha), 21 anos, desta Província, solteiro, branco, mora nesta cidade, vive de negócios, tem venda na estrada da Azenha, quase na frente da de Pedro. Ouviu o tiro e algumas pessoas que estavam em sua venda saíram; ele ficou; apareceu o soldado Valentim com a testa ensagüentada.

* Serafim Ferreira da Silva: desta Província, 46 anos, casado, mora nesta cidade, carpinteiro, preto, (8ª testemunha). Estava a caminho da venda de Madeira, quando ouviu o tiro. Foi a venda de Pedro que lhe contou o ocorrido.

Defesa -

"O denunciado, pacífico e laborioso hóspede desta terra generosa e idoso chefe de família acha-se perante os seus julgadores como réu de um crime em que a sua vontade não tomou parte, por que não teve intenção de o praticar, mas que muito geralmente o poderia ter praticado, para defender-se a sua pessoa e a sua propriedade, contra um soldado de polícia, guarda da segurança pública !, com aprovação dos concidadãos desta sociedade, onde os soldados do Corpo Policial representam o papel de turbulentos, crapulosos e salteadores".

-          Julgado improcedente o processo sumário, pelo Juiz de Direito Dionísio de Oliveira Silvério. 04.11.1873

 

Processo Crime nº 1235

Cartório Júri Porto Alegre – Sumários

Maço 43. Arquivo Público do RS

Transcrição por Paulo Staudt Moreira

Esses autos têm grande importância na pesquisa da genealogia e história da família Licht, pois às folhas 37 e 37verso, encontra-se o Auto de Qualificação do réu Pedro Licht, no qual está declarado o nome da localidade de origem da Família Licht, como a seguir transcrito:

 

Auto de Qualificação                                                                                                                 [pag. 37]

 

Aos vinte e oito dias do mês de Julho do anno do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Christo de mil oitocentos e setenta e trez, nesta Leal e Valorosa Cidade de Porto Alegre, na Casa da Camara onde foi [ilegível] o Juiz Municipal primeiro Supplente Cidadão João Pereira Machado, Comigo escrivão abaixo nomeado e sendo ahi presente Pedro Licht, réo neste processo pelo Juiz lhe forão feitas as perguntas seguintes:

Perguntado qual o seu nome? Respondeu chamar-se Pedro Licht.

Perguntado de quem era filho? Respondeu que de Carlos Licht.

Perguntada qual a sua idade? Respondeu que tem sessenta anos.

Perguntado qual o seu estado? Respondeu que é casado.

Perguntado qual a sua profissão ou meios de vida? Responde que é negociante

[pág. 37verso]

Perguntado qual a sua nacionalidade? Respondeu que é allemão.

Perguntado qual o lugar de seu nascimento? Respondeu que na Povoação denominada Dusemund = na Prussia. [Grifo nosso N.A.]

Perguntado se sabia ler e escrever? Respondeu que sabia.

 

E como nada mais respondeu nem lhe foi perguntado, mandou o Juiz lavrar o presente acto de qualificação que asigna com o accusado, depois de lhe ser lido e achado conforme.

Eu João Baptista de Sampaio, Escrivão o escrevi.

João Pereira Machado (assinatura)

Pedro Licht (asinatura)

Processo Crime nº 1235

Cartório Júri Porto Alegre – Sumários

Maço 43. Arquivo Público do RS

Transcrição por Otavio Augusto Boni Licht

JOHANN PETER NICOLAU LICHT faleceu em Porto Alegre em 14 de junho de 1875, sendo sepultado no Cemitério da Comunidade Evangélica de Porto Alegre. O registro de óbito, acompanhado do atestado médico, está registrado no Livro do Cemitério da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre e transcritos a seguir:

 

[Folha 62v.]

Registro 361

15 junho 1875

 

Nesta data foi recebido sepultado no seu respectivo cemitério o cadáver de Pedro Licht, idade 63 anos, natural da Alemanha, cor branca, estado casado, enfermidade de bronquites. Vindo acompanhado do atestado do Dr. Henselmann [?] e o visto policial e com o bilhete do diretor do cemitério Carlos Pohlmann [?] e para constar lavro a presente. Etc (a) Baptista

 

Livro 1 de Óbitos de Protestantes Alemães

CEDOP - Centro de Documentação e Pesquisa

 Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre

Transcrição por Miguel Duarte

 

 

LICHT, Peter, falecido em 14/6/1875. Cadáver 361. Causa mortis: fraqueza geral. Observação: faleceu com a idade de 63 anos.

 

Livro de sepultamentos 1866-1887 pagina 17.

Cemitério da Comunidade Evangélica de Porto Alegre.

Transcrição por Otavio Augusto e Pedro Armando Licht

O comunicado do óbito de JOHANN PETER NICOLAU LICHT à sociedade e à colônia alemã de Porto Alegre foi publicado no jornal Deutsches Zeitung, de propriedade de CARL VON KOSERITZ. A transcrição abaixo não está perfeita, pois o original está grafado em gótico:

 

Am 14 b m starb hier Hr. Peter Licht im Alter von 63 Jahren.

 

[No dia 14, morreu aqui Sr. Peter Licht com a idade de 63 anos.]

Deutsches Zeitung

Edição de 19/06/1875, página 3, coluna 2, linha 38

Arquivo Beno Mentz - Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Transcrição Otavio Augusto Boni Licht

 

O inventário de JOHANN PETER NICOLAU LICHT foi aberto em julho de 1876 e estabeleceu os cinco filhos vivos como herdeiros, a viúva MARIA MARGARIDA BECKER WERLANG como inventariante e JORGE WERLANG LICHT, o filho mais velho, como tutor dos irmãos menores.

 

Anno 1876

Nº 2125 / Nº 102

Arquivo Público 1º Cartório de Orfãos e Ausentes

Porto Alegre N 2125

M 102

E 31

Em cima

Pedro Licht Invdo.

Margarida Licht Invte.Junho 1976

  

Auto de Inventário

[Fls 3]

" Certifico que fui a outro lado do arroio da Azenha sendo ahi citei em (ilegivel) propria pessoa suppª D. Margarida Werlang por todo conteudo (ilegivel)  supra.

 

Porto Alegre 21 de julho de 1876

Official de justiça

Manoel (ilegivel)

 [Fls 4]

Porto Alegre, 29 de julho de 1876

 

Ilmo. Sr. Dor. Juiz Substituto de Orfãos

 

Diz D. Margarida Licht, viuva de Pedro Licht, fallecido a 14 de junho do anno passado, deixando os herdeiros constantes do verso deste, que havendo sido citada para vir a juizo prestar juramento de inventariante e proceder ao respectivo inventario, Cartorio do Escrivão Antunes, vem requerer a Vsª se digne deferir-lhe juramento de inventariante e mandar que sejão todos os herdeiros de maior idade e maiores de 12 e 14 annos para na Vª audiência nomear e approvar tomador que avaliem os bens da herança, conjuntamente com o Dor. Curador. Geral, sob pena de nula, e assistirem a todos os termos do inventário até o final.

 

Porto Alegre, 29 de janeiro de 1876

Herdeiros :

1º  Jorge                         idade 30 anos

2º  Guilherme                   "      28     "

3º  Philippe                       "      26     "

4º  Adelaide Carolina   "       23     "

5º  Maria Amália            "      18     "

6º  Augusto                        "     16     "

 

[Fls 5]

Traslado Livro Nº 8 Fs. 50

Procuração bastante que faz Margarida Licht nomeando o advogado Doutor Antonio Pereira Prestes para requerer e assistir os termos do inventário.

 

Porto Alegre, 15 de novembro de 1875

 

[Fls 6]

Auto de Inventário

[Fls 7]

Certifico que notifiquei a inventariante Dona Margarida Licht para ou se habilitar afim de ser tutora de seos filhos ou indicar quem deva ser nomeado para esse cargo.

 

Porto Alegre, 29 de julho de 1876

 

[Fls 12]

Termo de juramento dos avaliadores

 

Arcediago Vicente Zeferino Dias Lopes

Miguel Teixeira de Carvalho

 

Designa para avaliação o dia 23 de agosto de 1876 às 4 horas da tarde

[Fls 13]

Autos de avaliação dos bens da herança do finado Pedro Licht

 

Anno de Nascimento de Nosso Senhor Jesus Christo, de mil oitocentos e setenta e seis, aos vinte e tres de Agosto, em Porto Alegre, e casa da residencia de Dona Margarida Licht, situada no lugar denominado Azenha, presentes o Juiz de Orphãos Doutor Arsênio Gonsalves Marques, eu Escrivão interino e os avaliadores Arcediago Vicente Zeferino Dias Lopes e Miguel Teixeira de Carvalho, procederão estes a avaliação de todos os bens da herança, os quaes lhes forão apresentados pela mesma inventariante pela maneira seguinte:

[Fls 13v]

Móveis

Tres mesas polidas a quatro mil reis cada uma, doze mil reis;

Uma duzia de moxos no valor de doze mil reis;

Meia duzia de cadeiras de assento de palhinha no valor de doze mil reis;

Tres bancas compridas a mil reis cada uma, tres mil reis;

Uma escrivaninha fingindo comoda, no valor de trinta e dous mil reis;

Um relogio de mesa no valor de seis mil reis;

Um espelho no valor de dous mil reis;

Duas commodas, uma de quatro e outra de cinco gavetas, no valor aquella de dezesseis mil reis e esta de dez mil reis

[Fls 14]

Um armario grande, no valor de doze mil reis

Um armario pequeno no valor de seis mil reis

Uma mesa redonda no valor de cinco mil reis

Uma mesa elastica no valor de quatro mil reis

Um sofa em máu estado no valor de cinco mil reis

Dous aparadores, a dous mil reis cada um, quatro mil reis

Uma mesa pequena, no valor de mil reis

Uma mesa grande velha, no valor de quatro mil reis

Um bahú grande velho, no valor de mil reis

Um bahú pequeno velho, no valor de oitocentos reis

Uma caixa grande fingindo bahú, no valor de mil reis

Um armario grande envidracado, no valor de dez mil reis

[Fls 14v]

Um armario de cosinha de duas gavetas e duas portas no valor de seis mil reis

Tres mesas de cosinha, uma grande e duas pequenas, no valor aquella de dous mil reis, e estas, de mil reis cada uma, tudo quatro mil reis

Cinco marquesas, tres grandes e uma, digo, quatro grandes e uma pequena, no valor aquella de tres mil reis cada uma e esta de dous mil reis, tudo quatorze mil reis

Uma carroça e arreios no valor de quarenta e dous mil reis

Um debulhador para milho no valor de vinte mil reis

Uns arreios novos completos, para tylburi, no valor de cincoenta mil reis

[Fls 15]

Dous taxos, um no valor de oito mil reis e outro no valor de quatro mil reis

 

Animáes

Uma mulla de carroça no valor de cincoenta mil reis

Quatro vaccas de leite a vinte e quatro mil reis cada uma, e tres crias a dezesseis mil reis cada uma, tudo no valor de cento e quarenta e quatro mil reis

 

Caza

Uma caza com frente para a estrada do Matto Grosso e frente para a estrada de Belem, com salla, alcova, varanda, dous quartos nesta área e um sobradinho nos fundos: contem mais um corredor, salão de taberna com armação, dous quartos de telheira ao lado, cozinha, e dous quartos em cima no valor tudo de oito contos e cem mil reis

 

E para constar mandou o Juiz lavrar este auto que assigna com os avaliadores.

 

[Fls 16]

Declarações que faz a inventariante por seu advogado:

Aos vinte e sete de Outubro de mil oitocentos e setenta e seis, em Porto Alegre e meu cartorio compareceu o Doutor Antonio Pereira Prestes e disse que por parte de sua constituinte Dona Margarida Licht, viuva de Pedro Licht, vinha fazer no presente inventário as seguintes declarações fináes:

Que forão descriptos e avaliados todos os bens da herança;

 

Que a herança é devedora aos seguintes Senhores:

[Fls 17]

B. Heuer, a quantia de quarenta e tres mil reis importancia do caixão em que foi enterrado o fallecido (doc. Nº 1)

Cunha Reis e Cª a quantia de noventa e dous mil e duzentos reis (doc Nº 2)

Frederico Christoffel, a quantia de quinhentos e vinte e quatro mil e quarenta reis (doc Nº 3)

José Constantino da Rocha, a quantia de cento e vinte mil reis (doc Nº 4)

Carvalho Bastos e Vieira a quantia de cento e vinte seis mil e setenta reis (doc Nº 5)

Chr, Reuter e Cª, a quantia de cento e trinta e seis mil seiscentos e oitenta reis (doc Nº 6)

[Fls 18]

Requer que se separem bens para o pagamento de todas essas dividas na importancia de um conto e quarenta e um mil, novecentos e noventa reis (1:041$990) por serem verdadeiras.

Requer outro-sim que antes da partilha sejão contados os autos para se separar bens para pagamento das contas por não haver dinheiro na herança

 

[Fls 19]

Doc Nº 1

4º Febr. 1876

 

Marcenaria e loja de Móveis B. Heuer                                   Rua do General

Andrada Neves, 76

 

 

1 (ilegível) P. Licht

36 000

20

1 (ilegível)

7 000

 

 

Reis 43 000

 

[Fls 20]

Doc Nº 2

Nº 44 Rua 7 de Setembro

Sr. Pedro Licht compro de

José Manoel da Cunha Reis e Cª

A prazo de ~meses

1 barril de vinho tinto TI

56 000

1 barril de vinho tinto PF cacho

58 000

1 caixa de vinho Porto

14 000

 

128 000

 

Haver

 

Dinheiro por conta

8 400

Dinheiro por conta

20 000

Dinheiro por conta

7 400

 

35 800

 

Saldo a n favor R$ 92 200

 

[Fls 21 e 21v]

Doc Nº 3

Porto Alegre 28  Julho  1876

Fábrica de Cerveja

Frederico Christoffel

 

Nota para o Snr. Pedro Licht, fallecido.

 

Extensa relação de garrafas de cerveja branca, dubla, simples e vazias e de botijas de cerveja branca e vazias que se estende pelo período de Janeiro de 1869 até Agosto de 1874  num total de 916$420

 

Haver

Relação de pagamentos, garrafas e botijas que se estende pelo período de 27 de Março de 1869 até 06 de Agosto de 1874  num total de 392$380

Saldo 524$040

 

[Fls 22]

Doc Nº 4

Porto Alegre 23 de Outubro de 1873

O Snr Pedro Licht

José Contº da Rocha

                                                                               Deve

Pipa de aguardente                                      120$000

 

[Fls 23]

Doc Nº 5

Porto Alegre

Pedro List (sic)

Extensa relação de produtos que se estende pelo período de 15 de Outubro de 1868 a 10 de Janeiro de 1875, como abaixo exemplificado:

2 Barricas de cerveja

2 cx de chá

2 caixas de sabão 163

2 caixas de vellas

1 sacco de café 5 @s

 

Dinheiro que deo por conta

Saldo a nosso favor R$ 126.070

 

[Fls 24]

Doc Nº 6

Porto Alegre 30 de Junho de 1876

O Snr. Pedro Licht, Azenha

à

Chr. Reuter e Cia

 

 

Déve

Importancia de nossa factura prazo 6 mezes

110$350

Juros 26 mezes à 1% = 26%

28$670

(...)

 

Importancia de nossa factura prazo 6 mezes

33$600

Juros 24 mezes à 1% = 24%

8$060

R$

180$680

 

Haver

Pelo seo pagamento

R$ 40$000

 

Juros 10 mezes a 1% = 10%

R$  4$000

44$000

Saldo a nosso favor

 

R$ 136$680

 

[Fls 30]

[Nova conta anexada após a concordância dos Herdeiros]

Porto Alegre, 5 de Septembro de 1876

Cunha e Reis e Cª

 

24 de Outubro de 1873

1 barril de 5º vinho P.E. Thomaz

56$000

 

 

1 barril de 5º vinho PET

58$000

 

 

1 caixa de vinho do Porto

14$000

 

 

 

 

128$000

 

Credito

28 de Agosto de 1874

Seu pagamento por conta

20$000

 

30 de Agosto de 1874

Seu pagamento por conta

8$400

 

24 de Agosto de 1874

Seu pagamento por conta

7$400

 

 

 

 

35$800

 

Saldo a nosso favor R 92 200

 

[Fls 37]

Autos de partilha

Anno de nascimento de Nosso Senhor Jesus Christo de 1876 / 15 / setembro

(...)

Exórdio de partilha

Bens de raiz

8:100$000

Móveis

306$800

Animaes

194$000

Monte mór

8:600$800

Custas

277$800

Dívida

92$200

Monte menór

8:230$800

Meação (viúva)

4:115$400

Legítima (a cada herdeiro)

685:900

 

1o Cartório de Orfãos e Ausentes, em julho de 1876,

Feito n. 2125, Arquivo maço 102, Folha 2 Estante 31 em cima

Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul

Transcrição por Otavio A. B. Licht

 

 

Pouco tempo depois do falecimento do marido, a viúva MARIA MARGARIDA BECKER WERLANG recolheu-se ao Convento Asylo do Coração de Jesus, em Porto Alegre, e adotou o nome de irmã Maria Mônica, repetindo o que sua irmã CHRISTINA BECKER WERLANG havia feito ao separar-se do marido JOHANN SELZHEIM. Permaneceu recolhida ao Convento por cerca de 5 anos até que durante a novena do Coração de Jesus, no dia 18 de junho de 1881, MARIA MARGARIDA BECKER WERLANG faleceu aos 79 anos de idade, sendo sepultada no Cemitério São José, no Jazigo da Congregação do Coração de Jesus.

 

"Maria - os dezoito dias do mes de junho do anno de 1881 nesta parochia de Nossa Senhora das Dores na cidade de Porto Alegre, falleceo a recolhida do Asylo do Coração de Jesus, Maria Monica, e solenemente encomendada na Capella de São Raphael do mesmo Asylo, idade 79 annos, d'Alemanha, viúva. Moléstia gastro-hepatite e com todos os sacramentos. E para constar mandei fazer este termo que assignei.

Como co-adjutor o padre Agnello Gomes de Souza."

 

Livro de Óbitos da Igreja das Dores, n.4, 1877-1882. página 77.

Cúria Metropolitana de Porto Alegre

Transcrição por Otavio A. B. Licht

 

Algum tempo depois, os restos mortais de MARIA MARGARIDA BECKER WERLANG foram transladados para o Cemitério da Comunidade Evangélica de Porto Alegre, de forma a acompanhar o marido.

 

LICHT, Marg. falecida em 1879. Cadáver 581. Observação: Restos mortais. Faleceu com 57 anos.

 

[Esse sepultamento foi um translado de restos mortais. Receberam o mesmo número "cadáver 581" Margarida (mãe), Maria Luiza (filha) e Margarida (filha). N.A.]

 

Fichário do Cemitério da

Comunidade Evangélica de Porto Alegre – CEPA

Transcrição por Otavio A. B. Licht.

 

Do casamento de JOHANN PETER NICOLAU LICHT com MARIA MARGARETHA BECKER WERLANG houve onze filhos, que são as raízes do ramo da família LICHT de Porto Alegre, e que abaixo seguem:

I.2.1. MARIA LUIZA WERLANG LICHT (JOHANN PETER NICOLAU LICHT, CARL LICHT) nasceu a 26 de maio de 1839, em Porto Alegre, Província de São Pedro do Rio Grande do Sul, Império do Brasil.

"Maria - Aos seis dias do mez de agosto de mil oitocentos e trinta e nove annos nesta Matriz de Nossa Senhora da Madre de Deos baptisou solenemente o Reverendo Antonio de Azevedo Souza e poz os Santos Óleos a Maria, nascida a vinte e seis de maio do mesmo anno, filha legítima de Pedro Licht e de Margarida Licht, naturaes d'Alemanha, neta paterna de Carlos Licht e Anna Maria e materna de Jorge Werlang e de Christina Werlang, todos alemães. Foram padrinhos Jorge Verns (sic)  e sua mulher Maria Vinesse [leitura difícil  N.A.]. E para constar fiz esse assento que assignei. "

 

Livro de Batismos da Matriz da Madre de Deus - 1836-1840, pag 53 v.

Cúria Metropolitana de Porto Alegre.

Transcrição por Otavio A. B. Licht

 

Como MARIA LUIZA WERLANG LICHT faleceu em 1879, com 29 anos, é estranho que não tenha sido citada na declaração feita por seu pai à Chefatura de Polícia de Porto Alegre em 9 de Maio de 1842.

 

LICHT, Marg.  falecida em 1879. Cadáver 581. Observação: Restos mortais. Faleceu com 57 anos.

 

[Esse sepultamento foi um traslado de restos mortais. Receberam o mesmo número "cadáver 581" Margarida (mãe), Maria Luiza (filha) e Margarida (filha). N.A.]

 

Fichário do Cemitério da Comunidade Evangélica de Porto Alegre

Transcrição por Otavio Augusto e Pedro Armando Licht

 

MARIA LUIZA WERLANG LICHT deve ter falecido solteira e sem descendência.

 

 

I.2.2. JOÃO HENRIQUE WERLANG LICHT (JOHANN PETER NICOLAU LICHT, KARL LICHT), nasceu a 11 de março de 1841, Porto Alegre, Província de São Pedro do Rio Grande do Sul, Império do Brasil.

 

"João - Aos vinte e quatro dias do mez de março de mil oitocentos e quarenta e hum annos poz os Santos Óleos o reverendo coadjutor José Ignácio de Carvalho e Freitas em João nascido a onze do mesmo mez e baptizado em perigo de vida pelo Reverendo Francisco de Paula Macedo; filho legítimo de Pedro Licht e de Margarida Licht; neto paterno de Carlos Licht e de Maria Licht e materno de Jost Werlang e de Christina Werlang, todos naturaes d'Alemanha. Forão padrinhos João Zelzlein (sic) e Christina Werlang. E para constar fiz esse assento."

 

Livro de batismos da Matriz da Madre de Deus 1840 - 1843, pág 47.

Cúria Metropolitana de Porto Alegre.

Transcrição por Otavio A. B. Licht

 

JOÃO HENRIQUE WERLANG LICHT faleceu poucos dias após o nascimento.

I.2.3. JOÃO FELIPPE WERLANG LICHT (JOHANN PETER NICOLAU LICHT, KARL LICHT), nasceu a 20 de maio de 1842, Porto Alegre, Província de São Pedro do Rio Grande do Sul, Império do Brasil e faleceu a 4 de maio de 1868, Porto Alegre, Província de São Pedro do Rio Grande do Sul, Império do Brasil.

 

"João - Aos nove dias do mez de julho de mil oitocentos e quarenta e dous annos, nesta Matriz de Nossa Senhora Madre de Deos, baptizou solenemente o reverendo coadjutor José Ignácio de Carvalho e Freitas e poz os Santos Óleos, a João nascido a vinte de maio do mesmo anno, filho legítimo de Pedro Licht e Margarida Licht naturaes da Prússia, neto paterno de Carlos Licht e Maria Licht e materno de Augusto (sic) Werlang e Christina Werlang, naturaes do mesmo reino. Forão padrinhos João Zelzlein (sic) e sua mulher Christina Zelzlein (sic). E para constar fiz esse termo que assignei. "

 

Livro de batismos da Madre de Deus 1840 - 1843, pag 141 v.

Cúria Metropolitana de Porto Alegre.

Transcrição por Otavio A. B. Licht

 Na declaração feita por seu pai à Chefatura de Polícia de Porto Alegre em 9 de Maio de 1842, foi João Felippe o citado como “um filho menor”.

 

LICHT, João.  Falecido em 1868. Cadáver 681. Observação: Faleceu com 32 anos.

 

Fichário do Cemitério da CEPA.

Comunidade Evangélica de Porto Alegre

Transcrição por Otavio Augusto e Pedro Armando Boni Licht

 

No fichário do Cemitério da CEPA consta que JOÃO FELIPPE WERLANG LICHT foi sepultado com 32 anos, o que não é correto, pois ele nasceu em 1842 e faleceu em 1868, portanto com a idade de 26 anos.

JOÃO FELIPPE WERLANG LICHT deve ter falecido solteiro e sem descendência

I.2.4. MARGARIDA WERLANG LICHT (JOHANN PETER NICOLAU LICHT, KARL LICHT), nasceu a 21 de março de 1844, Porto Alegre, Província de São Pedro do Rio Grande do Sul, Império do Brasil e faleceu em 1863, Porto Alegre, Província de São Pedro do Rio Grande do Sul, Império do Brasil.

 

"Margarida - Aos dez dias do mez de abril de mil oitocentos quarenta e quatro annos nesta Matriz de Nossa Senhora da Madre de Deos, baptisou solenemente o reverendo coadjutor Jorge Ignácio Carvalho e Freitas e poz os Santos Óleos a Margarida nascida a vinte e hum de março do mesmo anno, filha legitima de Pedro Licht e de Margarida Licht naturaes da Prússia, neta paterna de Carlos Licht e Maria Licht e materna de Jost Werlang e Christina Werlang todos do dicto reino. Forão padrinhos Guilherme Bart (sic) e Margarida Vernz. E para constar fiz esse termo que assignei."

 

Livro da Matriz da Madre de Deus 1843-1849, pag. 72 v.

Cúria Metropolitana de Porto Alegre

Transcrição por Otavio A. B. Licht

 

 

 

LICHT, Marg. falecida em 1863. Cadáver 581. Observação: Restos mortais. Faleceu com 23 anos

 

[Esse sepultamento foi um traslado de restos mortais. Receberam o mesmo número "cadáver 581" Margarida (mãe), Maria Luiza (filha) e Margarida (filha). N.A.]

 

Fichário do Cemitério da CEPA.

Comunidade Evangélica de Porto Alegre

Transcrição por Otavio Augusto e Pedro Armando Boni Licht

 

MARGARIDA WERLANG LICHT faleceu aos 19 anos de idade e provavelmente solteira e sem descendência

I.2.5. PEDRO WERLANG LICHT (JOHANN PETER NICOLAU LICHT, KARL LICHT), nasceu a 24 de maio de 1846, Porto Alegre, Província de São Pedro do Rio Grande do Sul, Império do Brasil.

 

Pedro - Aos vinte e nove dias do mez de junho de mil oitocentos e quarenta e seis annos nesta Matriz de Nossa Senhora Madre de Deus baptisou solenemente o reverendo coadjutor José Ignácio de Carvalho e Freitas e poz os Santos Óleos a Pedro nascido a vinte e quatro de maio do mesmo anno, filho legítimo de Pedro Licht e Margarida Licht, neto paterno de Carlos Licht e Belarmina (sic) Licht e materno de José Werlang e de Christina Werlang, todos naturaes d'Alemanha. Forão padrinhos João Pedro Pascoal e Joaquina dos Santos Paiva. E para constar fiz este assento que assignei.

 

Livro de batismos da Madre de Deus 1843 - 1849, pag 183.

Cúria Metropolitana de Porto Alegre.

Transcrição por Otavio A. B. Licht

 

Não foi localizada a data nem os registros de óbito ou de sepultamento de PEDRO WERLANG LICHT nem se deixou descendência.

 

I.2.6. JORGE PEDRO WERLANG LICHT (JOHANN PETER NICOLAU LICHT, KARL LICHT) nasceu a 17 de novembro de 1848 em Porto Alegre, Província de São Pedro do Rio Grande do Sul, Império do Brasil.

 

Jorge - Aos dezessete dias do mez de (...) mil oitocentos e quarenta e oito nesta Matriz (...) Senhora da Madre de Deus, baptizou solemnemente o (...) intor Francisco de Paula Manso e pos os Santos Oleos (...) nascido a dezessete de novembro do mesmo anno filho (...) Pedro Licht e Margarida Licht, neto paterno (...) Licht e Anna Maria; e materno de João Verns (sic) e de C(...) na Verns (sic), todos naturaes da Prussia; forão padrinhos (...) e Maria Verns, solteiros. E para constar fiz esse termo que assigno.

O vig. Thome Luiz (...)

(As reticências representam partes rasgadas e ilegíveis do  registro)

 

Livro de Batismos 13 - Matriz da N.S. Madre de Deus - 1843-1849 pág. 284.

Cúria Metropolitana de Porto Alegre.

Transcrição por Otavio A. B. Licht

 

 

JORGE PEDRO WERLANG LICHT casou em primeiras núpcias com IGNÁCIA GUEDES DE JESUS DE SÁ, filha de ANTÔNIO GUEDES DE SÁ e ANA MARIA DE JESUS. Ela nasceu em 14 de setembro de 1846 em Porto Alegre, Província de São Pedro do Rio Grande do Sul, Império do Brasil.

Desse casamento houve os seguintes filhos:

1.2.6.1. Antônio de Sá Licht, * 27 de abril de 1872 em Porto Alegre, Província do Rio Grande do Sul, Império do Brasil

1.2.6.2. Anna Máxima de Sá Licht, *25 de janeiro de 1873, em Porto Alegre, Província do Rio Grande do Sul, Império do Brasil

1.2.6.3. Georgina de Sá Licht, * 7 de junho de 1873, em Porto Alegre, Província do Rio Grande do Sul, Império do Brasil

1.2.6.4 Angelina de Sá Licht, *10 de julho de 1875, em Porto Alegre, Província do Rio Grande do Sul, Império do Brasil

1.2.6.5 Francisco de Sá Licht, * 9 de fevereiro de 1879, em Porto Alegre, Província do Rio Grande do Sul, Império do Brasil

 O inventário de ANTÔNIO GUEDES DE SÁ, pai de IGNÁCIA GUEDES DE JESUS DE SÁ, foi aberto em novembro de 1873 sendo a viúva ANNA MARIA DE JESUS nomeada inventariante. Excertos do inventário estão abaixo transcritos:

Inventário de Antonio Guedes de Sá

Inventariante Anna Maria de Jesus

 

Novembro de 1873

[Fls 2v]

Porto Alegre 10 de Novembro de 1873

 

Herdeiros

1º Dª Maria Guedes de Sá casada com Candido Silveiro d’Araujo Piquilót

2º Dª Francisca Guedes de Sá casada com Tristão Felix de Vasconcellos (residentes na Barra, Freguezia da Pedra Branca)

3º José Guedes de Sá solteiro d’idade 26 annos

4º Dª Ignacia Guedes de Sá casada com Jorge Litx (sic)

5º Constança Guedes de Sá casada com Guilerme Litz (sic)

 

Domiciliários n’esta Cidade

 

Relação dos bens do casal

 

Uma chácara com casa de moradia sita além d’asenha

Insignificantes moveis de casa

Uma caixa de ferramentas (carpintaria com bastante uso)

 

Obs. Na petição inicial é solicitado um Curador para Candido Silvério Piquilót pois ele “a 6 annos mais ou menos se ausentára d’esta Cidade e Província, tomando a direção da Republica do Paraguay – não se sabendo portanto o lugar certo de seu actual domicilio.”

 

Exórdio da partilha

 

Monte mór

8:238$000

(oito contos dusentos e trinta e oito mil reis)

Custas

335$470

Monte menor

7:902$530

Meação da viúva

3951$265

Parte legitima dos cinco herdeiros

790$253

 

Seguem-se os pagamentos aos cinco herdeiros

 

Inventário de Antonio Guedes de Sá

Cartório da Provedoria e Ausentes de Porto Alegre

Ano 1873, Feito 368, Maço 21, estante 5

Arquivo Público do RS

Transcrição por Otavio A. B. Licht

 

Em 1883, JORGE PEDRO WERLANG LICHT e sua mulher IGNÁCIA GUEDES DE JESUS DE SÁ, venderam a terça parte da casa e do terreno que lhes coubera na herança de JOHANN PETER NICOLAU LICHTa FIRMO JOAQUIM LEITE D’ALMEIDA. É interessante notar que o escrivão, ao identificar o vendedor no extrato da escritura, escreve JORGE LÜBCKE, (o antigo proprietário que havia transmitido a propriedade a JOÃO PEDRO CONRADO LICHT por força da hipoteca não paga) o que é incorreto, mas no corpo da escritura o nome correto está corretamente grafado. A primeira das outras duas terças partes da mesma propriedade já havia sido vendida em 1881 ao mesmo comprador por GUILHERME WERLANG LICHT irmão de JORGE PEDRO WERLANG LICHT. Em 1883, também AUGUSTO WERLANG LICHT, o outro irmão, realizou a venda de sua terça parte na propriedade. A escritura de venda do terço que cabia a Jorge está abaixo transcrita:

 

Escriptura de venda de parte duma casa e rerspectivo terreno que fazem Jorge Lübcke (sic) e sua mulher a Firmo Joaquim Leite d’Almeida.

Saibão todos quantos esta escriptura de publica venda virem que no Anno do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Christo de mil oito centos oitenta e trez aos quatro dias do mez de Maio, nesta Leal e Valorosa Cidade de Porto Alegre, em meu Cartório compareceram como vendedores Jorge Licht e sua mulher Dª Ignácia Guedes de Sá e como comprador Firmo Joaquim Leite d’Almeida, pessoas que eu conheço e dou fé. E os vendedores me disseram ante as testemunhas que no fim [ilegível] e assignadas que passa essa Escriptura de venda ao comprador a parte que tem na caza e respectivo terrêno sita no Segundo Districto d’esta Cidade, na frente a estrada do Matto grosso, [ilegível] da Azenha que herdarão por morte de seus pais e sogros, que esta venda fazem pela quantia de oito centos mil reis, que elles outorgantes receberão do outorgado em moeda corrente que dão quitação para jámais [ilegível] ; garantem esta venda de futuras demandas e transmitem ao comprador todo o domínio, posse e senhorio, que na [ilegível] na frente da referida casa para que dela agora góze e disponha como lhe aprouver havendo-a, foi impossado [ilegível] cláusula [ilegível]. O comprador diz que o [ilegível] exposto [ilegível] nos terrenos referidos. Assim juntos me pediram em notas, o que fiz, sendo [ilegível] do bilhete dos impostos seguintes: Ao 3º Cartório em 14 de Maio de 1883. P. Falcão [ilegível] de 1882 e 1883 R$ 48:000. [ilegível] o Livro de [ilegível] transmissão de propriedades [ilegível] debitado ao Thezoureiro pela quantia de quarenta e oito mil reis na Cidade. Firmo Joaquim Leite d’Almeida por [ilegível] de 800$000 por quanto compro do Snr Jorge Licht e sua mulher a 6ª parte d’uma caza com frente a estrada do Matto-grosso. [ilegível] Porto Alegre, 14 de Maio de 1883. O [ilegível] Assina B. de A. Pereira Escripturario [ilegível] Anno Financeiro de 1882 e 1883. [ilegível] do Livro fica lançado um debito ao actual [ilegível] da quantia de reis mil e oitocentos réis que pagou o Sr. Firmo Joaquim Leite d’Almeida em 14 de Maio do dito anno de [ilegível] seria Correspondente a quantia de reis oitocentos mil reis porque comprou a Jorge Licht  a terça parte da caza na estrada do Matto-grosso. Porto Alegre, 14 de Maio de 1883. Pelo thezoureiro. P. [ilegível]. O escrivão Cunha. Não paga décimas [ilegível] esta escriptura de [ilegível] e assignão com as [ilegível] testemunhas Carlos Klinger d’Oliveira e Zeferino d’Oliveira Vianna também conhecidos de mim José [ilegível] escrivão que o escrevi

 

Jorge Licht (assinatura)

Ignácia Guedes de Sá (assinatura)

Firmo Joaqm Leite d’Almeida (assinatura

Carlos Klinger d’Oliveira (assinatura)

Zeferino d’Oliveira Vianna (assinatura)

3º Tabelionato – Transmissões, Livro 10, Fls 45v

Arquivo Público do RS

Transcrição por Otavio A. B. Licht

 

Em dezembro de 1886, JORGE PEDRO WERLANG LICHT adquiriu um terreno à rua do Livramento, no arraial da Boa Vista em Porto Alegre, terreno este que permaneceu em sua propriedade até seu falecimento já que constou da relação de bens anexa ao Inventário. A escritura de compra e venda do terreno está adiante transcrita.

 

Escriptura de venda que fazem Francisco José Velozo e sua mulher, à Jorge Licht, de um terreno à rua do Livramento por 300.000

Saibão os que este virem esta escriptura que no anno do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Christo de 1886 aos vinte e três de Dezembro nesta cidade de Porto Alegre Francisco José Velloso e sua mulher Dona Sophia Paradeda Velloso e Jorge Licht, todos moradores desta Cidade e conhecidos de mim Tabelião interino e testemunhas no fim assignadas de que dou fé, perante os quais pelos Outorgantes me foi dito que sendo senhor de um terreno situado à rua do Livramento no Arraial Boa Vista, Freguesia de N S do Rosário com trinta e tres metros de frente e fundos no Arroio do Sabão, dividindo-se por um lado com terrenos do Sr. Raymundo Caetano da Cunha e pelo outro com João Baptista da Silva Lisboa, cujo terreno [ilegível] livre e desembaraçado e delle fazem venda ao Sr Jorge Licht pela quantia de trezentos mil réis, moeda corrente que neste acto recebem e da qual dão plena e igual quitação para jamais ser exigido em tempo algum [ilegível] desde já toda posse do mesmo [ilegível] que no mencionado terreno tinhão para o que o [ilegível] se obrigão por suas pessoas e bens a fazerem esta venda boa [ilegível]. Pelo outorgante foi dito que acertara [ilegível] na forma expressada e logo me foi passado o bilhete [ilegível] cujos theores são os seguintes: Ao 2º Cartório Francisco José Velloso e sua mulher, vendem a Jorge Licht, um terreno a rua do Livramento por 300.000. Em 23 de Dezembro de 1886. [ilegível] Nº751 Exercício do 1886 a 1887 R$ 18.900 [ilegível] ao Livro de Caixa fica debitando o actual Thesoureiro pela Quantia de dezoito mil e nove centos reis recebida Do Snr Jorge Licht 6% (?) sobre 300.000 pois que compra a Francisco José Velloso e sua mulher um Terreno com 33m,0 de frente no Arraial Boa Vista. Alfândega de Porto Alegre, 23 de Dezembro de 1886. Christovam A.B.S. Penna. O Escrivão J.C. da Sª  Sob. Foi igualmente passado o [ilegível] imposto Provincial sob n 280 (?). E assim me pediram para fazer esta [ilegível] que dou fé. [Ilegível] e assignão com as testemunhas conhecidas de mim [ilegível] Tabelião notário que a escrevi e assigno. Porto Alegre, 23 de Dezembro de mil oitocentos e oitenta e seis.

 

2º Tabelionato – Transmissões, Livro 96, Fls 46

Arquivo Público do RS

Transcrição por Otavio A. B. Licht

 

JORGE PEDRO WERLANG LICHT era comerciante, proprietário de barraca de venda de alimentos e também de uma banca de jogo de apostas na Festa de Nossa Senhora dos Navegantes, em Porto Alegre e no Balneário de Cidreira durante o período de veraneio. A propaganda de sua barraca de alimentos, publicada na edição de 31 de janeiro de 1888 no Jornal do Commercio está abaixo transcrita:

 

"Festa nos Navegantes: Vamos à festa lá no Recreio de Jorge Licht, ao lado da igreja, que lá encontraremos bons petiscos e iguarias sucolentas, como sejam: chorascos, leitões assados, línguas ensopadas, bifes a cavalo, cervejas de todas as qualidades e vinhos bons; enfim, lá tem o que os apreciadores desejam: é só levar consigo o que falla a verdade. Ás 5 horas da tarde, procissão de transladação em trem especial. Preços das passagens de trem: 1ª. classe - viagem simples 200 rs; ida e volta 300 rs; 2a classe - viagem simples 120 rs".

Jornal do Commercio 31/01/1888. In:

Licht, H. Nossa Senhora dos Navegantes

Porto Alegre, 1871-1995.

Pref. Municipal Porto Alegre. 1996.

 

IGNÁCIA GUEDES DE JESUS DE SÁ faleceu antes de 21 de maio de 1894, em Porto Alegre, Província do Rio Grande do Sul, Brasil e seu inventário foi aberto em maio de 1894 sendo o viúvo JORGE PEDRO WERLANG LICHT nomeado inventariante. Excertos do inventário estão abaixo transcritos:

 

Inventario de

Ignacia Guedes de Sá Licht Invdo

Jorge Licht Invte

Fls 2v

Herdeiros

Jorge Licht viúvo

D. Anna Máxima Licht casada com Benjamin Barcellos da Silva

Athanasio Licht com 15 annos de idade

Porto Alegre, 21 de maio de 1894

 

Fls 3

Relação dos bens

 

Um terreno com 77 m de frente a estrada de Belém contendo um galpão de taboas coberto de telha e zinco, sob nº 3, dividindo-se por um lado com Constancia Guedes de Sá pelo outro com casa e terreno de Francisco Augusto Licht com fundos a meia quadra a testar com terrenos da herança sendo que nos fundos tem menos (ilegível).

 

Um terreno com 42,2 m de frente a estrada de Belém dividindo-se por um lado com Maria Amália Licht, pelo outro com Domingos Joaqm de Castro com quem também faz divisa pelos fundos e em frente aguda.

 

Uma casa sob nº2 com duas portas e três janelas para a estrada do Matto Grosso com um terreno ao lado tendo tudo de frente 43,12 m dividindo-se por um lado com Constancia Guedes de Sá pelo outro com Domingos Joaquim de Castro e com fundos a meia quadra a (ilegível) com terrenos da casa nº 3 em ponta e em ponta com terrenos de Francisco Augusto Licht e D. Maria Amália Licht.

 

Um terreno a Rua Livramento com 33 m de frente e igual largura nos fundos dividindo-se por um lado com terrenos de José Fernandes Moreira, pelo outro com Pedro Serenamo (?) Pessoa de Andrade, pelos fundos com o arroio Sabão tendo dentro do mesmo terreno uma pequena casa sob nº 11 com porta de entrada por um lado, com duas (ilegível) por outro lado e por outro lado uma janela.

 

Fls 5

 

Impostos Intendência Municipal

Livro 5 anno 1893 semestre 2º

32$400

Ruas

Nº dos prédios

Décima

Remoção lixo etc

Estrada de Belém

3

6$000

1$200

Estrada de Matto Grosso

2

15$000

3$000

Rua Livramento

11

6$000

1$200

26 de Dezembro de 1893

Soma

32$100

 

Exordio da partilha

 

Monte Mór

12:000$000

Meação do viúvo Jorge Licht

6:000$000

 

Inventário de Ignácia Guedes de Sá Licht

1º Cartório de Orphãos de Porto Alegre

Ano 1894, Feito 2383, Maço119, estante 2

Transcrição por Otavio A. B. Licht

 

JORGE PEDRO WERLANG LICHT casou em segundas núpcias em 17 de novembro de 1903, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil com MARIA JÚLIA GALVÃO DOS SANTOS, nascida em 1869 em Porto Alegre, Província de São Pedro do Rio Grande do Sul, Império do Brasil, filha de JOAQUIM JOSÉ DOS SANTOS e AURÉLIA GALVÃO. Esse casamento serviu para regularizar a “situação conjugal ilícita” que já se estendia por muitos anos. MARIA JÚLIA GALVÃO DOS SANTOS era viúva de BENTO RIBEIRO DA FONSECA.

 

Jorge Licht com D. Maria Júlia dos Santos. Retificação a nubente chama-se Julia Ribeiro da Fonseca

Aos dezessete de novembro de mil novecentos e tres, na Matriz da Madre de Deus, perante mim e as testemunhas abaixo assignadas, receberam-se em matrimonio por palavras de presente em que expressaram o seu mutuo consentimento, os nubentes Jorge Licht, filho de Pedro Licht e de Margarida Werlang, e Julia digo Maria Julia dos Santos, filha de Joaquim José dos Santos e D. Amélia Galvão dos Santos, sendo ambos os contrahentes, viuvos, elle de Ignacia Guedes de Sá Licht e ella de Bento Ribeiro da Fonseca. Foram dispensados do curso dos proclamas e não apparecendo impedimento algum. Findas as cerimonias do Ritual, assignam o presente Termo. Em tempo, a nubente chama-se de Julia Ribeiro da Fonseca.

Vig. Pe. João Becker

Testemunhas : Antonio Ferreira da Silva

Felippe Licht. mais em tempo: os contrahentes já tinham muitos annos em união illicita, de que conceberam dois filhos, Celina agora com cinco annos e Jorge agora com um anno. Pe. João Becker.

 

Livro 2 de Casamentos, Madre de Deus,

1896 - 1906, página 74.

Arquivo Histórico da Cúria Metropolitana de Porto Alegre.

Transcrição por Otavio A. B. Licht

 

Registro do óbito de Maria Júlia Galvão dos Santos

Livro 24, folha 15

Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre.

Informação enviada por Jorge Appel Soireffmann, 1/9/2002

 

Desse casamento houve os seguintes filhos:

1.2.6.6 Celina dos Santos Licht, * 5 de outubro de 1899, em Porto Alegre, Província do Rio Grande do Sul, Império do Brasil

1.2.6.7. Jorge dos Santos Licht, * 1902, em Porto Alegre, Província do Rio Grande do Sul, Brasil

1.2.6.8 Cecília dos Santos Licht, * 1905, em Porto Alegre, Província do Rio Grande do Sul, Brasil

 

 

MARIA JÚLIA GALVÃO DOS SANTOS faleceu em 6 de março de 1907 em Porto Alegre, Província do Rio Grande do Sul, Brasil e seu inventário foi aberto em 1910 sendo o viúvo JORGE PEDRO WERLANG LICHT nomeado inventariante. Excertos dos Autos do Inventário estão abaixo transcritos:

[Fls 2]

Ilmº Sr. Dr. Juiz Districtal de Orphãos

Jorge Licht vem dizer a Vª Sª o seguinte:

Que o supplicante foi casado com Dona Julia dos Santos Licht, fallecida em 6 de Março de 1907;

que do extincto matrimonio ficaram três filhos, sendo Celina com 11 annos, Jorge com 7 annos e Cecília com 4 annos;

que sua finada esposa era viúva quando contrahio núpcias com o Supptte. existindo do primeiro matrimonio della, um filho de maior idade de nome Álvaro Ribeiro Fonseca;

que os bens da herança são os que constam da descripção junta;

                                                                                                                       [Fls 2v] 

que a herança está onerada por diversas dívidas entre as quaes uma hypothecaria de 3:000$000, a Manoel Fernandes Maiato;

que, por isso, que o Supptte. proceder aos termos do respectivo Inventário, com citação do Dr. Promotor publico e representante da Fazenda do Estado.

 

D.A.

Deferimento

Porto Alegre, 18 de Junho de 1910

[Fls 3]

Bens de Raiz

 

Uma caza com cinco janellas de frente e porta ao lado edificada em terreno que mede 43m,60 de frente à estrada do Matto Grosso sob o nº 21 com 41m,80 de fundos

Um terreno com frente a estrada do Cemitério onde tem 28m,82

Porto Alegre, 18 de Junho de 1910

 

Em tempo: o terreno com frente a estrada do Cemitério é fundo do terreno da estrada do Matto Grosso e por isso inglobado no conhecimento da décima

[Fls 4]

Guia Nº 6115 da Intendência de Porto Alegre, de pagamento da décima urbana e remoção de lixo e uma taxa adicional de 3% sobre o prédio nº 21 da Estrada do Matto Grosso no valor de vinte e sete mil e noventa e dois réis, com data de 27/11/1909

 

[Anexada a Certidão de casamento da filha e herdeira Celina dos Santos Licht]

[Fls7 4]

Certidão de casamento de Francisco Vigel Pires e Dª Celina Licht

15 de Dezembro de 1915

[Fls 75]

Fernando Kersting, serventuário vitalício do Registro Civil de Casamentos da zona urbana de Porto Alegre

Usando da faculdade que me confere o Decreto Federal numero quatrocentos e setenta de sete de Junho de mil oitocentos e noventa e por me ser pedido verbalmente Certifico que revendo em meu cartório os livros de assentos de casamentos, no de numero trinta e quatro e folhas cento e vinte e seis e verso, consta o termo de casamento do theor seguinte Numero quinhentos e oitenta e três.- Aos quinze dias do mez de Dezembro de 1915, nesta cidade de Porto Alegre, às quinze horas na sala de audiências, digo, na Sala do Superior Tribunal onde se achava o Doutor José Lucas Álvares Filho, Juiz da Comarca da Segunda Vara e privativa de casamentos comigo ajudante, servindo na falta de official e testemunhas abaixo assignadas receberam-se em matrimônio Francisco Nigel Pires e dona Celina Licht, ambos solteiros e naturaes deste Estado e aqui residentes, elle com dezessete annos de idade, filho legítimo de Olympio Pires e dona França Vigel Pires e ella também com dezessete annos de idade, filha legítima de Jorge Licht e de Dona Julia dos Santos Licht, esta fallecida. Testemunharam o acto: Jorge Licht com sessenta e sete annos, casado, florista, residente na Lomba do Cemitério e Nicanor Sant' Anna, com vinte e quatro annos, casado, commercio, residente, à rua da Glória número onze, digo, número quarenta e um. E para constar, lavrei o presente que lido e achado conforme e vai por todos assignado. Eu Lourival Kersting.

 

JORGE PEDRO WERLANG LICHT casou em terceiras núpcias em 20 de novembro de 1916 em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil, com a MARIA CÂNDIDA DA CONCEIÇÃO MACHADO nascida aproximadamente em 1866 em Porto Alegre, Província de São Pedro do Rio Grande do Sul, Império do Brasil. Esse casamento serviu para mais uma vez regularizar a “situação conjugal ilícita” que já se estendia por mais de cinco anos. MARIA CÂNDIDA DA CONCEIÇÃO MACHADO também era viúva de ANTÔNIO BORBA.

 

Jorge Licht e Maria Candida Machado

Aos vinte de Novembro de mil novecentos e dezesseis pelas dezesseis horas do dia, nesta Matriz, depois de obtidas a dispensa das três (ilegível) canonicas, não apparecendo impedimento algum, por palavras de presente, na forma do Ritual em minha  presença e das testemunhas abaixo assignadas, receberam-se em matrimônio Jorge Licht e Maria Candida Machado, ambos viúvos, naturaes deste Estado, moradores nesta Freguesia, elle com sessenta e oito annos de edade, filho legítimo de Pedro Licht  e Margarida Werlang, ella com cincoenta annos de edade, filha legítima de João Machado e Antonia Maria da Conceição, vivendo a cinco annos só pelo civil. E para constar, lavrei este assentamento que assigno.

 

                                                Vig. Conego Antonio Reis

                                     Testemunhas : Anselmo Magarino (?)

                                                              Luiz Ronda

 

Livro 3 - Casamentos

Madre de Deus, 1902 - 1918, página 81.

Arquivo Histórico da Cúria Metropolitana de Porto Alegre

Transcrição por Otavio A. B. Licht

 

Desse casamento, houve a seguinte descendência:

 

1.2.6.9. Alfredo Machado Licht – sem maiores informações

 

Nos Autos do Inventário de JORGE PEDRO WERLANG LICHT, está anexado o seu Testamento, que é abaixo transcrito:

[Fls 4]

João Candido Maia, escrivão do Cartório da Provedoria da cidade de Porto Alegre, capital do Estado do Rio Grande do Sul

Uzando da faculdade que me confere o Decreto número quatro centos e setenta de setede Junho de mil oito centos e noventa e por me ser pedido

Certifico que revendo em meu cartório os autos de testamento com que falleceu Jorge Licht delles consta o seguinte:

 

Autuação

 

Mil nove centos e dezoito. Estado do Rio Grande do Sul. Cidade de Porto Alegre. Cidade, digo, Juízo Districtal Jurisdição Provedoria Escrivão João Maria. Testamento Jorge Licht fallecido. João Celestino Salvatorio testamenteiro. Aos dezoito dias do mês de Fevereiro de mil oitocentos e dezoito nesta cidade de Porto Alegre, em meu cartorio, autuo as peças se segue, do que para constar faço este Termo Eu Affonso Lopes de Oliveira ajudante do escrivão

[Fls 4v]

escrivão em exercício o escrevi e assigno. O Ajudante do Escrivão em Exercício Affonso Lopes de Oliveira.

 

Testamento

 

Em nome de Deus, Amem. Eu, Jorge Licht em meu perfeito juizo e sem induzimento algum, temendo a morte cujo dia é incerto, determinei fazer este testamento para dispor dos meus bens como abaixo segue. Sou catholico apostolico romano em cuja fé protesto viver e morrer, natural deste Estado, nascido nesta Capital, filho legítimo de Pedro Licht e Margarida Werlang, ambos já fallecidos, tenho sessenta e oito annos de idade, feitos em dezessete de Novembro do anno próximo passado. Fui casado em primeiras núpcias com Ignácia Guedes de Sá, fallecida em quinze de Janeiro de mil oito centos e noventa e quatro de cujo matrimônio houve os seguintes filhos: Antonio Licht, fallecido em primeiro de Fevereiro de mil oito centos e noventa e dois em estado de solteiro; Anna Licht casada com Benjamin Barcellos

[Fls 5 6]

da Silva, fallecida e actualmente representada por seus filhos menores Athanagildo e Lucilia; Athanazio Licht fallecido em estado de solteiro mas com testamento no qual reconheceu como legítimos seus filhos Romeu e Amália, menores, havidos de ilicita união com Maria do Carmo Monteiro; Georgina e Angelina, ambas fallecidas em tenra idade. Em segundas núpcias fui casado com Julia dos Santos Licht, já fallecida, existindo deste matrimonio os seguintes filhos Celina com dezoito annos, e Cecília com onze annos e Jorge com quatorze. Em trinta de Setembro de mil nove centos e doze, na capella de Viamão contrahi núpcias com Maria Cândida Borba, viúva de Antonio Borba. Pela lei natural parece-me que poucos annos de vida me restam, apezar de achar-me neste momento de perfeita saúde, e como o que presentemente possuo devo ao trabalho, economia e a actividade de minha mulher Maria Cândida Licht de accordo com

[Fls 6v]

com a nossa Legislação em vigor a ella deixo a metade de meus bens, depois de serem descontadas as dívidas que porventura appareçam, sendo por mim feitas, assim como as despezas do meu enterro, medico e pharmacia. Caso ao tempo do meu fallecimento seja necessário tutor aos meus filhos, nomeio o Senhor Arlindo de Deus Gomes a quem peço aceitar o encargo. Nomeio meus testamenteiros: em primeiro lugar o Senhor João Celestino Salvatori, em segundo o Senhor João Capellano dos Santos e em terceiro o Senhor Oscar Castro, servindo um no impedimento do outro na ordem porque ficam mencionados. E por tal forma e modo tenho feito e concluído este meu testamento que muito de minha livre e expontânea vontade sem constrangimento ou induzimento algum, mandei escrever pelo também abaixo assignado, e que somente assignei depois de lido; pedindo as Justiças do Paiz que o cumpram e mandem cumprir tão inteiramente como nelle

[Fls 6 7]

se contem e declara. Escrevi o presente testamento a rogo do testador. Joaquim Sabino de Abreu Salgado. Porto Alegre, dezoito de Agosto de mil novecentos e dezessete. Jorge Licht.

 

Testamento passado no Cartório da Provedoria da cidade de Porto Alegre

 

Inventário de Julia dos Santos Licht e Jorge Licht (c/3 ap.)

nº 77, maço 7, estante 31 em cima

Arquivo Público do RS

Transcrição por Otavio A. B. Licht

 

JORGE PEDRO WERLANG LICHT morreu afogado no Balneário de Cidreira, Rio Grande do Sul, Brasil, em 14 de fevereiro de 1918. Conforme o desejo expresso no testamento, no inventário de JORGE PEDRO WERLANG LICHT encontra-se à página 9, com data de 13/3/1918, o termo de compromisso do primeiro testamenteiro JOÃO CELESTINO SALVATORI. Da mesma forma à página 11, em 17/4/1918, ARLINDO DE OLIVEIRA GOMES assume o compromisso de tutor dos filhos menores, mas faz a ressalva que seu nome está grafado como ARLINDO DE DEUS GOMES o que é incorreto, ”mas não é de se estranhar porque seu pai chama-se JOÃO DE DEUS GOMES”. Outros trechos e documentos contidos no inventário de JORGE PEDRO WERLANG LICHT são interessantes e estão abaixo transcritos:

[Fls 13]

Ilmo Sr Dr. Juiz Districtal

Orphãos

Maria Cândida Licht, inventariante da herança de seu finado marido Jorge Licht, vem descrever os bens a inventariar e partilhar que são:

Móveis  –          3 carroças pequenas, velhas;

      1 guarda-roupa;

      1 armação envidraçada;

      1 meza de refeições

Mercadorias – 15 kg de parafina

      3 rolos de arame para a confecção de cercas;

Semoventes –  1 mulla

     1 cavallo.

Dinheiro – o que foi encontrado em poder do de cujus- 1:200$00

 

Immoveis – um terreno com forma irregular com frente á “Estrada do Matto Grosso”, onde tem 149 palmos, limitado d’um lado por propriedades de João Martins Gonçalves e D. Constança Guedes de Sá a intestar com fundos do terreno do filho do finado Athanazio Licht, de outro lado por dito que foram de Domingos Joaquim de Castro, hoje pertencentes a Domingos Floriani Fº e outro sem direção aos fundos inclusive os de propriedade de D. Antonia Teixeira este encontra o já referido dos filhos do finado Athanazio

Um chalet de madeira à Estrada de Belém, nº 1B para dentro do alinhamento da rua, com uma porta e três janellas de frente, tendo o respectivo terreno 78 palmos de frente, e 203 ditos da frente ao fundoque termina quase em 0 e se limita com a propriedade desta herança com frente à Estrada Matto Grosso, limitando-se de um lado por prorpiedade de José Floriani Fº, por outro com dito dos menores Jorge e Cecília filhos do de cujus .

 

[Fls 13v]

 

Dividas passivas – a herança as tem e deverão ser requeridas oportunamente pelos credores

Nestes termos e querendo promover o respectivo inventário, requer a citação dos herdeiros Athanagildo e Lucilia, filhos do extincto casal da finada Anna Licht e, mais que isso feito se proceda a avaliação dos bens descriptos e indicando com a devida vênia para avaliador companheiro do privativo o Snr. Alfredo Crós.

P. deferimento

Porto Alegre, 28 de Maio de 1918

p.p. Pedro Gomes de Azevedo.

[Fls 6]

Exmo Sr Dr. Juiz Districtal – Orphãos

 

Os Drs. Carlos Oscar Mostardeiro, Luiz Henrique de Souza Lobo e Ademar Pinto Torelly, apresentaram ao inventario dos bens deixados por Jorge Licht, uma conta de honorários médicos no valor de 1:200$000, por serviços prestados á pessoa do finado.

Allegando os herdeiros ser impossívei á herança o pagamento de tal importância, attento á exigüidade d’aquella, circunstancia com que se conformam os requerentes, accordam estes em reduzir seus honorários á quantia de 600$000.

Nestes termos, junto estes aos autos que correm pelo cartorio, pedem os requerentes que ouvidos os interessados, seja o inventariante autorizado a fazer o respectivo pagamento.

 

E. Deferimento

Porto Alegre, 3 de Junho de 1918

Dr. Ademar Pinto Torelly (assinatura)

Dr. Carlos Oscar Mostardeiro (assinatura)

Dr. Luiz Henrique Souza Lobo (assinatura)

 

[Fls 48]

Ilmo Sr Doutor Juiz Districtal

Orphãos

 

Maria Cândida Licht, inventariante da herança de seu finado marido, vem dizer-vos:

 

Que o terreno vendido em hasta publica produziu R 7:455$000

Que houve as seguintes despezas com o inventario e também a pagar as contas que segue, com as quais concorda, a saber:

Pago aos Avaliadores

60$000

Ao Correio do Povo pelo edital da praça

50$400

Ao Porteiro Lobato por certidão do edital

4$800

A Intª Mat por uma certidão

11$000

Pelo seguro da caza

122$900

Pago por dois automóveis que foram á Cidreira qdo deu-se o fallto.

1:200$000

Idem da Guilherme da Silva

8$000

Idem a Fco Je Cardozo (um caixão fúnebre)

82$100

Idem a João de Deus Fraga aluguel do rancho na Cidreira

194$300

Idem a José Dias de Oliveira por uma viagem de (ilegível)

25$000

Idem a Manoel Ignácio, por leite fornecido

15$800

A paga ao Armador Maciel

775$000

A Joze Pedrozo Ortiz

26$000

A Fco Bloise Mannus (?)

2$460

A Zuca Audi (?)

177$800

 

Nestes termos requer, que ouvidos os interessados sejam as contas descriptas tomadas na devida consideração.

P. def.

 

[Fls 75]

Ilmo Sr Dr. Juiz Districtal

Vara de Orphãos

 

O advogado abaixo assignado, tendo sido constituído procurador de Celina Licht Pires, e seu marido Francisco Vigel Pires, no inventário a que se procede neste Juízo, por morte de Jorge Licht, incluso instrumento de procuração, requer a V. S. se digne mandar intimar, para os devidos fins de direito, o Snr. Arlindo Oliveira Gomes, da revogação dos poderes que, para idêntico fim, lhe haviam sido outorgados pelos seus constituintes.

Pede, outrossim, a supplicante, que lhe seja mandado abrir vistas dos autos do referido inventário para fallar a respeito.

Nestes Termos

J. esta com o incluso doc. aos autos respectivos.

E. Deferimento

Porto Alegre, 18 de Janeiro de 1919.

P.p. Dr. Oscar B. Noronha.

 

[Fls 100]

Fernando Kersting, serventuário vitalício do registro civil de casamento da zona urbana de Porto Alegre

Uzando da faculdade que lhe confere o Decreto Federal quatrocentos e setente de sete de Junho de mil oitocentos e noventa e por me ser verbalmente pedido Certifico que revendo em meu cartório o Livro sob numero quarenta e um, nelle a folha cento e vinte e seis verso, consta o termo de casamento do theor seguinte. Numero duzentos e sessenta. Aos vinte e cinco dias do mez de Junho de mil novecentos e dezenove nesta cidade de Porto Alegre às quinze horas e minutos, na sala das audiências onde se achava o [Fls 100v] o Senhor Doutor Augusto Leonardo Salgado Guarita, juiz da comarca da segunda vara e privativa de casamentos desta cidade commigo official do registro e testemunhas abaixo nomeadas e assignadas, receberam-se em matrimonio depois de mostrarem-se legalmente habilitados, Álvaro Marques e Cecília Listh (sic) ambos solteiros, naturaes deste Estado e aqui residentes, elle nascido a vinte e quatro de Janeiro de mil novecentos e um, empregado publico, filho de Abelardo Marques com quarenta e oito annos e Lucia Marques com quarenta e dois annos e ella nasceu a trinta e um de Janeiro de mil novecentos e três, filha legítima de Jorge Lisht (sic), já fallecido, e de Julia Listh (sic), também fallecida. Os contrahentes habilitaram-se na forma da [Fls 101] Lei, exhibindo declaração de estado e residência de ambos, bem como de duas pessoas provando desimpedimento, na falta das certidões de idade de ambos, atestado paterno d’elle e do tutor e avós d’ella e licença do tutor para ella casar e paterna para elle. Testemunharam o acto Joaquim José dos Santos, com setenta e sete annos, casado, funcionário publico, aqui morador e Major Hercules Gomes Limeira, com quarenta e oito  annos, casado, delegado judiciário, aqui morador. Em firmeza deste termo que lavro e que lido vae por todos assignado. Eu. Fernando Kersting, Official escrevi. Augusto Leonardo Salgado Guarita, Álvaro Marques, Cecília Listh (sic), Joaquim José dos Santos, Alzira Marques, Hercules Gomes Limeira, Lucinda Rolim Limeira. O Official Fernando Kersting. Nada mais se continha em o dito termo de casamento que bem e fielmente dou por certidão do que dou fé, Nesta cidade de Porto Alegre, aos três dias do mez de Julho de mil novecentos e dezenove. Eu, Alberto Pereira da Rosa Ajudante escrevi. Eu, Fernando Kersting, official, subscrevo e assigno

Porto Alegre, 3 de Julho de 1919

Fernando Kersting (assinatura)

[Fls 104]

Ilmo Sr Doutor Juiz Districtal

Orphãos

Maria do Carmo Monteiro, mãe e tutora dos menores Romeu e Amália, filhos do finado Athanazio Licht, vem dizer-vos:

Que a suppte tem em seu poder para recolher ao Cofre de Orphãos a quantia de R 1:291$889, que seus referidos filhos, impúberes, herdaram em partes iguais do finado Jorge Licht, avo delles;

Que o menor Romeu, desde a epidemia que grassou em Novembro do anno findo [gripe espanhola N.A.], acha-se em tratamento médico, mas a suppte com os parcos recursos que dispõe não tem podido tratar devidamente do doentinho;

Que alem da doença referida de Romeu, elle e a irmã Amália precisam de autuarios (?).

Pelo exposto vem pedir se digneis autorizar a suppte a lançar mão da quantia que tem a recolher, de trezentos mil réis, para attender as necessidades referidas, fazendo-se o recolhimento do saldo, evitando-se assim delongar as despesas.

Nestes termos e cônscia de vossos actos de justiça e caridade

 

E. Deferimento

Porto Alegre, 16 de Julho de 1919

A rogo de Maria do Carmo Monteiro, por não saber escrever, Pedro Gomes d’Azevedo

 

[Fls 127]

Ilmo Sr Dr. Juiz Districtal de Orphãos

 

Diz, Maria do Carmo Monteiro que, tendo procedido em Juízo, o processo de devolução da herança (doc. nº 1) que lhe cabe por fallecimento da menor, sua filha Anália (doc. nº 2) acontece que tem ella por inventario de seu avô Jorge Licht um depósito no Thezouro do Estado (doc nº 3) a quantia de 495$944 réis.

Ora, como quer a suppte levantar o referido depósito com os juros respectivos, vem pedir a V. Sª se digne de ordenar que j. está nos autos daquelle inventario, seja, para tal fim, expedida a competente guia, e outrossim, para receber na qualidade de tutora do menor Romeu, seu filho, constante do dito inventario, os juros vencidos até aqui e a que tiver direito com relação ao depósito feito por parte desse menor e a que se refere o alludido documento sob o  nº 3.

Nestes Termos

E. Deferimento

Porto Alegre, 14 de Setembro de 1922

A rogo de Maria do Carmo Monteiro por não saber escrever

Raimundo Pereira

 

[Fls 2]

Ilmo Sr Dr. Juiz Districtal

Orphãos

 

Diz Jorge Licht Filho, filho dos finados Julia Ribeiro da Fonseca e Jorge Licht, a V.Sª o seguinte:

1º) que o suppe tem 18 annos completos, porquanto nasceu em 18 de outubro de 1902, conforme prova o documento junto;

2º) que foi nomeado tutor do suppe o Snr. Arlindo de Oliveira Gomes;

3º) que o suppe acha-se com capacidade bastante para administrar sua pessoa e bens;

4º) que o seu referido tutor acha que o suppe está nas condições de emancipar-se absolutamente com capacidade para todos os actos da vida civil e tanto assim é, que também assigna esta;

Assim pede o suppe que D. e A. e ouvido o Sr. Dr. Curador Geral subam os autos á conclusão superior affim de ser o suppe emancipado por sentença, conforme faculta o nosso Cód. Civ. Artº 9 (Por dependência ao 2º Cartório de Orphãos).

Dá-se a causa o valor de 550:000

 

Porto Alegre, 21 de outubro de 1920

Jorge Licht Filho

Arlindo de Oliveira Gomes

 

Inventário de Julia dos Santos Licht e Jorge Licht (c/3 ap.)

nº 77, maço 7, estante 31 em cima

Arquivo Público do RS

Transcrição por Otavio A. B. Licht

 

I.2.7. GUILHERME WERLANG LICHT (JOHANN PETER NICOLAU LICHT, KARL LICHT) nasceu a 26 de agosto de 1850 em Porto Alegre, Província de São Pedro do Rio Grande do Sul, Império do Brasil.

 

[O registro de batismo está em péssimo estado e quase totalmente destruído N.A.]

 

Livro de Batismos 14

Matriz da N.S. Madre de Deus -  pág. 249.

Arquivo Histórico da Cúria Metropolitana de Porto Alegre.

Transcrição por Otavio A. B. Licht

 

GUILHERME WERLANG LICHT casou em 18 de abril de 1872 na Igreja de Nossa Senhora do Rosário, em Porto Alegre, Província de São Pedro do Rio Grande do Sul, Império do Brasil, com CONSTANÇA DE JESUS GUEDES DE SÁ nascida em 20 de agosto de 1848 em Porto Alegre, Província de São Pedro do Rio Grande do Sul, Império do Brasil, filha de ANTÔNIO GUEDES DE SÁ e ANA JOAQUINA DE JESUS.

 

"Guilherme Licht e Constança Guedes de Sá - A dezoito de abril de mil oitocentos e setenta e dois na Capela do Menino Deus depois de habilitados na presença do Revmo. Frei Caetano de Troina e das testemunhas Marcos Alves Salgado e Francisco Gomes dos Santos na forma do Ritual receberam-se em matrimônio Guilherme Licht e Constança Guedes de Sá. Ele com 22 annos de idade filho legítimo de Pedro Licht e de Margarida Licht batizado na Paróquia da Madre de Deus e residente na Paróquia de N.S. do Rosário. Ela com 24 anos de idade, filha legítima de Antonio Guedes de Sá e Ana Joaquina de Jesus batizada na Paróquia de N. S. do Rosário e residente na Paróquia de N. S. do Rosário. E para constar mandei fazer esse termo que assignei."

Livro da Igreja do Rosário - 1872 - 1876. pág 20.

Cúria Metropolitana de Porto Alegre.

Transcrição por Otavio A. B. Licht

 

 

Desse casamento houve os seguintes filhos:

1.2.7.1 Amélia de Sá Licht, * 22 de fevereiro de 1873 em Porto Alegre, Província do Rio Grande do Sul, Império do Brasil

1.2.7.2 Guilhermina de Sá Licht, * 16 de março de 1874 em Porto Alegre, Província do Rio Grande do Sul, Império do Brasil

12.7.3 Jovellina de Sá Licht, *19 de abril de 1875 em Porto Alegre, Província do Rio Grande do Sul, Império do Brasil

1.2.7.4. Maria de Sá Licht, * 30 de abril de 1976 em Porto Alegre, Província do Rio Grande do Sul, Império do Brasil

Em 1881, GUILHERME WERLANG LICHT e sua mulher CONSTANÇA DE JESUS GUEDES DE SÁ, venderam a terça parte da casa e do terreno que lhes coubera na herança de JOHANN PETER NICOLAU LICHTa FIRMO JOAQUIM LEITE D’ALMEIDA. As outras duas terças partes da mesma propriedade foram vendidas dois anos depois, ao mesmo comprador por JORGE PEDRO WERLANG LICHT e AUGUSTO WERLANG LICHT, irmãos de GUILHERME WERLANG LICHT. A escritura de venda do terço que cabia a GUILHERME WERLANG LICHT está abaixo transcrita:

 

Escriptura de venda de parte d’uma casa e respectivo terreno que fazem Jorge Lübcke (sic) e sua esposa a Firmo Joaqm Leite d’Almda.

Saibão todos quantos esta publica escriptura de venda virem que no Anno do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Christo de mil oito centos oitenta e um aos cinco de Outubro, nesta Leal e Valorosa Cidade de Porto Alegre, em meu Cartório comparecerão como vendedores Jorge Licht e sua esposa Dª Constança Guedes Licht e como comprador Firmo Joaquim Leite d’Almeida, todas pessoas que conheço e dou fé. E os vendedores me disseram ante as testemunhas no fim assignadas que são senhores e [ilegível] dos seguintes bens de raiz sitos na Azenha subúrbios d’esta Capital: uma parte da caza e terrêno sito na [ilegível] na Azenha, esquina da Estrada do Matto-grosso que no inventário dos bens de seus pais e sogros Pedro Licht e sua mulher, herdarão no valor, digo herdarão com [ilegível] da [ilegivel] estrada do Matto-grosso, que divide por um lado com o Comprador [ilegível] como vendedores e nos fundos com [ilegível] Maria de Jesus, que herdarão [ilegível] de seu sogro e pai Antonio Guedes de Sá, que tendo à frente [ilegível] àquella caza e respectivo terrêno como comprador deste terreno na estrada do Matto Grosso vendem ao dito comprador pella quantia de hum conto e quinhentos mil réis moeda Corrente recebida do mesmo elles dão plena quitação da importância para jamais fazer pedidos posteriores por elles vendedores ou qualquer outra pessoa e garantem posse[ilegível] bem prezentes e futuros [ilegível] está livre de dívidas e demandas transferindo ao compardor todo domínio, posse e senhorio que desses bens elles tinhão, para que, o adquirente [ilegível] a tudo toma posse, góze e disponha como lhe aprouver, havendo-os já empossado em virtude [ilegível] constitui: O comprador disse ser exato o exposto aceitando esta escriptura nos termos declarados [ilegível] deixarão em notas o que fiz.

 

Dos importes seguintes: [ilegível] 5 de Outubro de 1881. E Falcão [ilegível] de 1881 a 1882. Transmissão de propriedade

[ilegível]

a quantia de quinze mil réis que pagou o Senhor Firmo Joaquim Leite d’Almeida em 5 d’Outubro do ditto anno (...) correspondente a quantia de  um conto quinhentos mil reis, porque comprou a Guilherme Licht um terrêno na Estrada do Matto-grossona frente de uma caza e terrêno (...) para estrada. [ilegível] 5 d’Outubro de 1883. [ilegivel] Marques [ilegível] Perª da Cunha. Não paga [ilegível] por estar fóra dos limites urbanos. Lida [ilegível] escrituras aceitarão e assignarão com as testemunhas prezentes Domingos Antonio Rodrigues e Manoel Joaquim de Freitas Junior, também conhecidos de mim, João Pacheco (ilegível) Filho, tabelião que escrevi.

 

Guilherme Licht (assinatura)

Constança Guedes Licht (assinatura)

Firmo Joaqm Leite d’Almeida (assinatura

Domingos Antonio Rodrigues (assinatura)

Manoel Joaqm de Freitas Jr (assinatura)

3º Notariado – Transmissões, Livro 7

Fls 2v, nº 587

Arquivo Público do RS

Transcrição por Otavio A. B. Licht

 

GUILHERME WERLANG LICHT (JOHANN PETER NICOLAU LICHT, KARL LICHT) faleceu sob as rodas de um bonde com tração animal (“bonde puxado a burros”) no bairro do Partenon em Porto Alegre. A memória familiar tem registrado o fato de que ele possa ter cometido suicídio 

Escriptura publica de partilha amigável que fazem a viúva e herdeiros de Guilherme Licht

Saibam quantos esta publica escriptura virem que no anno de 1898, quatorze dias do mez de Janeiro, n’esta cidade de Porto Alegre, capital do Estado do Rio Grande do Sul, neste meu cartório compareceram: Dona Constança Guedes de Sá, viúva de Guilherme Licht e seus filhos e genros: Dona Amélia Licht da Motta e seu marido Francisco Carlos da Motta, dona Jovelina Licht Pinto e seu marido Bernardino Luiz Pinto, dona Maria Licht Höltz e seu marido Edmundo Vrydaphy Höltz, todos moradores nesta cidade e conhecidos pelos próprios de mim notário das testemunhas no fim desta nomeadas e assignadas no que dou fé; perante as quaes por elles uniformemente foi dito que, tendo fallecido nesta cidade no dia treze de Setembro de mil oitocentos oitenta e três, sem testamento, seu marido, pai e sogro, Guilherme Licht, do qual são elles outorgantes únicos e universaes herdeiros, haviam acordado entre si, de livre e expontânea vontade, fazer o inventário e pertilha dos bens da herança, do referido seu marido, pai e sogro, de forma amigável e extrajudicialmente como lhes permite a Ord. Livro 4 Tit. 9b, § 18, visto acharem-se de perfeito acordo, tanto a respeito da descripção e avaliação dos bens como de sua partilha, o que fariam pela presente escriptura e da melhor forma de direito e pela maneira seguinte: Descripção e Avaliação = Uma casa situada na Freguesia de Nossa Senhora do Rosário, desta cidade, com uma porta e duas janellas de frente ao norte, à Estrada do Matto Grosso, sob número quinze, cujo respectivo terreno méde dezaseis metros e cincoenta centímetros (16m,50) mais ou menos de frente, e fundo até a estrada do Cemitério onde também divide-se com propriedade de Dona Anna Maria Guedes, dividindo-se ao nascente com Pacheco # Daniel, e ao poente com Jorge Licht, cuja casa e terreno avaliam em três contos e seiscentos mil réis  = Legitima =  A legitima de cada um dos três herdeiros importa em seiscentos mil réis e a meação da viúva em um conto e oitocentos mil réis  = Pagamentos = Pagamento à viúva Dona Constança Guedes de Sá de sua meação: Haverá para seu pagamento na casa e terreno descriptos e avaliados em três contos e seiscentos mil réis, o valor somente de um conto e oitocentos mil réis (1.800.000 R). Pagamento à herdeira filha Dona Amália Licht da Motta, casada com Francisco Carlos da Motta, he sua legitima. Haverá para seu pagamento na casa e terreno descriptos, e avaliados em três contos e seiscentos mil reis, somente o valor de seiscentos mil reis (600:000 R). Pagamento à herdeira Dona Jovelina Licht Pinto casada com Bernardino Luiz Pinto, de sua legítima paterna: Haverá para seu pagamento na casa e terreno descriptos e avaliados em três contos e seiscentos mil réis, o valor somente de um conto e oitocentos mil réis (1.800.000 R). Pagamento á herdeira filha Dona Maria Licht Höltz casada com Edmundo Vrydaphy Höltz, de sua legítima paterna: Haverá para seu pagamento na casa e terreno descriptos e avaliados em três contos e seiscentos mil réis, o valor somente de um conto e oitocentos mil réis (1.800.000 R). E por esta forma haviam por descriptos, avaliados e partilhados todos os bens da herança do finado seu marido, pai e sogro Guilherme Licht e acharam-se pagos e satisfeitos de seus respectivos quinhões e (?) em passar a presente partilha como se fosse judicialmente feita pelo que deram-se mutuamente plena e geral quitação para jamais reclamarem causa alguma. Foi apresentado o bilhete de distribuição seguinte: Ao 1º Cartório em 14 de Janeiro de 1898. P. Falcão. Estava devidamente sellado. E assim perfeitamente justas e concordes me pediram esta escriptura em notas, o que fiz por ter sido aberta a sucessão em época anterior ao regulamento Estadoal de 12 de Junho de 1893, conforme consta da certidão de óbito apresentada, como também por me haver sido presente a certidão de achar-se esta herança quites com a fazenda estadoal cujas certidões ficam archivadas nestecartorio. E sendo-lhes por mim lida, acharam conforme acceitaram, ratificaram e assignaram com as testemunhas presentes, Appolinario Luiz Teixeira e Pedro Gomes de Azevedo, conhecidos de mim, Francisco de Oliveira Neves, 1º notário que a escrevi e assignei.  Pagou na forma do regimento e mais o sello proprocional ao valor do monte-mór e partível na importância # digo, na importância de quatro mil réis.

 

Constança Guedes de Sá (assinatura)                Francisco de Oliveira Neves (assinatura)

Amélia Licht da Motta (assinatura)                   Appolinario Luiz Teixeira (assinatura)

Francisco Carlos da Motta (assinatura)           Pedro Gomes de Azeredo (assinatura)

Jovelina Licht Pinto (assinatura)

Bernardino Luiz Pinto (assinatura)

Maria Licht Höltz (assinatura)

Edmundo Vrydaphy Höltz (assinatura)

1º Notariado de Porto Alegre

Inventários e partilhas amigáveis

Livro 18, fls 10, 1898

Arquivo Público do RS

Transcrição por Otavio A. B. Licht

 

I.2.8. PHILIPPE WERLANG LICHT (JOHANN PETER NICOLAU LICHT, KARL LICHT) nasceu a 14 de agosto de 1852 em Porto Alegre, Província de São Pedro do Rio Grande do Sul, Império do Brasil.

 

"Felippe - Aos cinco dias do mez de Outubro de mil oitocentos e cincoenta e dois nesta Matriz de Nossa Senhora do Rosário, o Reverendo João de Oliveira Lima baptisou solenemente e pos os Santos Óleos a Filippe nascido a quatorze de Agosto do corrente, filho legítimo de Pedro Licht e de Margarida Licht, natural da Prussia: avós paternos Carlos Licht e Guilhermina : maternos João Werlang e Christina Werlang. Padrinhos Felippe Beker e sua mulher Carolina Beker. E para constar mandei fazer este termo que assignei."

 

Livro de batismos 2 folha 116.

 Igreja de N.S. do Rosário, em Porto Alegre

Cúria Metropolitana de Porto Alegre.

Transcrição por Otavio A. B. Licht

 

PHILIPPE WERLANG LICHT casou em primeiras núpcias em 23 de abril de 1881 em Porto Alegre, Província do Rio Grande do Sul, Império do Brasil, com ANNA MARIA CATHARINA SCHMITT BLAUTH.

 

" Felippe Licht e Anna Maria Schmitt - Aos vinte e três dias do mez de Abril de mil oitocentos e oitenta e um, depois de dispensados do impedimento - Cultus Disparitas - e das tres canonicas proclamações, por provisão de sua Excellencia Reverendíssima, pelas cinco horas da tarde na Capella do Menino Deos, perante o Reverendo Frei Caetano de Troina de minha licença e das testemunhas abaixo assignadas, se receberam em matrimônio por palavras de presente em que expressaram o seu mútuo consentimento Felippe Licht, catholico, natural desta Província, filho legítimo de Pedro Licht e de Margarida Licht e ella acatholica desta Província, viúva de Nicolao Schmitt. para constar mandei fazer este termo que assigno.

Testemunhas Jorge Licht e Balduino Olinto Cordeiro. "

Livro 5 pág 30

Casamentos da Igreja do Rosário, 1880 - 1883

Cúria Metropolitana de Porto Alegre

Transcrição por Otavio A. B. Licht

 

Desse casamento não houve descendentes.

 

ANNA MARIA CATHARINA SCHMITT BLAUTH nasceu a 11 de abril de 1835 em Dois Irmãos, Colônia de São Leopoldo, Província do Rio Grande do Sul, Império do Brasil, filha de JOHANN JAKOB PFEIFFER BLAUTH e de ELISABETH MARCKARDT OU MARCHETIN SCHMITT.

 

Anna Maria Catharina Blauth, *11/4/1835 em Dois Irmãos, batizada pelo pastor Klingerhöfer em 19 do mesmo. Padrinhos : Anna Maria Schmitt, esposa de Heinrich Schmitt, de Campo (Bom), Catharina Petry, Catharina Hack, Catharina Küchler, solteira, Philipp Fuchs, Martin Wesing, Heinrich Nikolas Fick, todos residentes em Dois Irmãos.

Lista de emigrantes da

Comunidade Evangélica de São Miguel de Dois Irmãos

1827-1848. INGERS.

 

ANNA MARIA CATHARINA SCHMITT BLAUTH era viúva de Johann Nicolau Schmitt de cujo casamento houve sete filhos: Maria Blauth Schmitt casada com João Sperb Fº, Elisabeth Blauth Schmitt casada com Frederico Hoffmann, Sophia Blauth Schmitt casada com Carlos Blauth, Pedro Blauth Schmitt casado com Christina, João V. Blauth Schmitt casado com Pauline, Guilherme Blauth Schmitt casado com Aninha e Amália Blauth Schmitt casada com Christiano Fensterseifer.

 

A transcrição do inventário de ANNA MARIA CATHARINA SCHMITT BLAUTH está a seguir apresentada:

 

Inventário de João Nicolau Schmitt

Falecimento 17/05/1876

Inventariante Anna Maria Schmitt (viúva)

Notificação de Autoação - 23/08/1876

 

Herdeiros:

1. Elisabetha Schmitt Hoffmann casada com Frederico Hoffmann

2. Anna Maria Schmitt - 21 anos

3. Pedro Schmitt - 16 anos

4. Sophia Schmitt - 14 anos

5. João Nicolau Schmitt - 11 anos

6. Catharina Schmitt - 9 anos

7. Luis Guilherme Schmitt - 7 anos

8. Guilherme Schmitt - 4 anos

 

Relação de bens

 

1 - 1 casa nova com 5 janellas e 2 portas na frente, situada na Capella da Piedade sobre um terreno com 11 braças e 6 palmos de frente e 831 braças de fundos. Com um jardim em frente da casa com 14 braças e 7 palmos de frente pelo lado do Sul, 16 braças e 4 palmos pelo lado do Norte, 12 braças e 9 palmos pelo lado do Oeste e 6 braças e 6 palmos pelo lado do Leste;

2 - 1/2 colonia de terras, sob nº 1 à esquerda da Picada dos Dous Irmãos, com 100 braças de frente e 800 ditos de fundos com uma casa de moradia e mais benfeitorias;

3 - 1 pedaço de terras sob nº 7 à esquerda da Picada de Dous Irmãos, com 93 braças de frente e 90 ditos de fundos;

4 - 1 pedaço de terras junto a Capella da Piedade, com 100 braças de frente e 100 ditos de fundos, com uma casa de madeira e mais benfeitorias;

5 - 1 casa velha na Capella da Piedade com 2 portas e 6 janelas de frente edificada sobre um terreno com 10 braças e 5 palmos de frente e 831 braças de fundos;

6 - 1 terreno na Capella da Piedade com 25 braças de frente e 30 ditos de fundos, com uma casa e demais benfeitorias, e que pertenceu antigamente a Christovão Henneck;

7 - 1/2 colonia nos campos da Estância Velha, sob nº 147 com área superficial de 81.224 braças quadradas;

8 - 1 colonia nos campos da Estância Velha sob nº 24, com 160.000 braças quadradas;

9 - 4 escravos

10 - 40 mulas com os respectivos petrechos para o transporte de mantimentos

11 - 2 carros com 4 rodas com todos os petrechos

12 - porcos e generos conforme constará da descripção e avaliações

 

Avaliação    65:740$710                       11 de abril de 1877

 

Relação nº 193 - escravos pertencentes a João Nicolau Schmitt, residente na 31 Provincia de São Pedro do Sul, municipio de São Leopoldo, parochia de São Miguel:

Adão - 30 anos, forro, lavrador

Thomazia - 20 anos, cosinheira

Jorge - 17 anos, lavrador e

Adão - 14 anos, lavrador, filiação desconhecida

 

Partilha em 5 de maio de 1877:

Monte mór                                 88:834$160

Meação da viúva                     44:417$080

Legítima por 8 herdeiros         5:552$135

1º Cartório de Orphãos de São Leopoldo

Feito nº 672, maço nº 24, estante nº 145

 Arquivo Público do RS

Transcrição por Otavio A. B. Licht

 

Em 1º de março de 1883, menos de dois anos após a realização do casamento, PHILIPPE WERLANG LICHT e sua esposa ANNA MARIA CATHARINA SCHMITT BLAUTH, resolveram registrar em testamento público a sua vontade com relação ao destino dos bens do casal, perante o Escrivão Jacob Müller da Frequezia de São Miguel de Dous Irmãos, Província de São Pedro do Rio Grande do Sul, Império do Brasil.

 

Estado do Rio Grande do Sul

Juízo da Provedoria em Porto Alegre

Testamento

Anna Maria Licht Testª

Felippe Licht Testº

Fls1

Autuação

Aos nove dias do mez de Outubro de mil oitocentos e noventa e quatro em Porto Alegre e nesse Cartório, autuo o testamento que adiante se segue. Eu Zeferino Pereira da Silva, escrivão interino que escrevi e assigno.

Fl Nº 1

Muller

Em Nome da Santíssima Trindade. Amen

Nos Felippe Licht e minha mulher Anna Maria Licht achando-nos de saúde perfeita e em nosso completo Juízo e claro intendimento, e não sabendo o dia nem a hora em que Deos nos queira chamar à sua Devina presença resolvemos fazer o nosso solemne Testamento e Disposição de ultima vontade pela forma seguinte.

Declaro primeiramente eu Felippe Licht, que sou natural d’esta Província de São Pedro do Sul, filho de legitimo matrimônio de Pedro Licht e Margarida Licht, nascida Werlang, ambos já falecidos e que sou casado à face da Igreja catholica cuja Religião professo com Anna Maria Licht, de cujo consórcio não houverão filhos e nem tão pouco os tinha de outra quel quer mulher e, portanto, não tenho herdeiros algum quer descendentes quer ascendente, podendo portanto, dispor livremente de meus bens como passo a fazer.

Declaro que meu casamento com Anna Maria Licht foi celebrado na Igreja denominada Menino Deos em Porto Alegre e conforme o costume deste Paiz, havendo a comunicação de bens, sendo por isso minha mulher meieira em todos os meus bens.

Declaro que instituo por minha única e universal herdeira de todos os meus bens, Direitos e acções a minha dita mulher Anna Maria Licht e nomeio por minha primeira e ultima testamenteira com [Fls 1v.] plena e geral administração de meus bens os quaes por serem d’ella bem conhecidos, deixo de mencional-os no presente testamento e ella que faz o meu interro como for de sua vontade.

Declaro mais que depois da morte de minha dita mulher Anna Maria Licht todos os meus bens ficam pertencentes aos seos filhos, meus enteados, com a condição especial que os mesmos serão obrigados a tratar e alimentar me e cumprir todas as obrigações que os bons filhos tem contra seos pais.

Declaro eu Anna Maria Licht nascida Blauth que sou natural n’esta Província de São Pedro do Sul filha legitima do casal e matrimonio de Jacob Blauth e Elisabetha Blauth ambos já falecidos e que sigo e professo a Religião Evangélica em que fui criada e educada.

Declaro mais que fui casada em meu primeiro matrimonio com João Nicolau Schmitt o qual faleceu em dezessete de Maio de mil oitocentos setenta e seis de cujo consorcio existem oito filhos e herdeiros legítimos.

Declaro mais que procedi o inventario no Juízo de Orphãos da cidade de Leopoldo (sic) depois da morte de meu falecido marido João Nicolau Schmitt.

Declaro mais que sou casada na segunda nupcia e à face a cerimônias da Igreja Catholica e conforme o costume deste paiz com meu atual marido Felippe Licht em cuja companhia vivo e moro e deste consorcio não existe filho algum.

[Fls 2]

Muller

Declaro que tendo eu herdeiros forçados e tendo em attenção e com tratamento que sempre tenho recebido de meu dito marido Felippe Licht o constituo por meu universal herdeiro da terça parte de todos os meus bens, direitos e acções e o nomeio por meu testamenteiro com livre administração da terça parte de meus bens com a condição de que depois da morte delle ficam pertencento (sic) os mesmos bens aos meus filhos e legítimos herdeiros seus enteados cujos bens por serem delle bem conhecidos deixo de mencional-os no presente testamento.

E por desta forma termos feito e concluído este nosso testamento e dispossição (sic) de ultima vontade que pedimos às Justiças deste Império que o cumprão e fação cumprir e guardar como nelle se contem e declara ainda mesmo que lhe falta algumas clausulas em Direito precisas para sua perfeita e completa validade porquanto todas as havemos aqui por declaradas como se cada um fizesse especificada menção.

E por que este em tudo se acha escripto como é de nosso livre e ultima vontade e conforme o que dictamos, eu Felippe Licht minha mulher Anna Maria Licht assignamos de nosso próprio punho perante o Escrivão desta Freguezia Jacob Muller a quem pedimos e rogamos que este nos escrevesse. Freguezia de São Miguel dos Dous Irmãos, 1º de Março de 1883.

 

Felippe Licht (assinatura)

Anna Maria Licht (assinatura)

 

Segue a Aprovação de Testamento onde está citada a condição do casal como moradores da cidade de Porto Alegre.

 

Testemunhas

Clemencio Lampert (assinatura)

Carlos Fuchs (assinatura)

Felippe Dexheimer (assinatura)

Pedro Feldens (assinatura)

Jacob Schmitt (assinatura)

 

Cartório da Provedoria e Ausentes de Porto Alegre

Ano 1894, Feito 2405, Maço 74, estante 6

Arquivo Público do RS

Transcrição por Otavio A. B. Licht

 

Em março de 1883, a escrava THOMAZIA, relacionada na lista de bens da herança de JOHANN NICOLAU SCHMITT, 1º marido de ANNA MARIA CATHARINA SCHMITT BLAUTH e lá identificada como tendo 20 anos e cozinheira, ajuizou uma ação de Justificação contra seu novo patrão PHILIPPE WERLANG LICHT. Nessa ação, THOMAZIA pretendia a compra de sua carta de liberdade, e está abaixo transcrita na íntegra:

[Fls 1]

1883

Juízo de Orphãos

2º Cartório – Escrivão Sampaio

Depósito e Curadoria

A preta Thomazia, escrava de Felipe Licscht (sic), Suppte

Antonio Rodrigues Tavares, depositário e Curador

Autuação

Aos quatorze dias do mez de Março de mil oitocentos oitenta e três, nesta cidade de Porto Alegre, em meu cartório, autuo a petição e despacho que se seguem

Eu João Baptista de Sampai, o escrivão a escrevi e assigno.

[Fls 2]

2º Cartório em 13 de Março de 1883

Ilmº Snr. Dr. Juiz de Orphãos

[despacho] D.A. Como requer. Nomeio depositário

Antonio Rodrigues Tavares que será também curador.

Pto Alre 10 de Março de 1883

 

Diz a preta Thomazia, escrava de Felipe Licht que tendo um pecúlio de cento e cincoenta mil réis (150$000) para sua liberdade em depósito, que tendo feito um requerimento a Ilustríssima Junta Emancipadora para se libertar com auxílio de emancipação e que espera ser pela mesma atendida em virtude de ter mais de sete filhos menores ingenous (sic), e, achando doente sem poder trabalhar mais ainda assim criando uma filha com trez meses de idade, acrescendo que, não obstante o seu estado de saúde, não lhe permitir trabalhar, o seu senhor a quer a isso obrigar, não lhe fornecendo com o necessário pª sua manutenção e esperando a dessizão (sic) de sua liberdade, vem a suppe requerer a V eª que se digne nominar-lhe um depositário.

 

Pelo que

E. Rcto.

Porto Alegre, 10 de Março de 1883

A rogo da Preta Thomazia por não saber ler nem escrever assigna Antonio de Alm. Brandão

[Fls 2]

Certifico que citei em sua própria pessoa a Antonio Rodrigues Tavares para vir prestar juramento como curador da suppe e assignar o termo de depósito da mesma. Ficou sciente e dou fé.

Porto Alegre, 14 de Março de 1883

João Baptista de Sampaio

[Fls 3]

Juramento do Curador

Aos quatorze dias do mez de março de mil oito centos e oitenta e trez, nesta cidade de Porto Alegre, na casa de residência do Juiz de Orphãos, Doutor Bernardo Dias de Castro Sobrinho, onde eu escrivão me achava, ahi compareceu Antonio Rodrigues Tavares, a quem o mesmo Juiz o juramento aos Santos Evangelhos, encarregando-lhe que bem e fielmente sem dolo nem malícia servisse de curador da preta Thomazia, escrava de Felippe Licht, requerendo e assegurando que for precizo tanto em juízo como fora delle e a bem de sua curatelada sob as penas da lei.

E recebido por elle o juramento, assim o prometeu cumprir e assigna com o Juiz do que dou fé. Eu João Baptista de Sampaio, escrivão o escrevi.

Bernardo Dias de Castro Sobrinho (assinatura)

Antonio Rodrigues Tavares (assinatura

[Fls 3v]

Termo de depóstio

Aos quatorze dias do mez de Março de mil oitocentos oitenta e trez, nesta cidade de Porto Alegre, em meu cartório compareceu Antonio Rodrigues Tavares curador da preta Thomazia, escrava de Felippe Lichte disse que achando-se a dita preta em seu poder obrigando-se a apresenta-la em juízo sempre que isso lhe for ordenado assim a conserval-a como seu depositário sob as penas da lei, não se responsabilizando porém no caso de fuga ou morte. E como assim o disse, lavrei este termo que assigna, de que dou fé

Eu João Baptista Sampaio, escrivão, o escrevi

Antonio Rodrigues Tavares (assinatura)

[Fls 4v]

Juntada

Aos dez dias do mez de Julho de mil oitocentos oitenta e trez nesta cidade de Porto Alegre, em meu cartório junto a estes autos a petição e despacho que adiante se segue.

Eu Bernardino P Brito, escrivão o escrevi. João B. Sampaio o sub-escrivão.

[Fls 5]

Ilmo Sr Dr. Juiz de Direito da 2ª Vara

[despacho]  S. como requer

Porto Alegre, 10 de Julho de 1883

Diz Felippe Licht, que sendo senhor da preta Thomazia que requereu por este Juízo, arbitramento para o fim de conseguir a sua liberdade, foi esta avaliada em 400$000 e como não conseguisse o preço de sua avaliação, foi por Vª Sª mandada que fosse depositada em casa de Antonio Rodrigues Tavares, e como já tenha decorrido seis mezes, ficando assim o Suppte privado de seus serviços, vem requerer à Vª Sª que digne-se mandar passar mandado de levantamento a fim de ser a dita escrava entregue ao Suppte, sendo esta junta aos autos.

 

Neste Termos

P. a Vª Sª deferimento

E. R. Me.

Porto Alegre, 10 de Junho de 1883

Felippe Licht

[Fls 5]

Certifico que nesta data e nos termos da petição e despacho retro, passei o competente mandado de levantamento do deposito da escrava Thomazia.

Porto Alegre, 11 de julho de 1883

João Baptista de Sampaio

 

2º Cartório de Orphãos de  Porto Alegre

Ano 1883, Feito 764, Maço 10, estante 31 em cima

Arquivo Público do RS

Transcrição por Otavio A. B. Licht

 

Em 26 de junho de 1890, CARLOS BLAUTH e sua esposa SOPHIA SCHMITT, filha do 1º casamento de ANNA MARIA CATHARINA SCHMITT BLAUTH com JOÃO NICOLAU SCHMITT, venderam a PHILIPPE WERLANG LICHT um terreno à rua São José, bairro dos Navegantes. A escritura de compra e venda do imóvel está abaixo transcrita:

 

Escriptura de venda de um terreno que fazem Carlos Blauth e sua mulher a Felippe Licht.

Saibão quantos esta escriptura de compra e venda virem, que no Anno de Nascimento de Nosso Senhor Jesus Christo, de mil oitocentos e noventa, aos vinte e seis dias do mês de Março nesta Cidade de Porto Alegre, capital do Estado do rio Grande do Sul, neste Cartório compareceram como vendedores Carlos Blauth e sua mulher Dona Sophia Blauth, moradores no Bom Jardim, município de São Leopoldo, e como comprador Felippe Licht, morador nesta Cidade, e todos os próprios reconhecidos do Tabelião e das testemunhas ao fim nomeadas e assignadas, perante as quais pelos vendedores foi dito que por esta escriptura vendem ao comprador um terreno que possuem livre e desembargado na rua São José, Arraial dos navegantese Freguesia de Nossa Senhora da Conceição, d’esta Cidade  com treze metros e vinte centímetros de frente e setenta e sete metros de extensão da frente ao fundo, a intestar com terreno de Pedro Bardt, dividindo-se por um lado com chácara de Antonio de Carvalho e pelo outro com o comprador. Que esta venda fazem pela quantia de quatrocentos mil reis que neste acto receberam do comprador em moeda corrente a quem dão quitação do preço, para jamais lhe ser pedido, garantindo por si seus bens presentes e fucturos  esta venda livre de dividas e demandas, transmitindo ao comprador todo o domínio, posse e senhorio que em dito terreno tinhão, para que elle do mesmo se aposse, goze e desponha como lhe aprouver. O comprador disse que é exacto o exposto e aceita esta escriptura nos Termos referidos, e que havia pago os impostos de transmissão  cujos conhecimentos [ilegível]  a distribuição  são do theor seguinte: [ilegível] 3º Cartório em 25 de Março de 1890. P. Falcão Nº 291 (Exercício de 1890  Reis 25:200. A Folhas do Livro Caixa fica debitado o actual Thezoureiro pela quantia de vinte e cinco mil e duzentos reis recebidos do Senhor Felippe Licht. Seis por cento sobre quatrocentos mil reis por quanto comprou a Carlos Blauth e sua mulher um terreno com 13, 20 de frente  à rua São José, Arraial dos Navegantes. Alfandega de Porto Alegre. Em 26 de Março de 1890. O Thesoureiro A.B. Pereira. Escrivão Prado. Nº 121 Trasmissão de Propriedade. Exercício de 1890  Reis 4000. A Folhas de registro do Livro fica lançado em débito do actual Administrador a quantia de quatro mil reis que pagou Felippe Licht em vinte e seis de Março do dito anno, correspondente a de reis quatro centos mil reis, porque comprou a Carlos Blauth e sua mulher um terreno na rua São José com 13,20. Meza de Rendas de Porto Alegre. 26 de Março de 1890. Oficial Barbedo. O Escrivão Brito. Eu João de Oliveira Vianna, tabelião ajudante, que a escrevi. E assim me pedirão  esta escriptura em notas, o que fiz pelo escrivão ajudante João de Oliveira Vianna. E sendo-lhes por mim lida e achada conforme aceitaram e assignaram com as testemunhas Francisco Clemente Pinto e João [ilegível] Guimarães também conhecidos de mim, João Baptista Pereira [ilegível] escivão que a subscrevo e assigno

O Escrivão João Baptista Pereira [ilegível] (assinatura)

Carlos Blauth (assinatura)   Sophie Blauth (assinatura)

Felippe Licht (assinatura)

Franco Clemte Pinto (assinatura)

 

3º Notariado de Porto Alegre

Ano 1890, Feito 2610,  Compra e Venda, Livro 22, Fls 74v

Arquivo Público do RS

Transcrição por Otavio A. B. Licht

 

ANNA MARIA CATHARINA SCHMITT BLAUTH faleceu em 6 de outubro de 1894, em Hamburgo Velho, Rio Grande do Sul, Brasil, sendo sepultada no cemitério da Comunidade Evangélica de Novo Hamburgo.

 

6/10/1894 - Anna Maria Licht, enviuvada Schmitt, nascida Blauth, c.c. Philipp Licht, foi pela primeira vez casada c.c. João Nicolaus Schmitt, *11/4/1835, + 6/10/1894, sepultada 6/10 no cemitério de Novo Hamburgo.

Livro de Registros II página 177

Comunidade Evangélica de Hamburgo Velho

1887 a 1898. INGERS

 

O Inventário de ANNA MARIA CATHARINA SCHMITT BLAUTH foi aberto em 1894, sendo designado como inventariante JORGE PEDRO WERLANG LICHT, cunhado da falecida. A transcrição do Inventário está apresentada a seguir:

Archivo Publico do Rio Grande do Sul

Anno 1894

Autos 795

Maço 46

E 1375

 

Porto Alegre

Cartório da Provedoria

 

Anna Maria Licht  Invdo

Jorge Licht Invte

[Fls 1]

Termo de Abertura do Inventário

[Fls 2v]

Herdeiros Maria Schmitt cc Adão Sperb Fº

Elisabeth Schmitt cc Frederico Hoffmann

Sophia Schmitt cc Carlos Blauth

Pedro Schmitt cc Christina Schmitt

João V. Schmitt cc Pauline Schmitt

Guilherme Schmitt II cc Aninha Schmitt

Amalia Schmitt cc Christiano Fensterseifer

[Fls 6]

Relação dos bens

1 casa situada na esquina da rua São José e Sertório

1 galpão situado na rua Sertório nº 14

1 casa situada na rua São José nº 2

1 terreno amurado e grades de ferro situado à rua São José

1 casa situada na rua São José nº 3

1 casa situada na rua São José nº 4

1 terreno situado na rua São José com 1 galpão

1 casa situada na rua São José nº 5

1 casa situada na rua São José nº 6

10 acções do Prado dos Navegantes Nº 294 a 303

7 acções da estrada de ferro de Porto Alegre a N. Hamburgo de nº 2564 a 2570

1 cautela hypothecaria da mesma estrada de ferro sob nº 1379 de valor nominal de 7£

3 vaccas com cria

2 vaccas velhas

2 novilhas

1 divida hypothecaria a James Carrignan e James Carrignan Fº no valor de 4:000$000 a juros de 8% ao anno a contar de 11 de Dezembro de 1893

João Nicolau Schmitt deve 1:200$000 e mais os juros de 6% ao anno a contar de 4 de Maio do corrente anno.

Dinheiro na Caixa Econômica sob nº 26949 R 48$000

 

Seguem as procurações dos herdeiros (filhos, genros e noras) de Anna Maria Schmitt

 

Adão Sperb e Anna Maria

Moradores do 4º Distrito de São Leopoldo

Frederico Hoffmann e Elisabetha

Moradores de Porto Alegre

J. Nicoláo Schmitt e Paulina Maria

Moradores da Piedade, Freguezia de Bom Jardim

Carlos Blauth e Sophia

 

Pedro Schmit Sob. e Christiana

 

Frederico Christiano Fensterseifer e Catharina Elisabetha Amália

Moradores do 3º Distrito de São Leopoldo

 Partilha

 

Bens de raiz

22:217$440

Títulos

1:770$000

Semoventes

240$000

(Ilegível)

206$000

Dividas activas, Capital e juros

5:562$000

Monte mor

29:995$440

Meação do viúvo Felippe Licht

14:997$720

Legitimo a cada um dos filhos

2:142$531

 

Na partilha coube ao viúvo Felippe Licht

 

1 casa nº 3 na rua São José

2:400$000

1 casa nº 4 na rua São José

2:400$000

2 casa de nº 5 e 6 na rua São José

3:600$000

O terreno com 13,20 m de frente na rua São José

1:000$000

O terreno com 22,0 m de frente na Rua do Prado

300$000

No lado norte do terreno arº ilegível

798$000

1 divida de James Carrignan Capital e juros

4:320$000

1 titulo hypothecario da Estrada de ferro

70$000

O dinº existente na Caixa Econômica

48$000

O dinº em seu poder

61$720

 

14:997$720

 

[Observação : a denominação atual da Rua São José é Avenida Frederico Mentz e a Rua do Prado é atualmente a Rua Beyruth, ambas localizadas no Bairro dos Navegantes, zona norte de Porto Alegre]

 

Cartório da Provedoria e Ausentes de Porto Alegre

Ano 1894, Autos 795, Maço 46, estante 5

Arquivo Público do RS

Transcrição por Otavio A. B. Licht

 

PHILIPPE WERLANG LICHT casou em segundas núpcias em 04 de abril de 1896 em Porto Alegre, Província do Rio Grande do Sul, Brasil, com GUILHERMINA RAUPP STRAATMANN filha de JOSEPH WINDHÄUSER STRAATMANN e MARIA JOHANNA WINDHÄUSER RAUPP. Ela nasceu a 09 de agosto de 1869 em Porto Alegre, Província de São Pedro do Rio Grande do Sul, Império do Brasil.

 

"Felippe Licht - Aos quatro dias de Abril de mil oitocentos e noventa e seis pelas cinco horas da tarde nesta freguesia da Conceição, depois de habilitado em direito, não constando impedimento algum, em minha presença e das testemunhas Guilherme Schimit (sic) e Adão Sperp (sic), se receberam em matrimônio por palavras de presente em que expressaram seu mútuo consentimento: Felippe Licht e Guilhermina Kessler, brancos, naturaes deste Estado, ele viúvo de Maria Licht e ella viúva de Ernesto Kessler. E para constar fiz este termo que assigno. "

 

Livro de Casamentos 1 pag 56 v

Igreja de N.S. da Conceição - 1889 - 1903

Arquivo Histórico da Cúria Metropolitana de Porto Alegre.

Transcrição por Otavio A. B. Licht

 

Ao casar com PHILIPPE WERLANG LICHTGUILHERMINA RAUPP STRAATMANN era viúva de ERNST ALEXANDER SCHERER KESSLER, filho de ALEXANDER KESSLER e MARIA AMALIE SCHERER.  Ernst ALEXANDER SCHERER KESSLER nasceu em 20/julho/1865 na Linha Rio Pardinho, Colônia de Santa Cruz, Província de São Pedro do Rio Grande do Sul, Império do Brasil e faleceu em 4 de novembro de 1893, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil.

O casamento de ERNEST ALEXANDER SCHERER KESSLER com GUILHERMINA RAUPP STRAATMANN ocorreu em 12 de setembro de 1891 em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil, do qual houve a filha OTILIA STRAATMANN KESSLER.  Após o falecimento de ERNEST ALEXANDER SCHERER KESSLERa viúva GUILHERMINA RAUPP STRAATMANN conheceu PHILIPPE WERLANG LICHTcom o qual teve o filho JOÃO STRAATMANN KESSLER que foi legitimado por PHILIPPE WERLANG LICHTpassando a chamar-se JOÃO STRAATMANN KESSLER LICHT

Da união e do casamento de PHILIPPE WERLANG LICHT com GUILHERMINA RAUPP STRAATMANNhouve os seguintes filhos: 

I.2.8.1. JOÃO STRAATMANN KESSLER LICHT (PHILIPPE WERLANG LICHTJOHANN PETER NICOLAU LICHTKARL LICHT) nasceu em 18 de dezembro de 1895 em Santa Cruz do Sul, Rio Grande do Sul, Brasil, e faleceu em 25 de agosto de 1954 em São Francisco de Paula, Rio Grande do Sul, Brasil. Ele casou com ERMA MARIA (IRMA) LEIDENS FRANZEN, filha de PEDRO HECK FRANZEN e CATHARINA BERWANGER LEIDENS. Ela nasceu em 23 de junho de 1904 em Garibaldi, Rio Grande do Sul, Brasil, e faleceu em 13 de dezembro de 1958 em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil. 

I.2.8.2. GUILHERMINA STRAATMANN LICHT (Philippe Werlang Licht, Johann Peter Nicolau Licht, Karl Licht) sem maiores informações. 

I.2.8.3. PEDRO STRAATMANN LICHT (PHILIPPE WERLANG LICHTJOHANN PETER NICOLAU LICHTKARL LICHT) nasceu em 1895 em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil. Sem maiores informações 

I.2.8.4. PEDRO FREDERICO STRAATMANN LICHT (PHILIPPE WERLANG LICHTJOHANN PETER NICOLAU LICHTKARL LICHT) nasceu em 7 de outubro de 1896 em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil, e faleceu em 4 de novembro de 1948 em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil.  Ele casou com LESITH ROSA MAGGI BONNET em 24 de julho de 1920 em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil, filha de HENRI CARDINAL BONNET e ROSA COLOMBO MAGGI.  Ela nasceu em 10 de dezembro de 1900 em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil, e faleceu em 26 de junho de 1993 em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil. 

I.2.8.5. ELVIRA LUIZA MARGARIDA STRAATMANN LICHT (PHILIPPE WERLANG LICHTJOHANN PETER NICOLAU LICHTKARL LICHT) nasceu em 19 de abril de 1899, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil; e faleceu em 23 de março de 1901, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil. 

I.2.8.6. WALDEMAR ANTÔNIO STRAATMANN LICHT (PHILIPPE WERLANG LICHTJOHANN PETER NICOLAU LICHTKARL LICHT) nasceu em 4 de julho de 1900, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil; e faleceu em 4 de fevereiro de 1903, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil. 

I.2.8.7. ARTHUR GUILHERME STRAATMANN LICHT (PHILIPPE WERLANG LICHTJOHANN PETER NICOLAU LICHT , KARL LICHT) nasceu em 15 de agosto de 1900, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil, e faleceu em 28 de dezembro de 1940, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil.  Ele casou com JUDITH ZENARI PILLA em 8 de dezembro de 1932, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil, filha de GIUSEPPE PILLA e JOVITA ZENARI.  Ela nasceu em 11 de agosto de 1904, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil, e faleceu em 3 de dezembro de 1996, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil. 

I.2.8.8. WALDOMIRO JOÃO STRAATMANN LICHT (PHILIPPE WERLANG, JOHANN PETER NICOLAU LICHT, KARL LICHT) nasceu em 1 de novembro de 1903, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil, e faleceu em 8 de agosto de 1993, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil. Casou com ANGELINA FRASSETO CARLESSO em 18 de maio de 1932, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil, filha de BERNARDINO SAGIN CARLESSO e EMA NOAL FRASSETO. Ela nasceu em 19 de julho de 1908 em Santa Maria, Rio Grande do Sul, Brasil, e faleceu em 23 de junho de 1993, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil. 

I.2.8.9. FELIPPE PEDRO CARLOS STRAATMANN LICHT (PHILIPPE WERLANG, JOHANN PETER NICOLAU LICHT, KARL LICHT) nasceu em 29 de julho de 1905, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil, e faleceu em 10 de janeiro de 1948, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil. Casou com BRANCA MÜLLER SCHNEIDER em 19 de dezembro de 1929, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil, filha de OSCAR AUGUSTO SCHNEIDER e CAROLINA MÜLLER. Ela nasceu em 3 de janeiro de 1907, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil, e faleceu em 29 de agosto de 1951, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil. 

I.2.8.10. HENRIQUE STRAATMANN LICHT (PHILIPPE WERLANG, JOHANN PETER NICOLAU LICHT, KARL LICHT), nasceu aproximadamente em 13 de março de 1907, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil; e faleceu em 13 de novembro de 1907, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil. 

I.2.8.11. WALTER STRAATMANN LICHT (PHILIPPE WERLANG, JOHANN PETER NICOLAU LICHT, KARL LICHT), nasceu aproximadamente em 11 de agosto de 1908, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil; e faleceu em 11 de outubro de 1909, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil. 

GUILHERMINA RAUPP STRAATMANN faleceu em 9 de maio de 1911, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil. Excertos de seu inventário estão abaixo transcritos.

 

Inventário

Guilhermina Licht Inventariada

Felippe Licht Inventariante

Autuação

 

Anno de mil novecentos e onze aos seis dias do mez de Junho nesta cidade de Porto Alegre, em meu cartório autuo a petição despachada e ocumentos que abaixo segue-se; do que, para constar, faço essa autuação. Eu José P. de Mello, escrivão o escrevo e assigno.

[Fls 2]

 

Ilmo Snr Dr. Juiz Districtal

Orphãos

Felippe Licht vêm dizer que no dia 9 d’este mez falleceu n’esta cidade e sem deixar testamento, sua mulher Guilhermina Licht, cujos herdeiros são os filhos do casal:

a) Felippe Pedro com 5 annos de idade;

b) Waldomiro João com 7 annos;

c) Arthur Guilherme com 10 annos;

d) Pedro Frederico com 14 annos;

e o filho do primeiro consórcio da de cujus

e) João Kessler Licht com 16 annos

Por si, com os dois herdeiros púberes e representando os impúberes, vem o suppte promover o necessário inventario, para o que requer D. e A., que V.Sª se digne deferir-lhe o compromisso de inventariante e bem assim de tutor de seu enteado, e depois de ouvidos os Drs. Procurador Fiscal e Promotor a quem foi D. mandar que fossem remettidos os autos ao calculo de taxas a ser cobrada sobre o valor dos bens constantes da inclusa relação à qual tambem consta a avaliação segundo a decima urbana  e finalmente expedir a guia para pagamento da taxa.

P.P que V. Sª se digne deferir

 

E.V. M.

 

Outrossim pedem desde já os supptes que a partilha se faça, attribuindo ao viúvo as casas N. 9 e 11 da Rua São José, a casa nº 7 da Travessa dos Navegantes e o que faltar na casa nº 5 d’essa Travessa, partilhando-se o restante d’esse prédio e os dois outros da rua São José em partes iguaes entre os herdeiros, sem separação de bens para taxas e custas, de cujo pagamento assume o viúvo a responsabilidade.

E.E. Def.

 

Porto Alegre, 1 de Junho de 1911

Felippe Licht (assinatura)

João Kessler Licht (assinatura)

Pedro Frederico Licht (assinatura)

[Fls 3]

Bens da Herança de Guilhermina Licht

 

No terreno à rua São José (no Arraial dos Navegantes) com 175 palmos mais ou menos sobre 320 de fundos, as quatro casas seguintes casa uma com 1 porta e 2 janellas de frente:

A casa nº 5 (de material)

Rs 2:500$000

A casa nº 7 (idem)

Rs 2:500$000

A casa nº 9 (de taboas)

Rs 1:500$000

A casa nº 11

Rs 1:000$000

 

No terrenos à travessa dos Navegantes, no mesmo arraial,com 160 palmos de frente, mais ou menos por 100 de fundos, as duas casas seguintes, cada uma com uma porta e uma janella de frente.

A casa nº 5

Rs 1:500$000

A casa nº 7

Rs 2:000$000

 

Porto Alegre, 1 de Junho de 1911

Felippe Licht (assinatura)

João K. Licht (assinatura)

Pedro Licht (assinatura)

Arthur Licht (assinatura)

Waldomiro Licht (assinatura)

Felippe Licht filho (assinatura)

 

[Fls 6]

Autos de Inventário

Compromisso do inventariante

Aos oito dias do mez de Junho de mil oitocentos e onze, nesta cidade de Porto Alegre, capital do Estado do Rio Grande do Sul, às onze horas da manhã, na sala das audiências onde se achava o Juiz Districtal da Vara de Orphãos Doutor Hugo Teixeira, commigo escrivão de seu cargo, ahi compareceu o viúvo Felippe Licht a quem o Juiz conferiu o compromisso de estylo na forma da Lei encarregando-o de bem e fielmente servir o cargo de inventariante dos bens de seu conjuge : dando partilha dos bens aos herdeiros, declarando dia, mez e anno do fallecimento de sua mulher D. Guilhermina Licht, si com ou sem testamento, quaes os herdeiros que ficaram assi como os bens e mais direitos pertencentes á herança. E aceito por elle o encargo, assim prometteu cumprir declarando que ratificava suas declarações do que para constarm mandou o Juiz lavrar este laudo que assigna, como inventariante, perante mim que [Fls 6v] José Pessoa de Mello escrivão que escrevi e assigno

Hugo Teixeira (assinatura)

Felippe Licht (assinatura)

José Pessoa de Mello (assinatura)

 

Certifico

que intimei pessoalmente ao Senhor João Nicoláo Schmitt para prestar o compromiço de tutor do menor João Kessler Licht; ficou bem sciente do que dou fé.

Porto Alegre, 18 de Junho de 1911

José Pessoa de Mello (assinatura)

[Fls 7]

Termo de Tutela

e compromisso ao tutor

Aos nove dias do mês de Junho de mil novecentos e onze, nesta cidade de Porto Alegre, capital do Estado do Rio Grande do Sul, às onze horas da manhã na sala das audiências onde se achava o Juiz Districtal da Vara de Orphãos Doutor Hugo Teixeira commigo escrivão de seu cargo, ahi compareceu o Senhor João Nicoláo Schmitt a quem o Juiz deferiu o compromisso de estylo na forma da Lei, encarregando-o de bem e fielmente servir o cargo de tutor do menor João Kessler Licht, representando-o tanto em juízo como fora delle tratando-o e alimentando-o à sua própria custa quando os rendimentos não bastem. E acceito por elle o encargo, assim prometeu cumprir o que para constar mandou o Juiz lavrar este termo que assigna com o tutor perante mim José Pessoa de Mello escrivão que[Fls 7v] que escrevi

Hugo Teixeira (assinatura)

João Nicolau Schmitt (assinatura)

[Fls 16]

Auto de Partilha

Aos trinta e um dias do mez de Maio de mil novecentos e doze, nesta cidade de Porto Alegre, capital do Estado do Rio Grande do Sul, às onze horas da manhã na sala das audiências onde se achava o Juiz Districtal da Vara de Orphãos Doutor Hugo Teixeira commigo escrivão de seu cargo, ahi presente o Partidor do Juízo Major José de Barros Pires Falcão a elle foi pelo Juiz ordenado debaixo do compromisso de seu cargo bem e fielmente procedesse a partilha dos bens da herança da finada D. Guilhermina Licht com a igualdade de direito. E recebido por elle o encargo assim prometteu cumprir do que para constar mandou o Juiz lavrar este auto que assigna com o Partidor de que dou fé. Eu José Pessoa de Mello escrivão que o escrevi e assigno.

Hugo Teixeira (assinatura)

Major José de Barros Pires Falcão (assinatura)

O Escrivão

José Pessoa de Mello (assinatura)

[Fls 16v]

Exórdio

Monte-mór e partível

Acharam elles Juiz e Partidor, importar o monte-mór e partível da referida herança em onze contos de réis ...................................................................................................................11:000$000

Meação

Acharam mais elles, Juiz e Partidor, importar a meação da inventariada em cinco contos e quinhentos mil réis.............................................................................................................5:500$000

Legitima

Acharam mais elles, Juiz e Partidor, importar a legítima de cada um dos cinco filhos em um conto e cem mil réis............................................................................................................1:100$000

Pagamentos

[Fls 17]

Pagamento a meação do viúvo Felippe Licht na importância de cinco contos e quinhentos mil réis

5:500$000

Acharam mais elles, Juiz e Partidor, deverem separar bens para o pagamento da quantia supra, o que fizeram lançando-lhe:

A casa numero nove da Rua São José avaliada em um conto e quinhentos mil réis.......................................................................................................................................1:500$000

A casa numero onze da Rua São José avaliada em um conto de réis..............................1:000$000

A casa numero sete da travessa dos Navegantes avaliada em dois contos de réis.......................................................................................................................................2:000$000

Na casa numero cinco da travessa dos Navegantes avaliada em um conto e quinhentos mil réis, somente um conto de réis...................................................................................................1:000$000

E por esta forma se preencheu este pagamento que o Juiz houve por bem feito e assigna com o Partidor, do que dou fé. Eu Dario Alves Ferreira, escrivão ajudante que escrevi: e eu José Pessoa de Mello escrivão que o subscrevi

Hugo Teixeira (assinatura)

Major José de Barros Pires Falcão (assinatura)

[Fls 17v]

Pagamento a Legitima do herdeiro Felippe Pedro na importância de

R$ 1:100$000

Acharam mais elles, Juiz e Partidor, deverem separar bens para o pagamento da quantia supra, o que fizeram lançando-lhe:

Na casa numero cinco da travessa dos Navegantes, avaliada em um conto e quinhentos mil reis, somente cem mil reis..............................................................................................................100$000

Na casa numero cinco da rua São José, avaliada em dois contos e quinhentos mil réis, somente quinhentos mil réis................................................................................................................500$000

Na casa numero sete da rua São José, avaliada em dois contos e quinhentos mil réis, somente quinhentos mil réis................................................................................................................500$000

E por esta forma se preencheu este pagamento que o Juiz houve por bem feito e assigna com o Partidor, do que dou fé. Eu Dario Alves Ferreira, escrivão ajudante que escrevi: e eu José

[Fls 18]

Pessoa de Mello escrivão que o subscrevi

Hugo Teixeira (assinatura)

Major José de Barros Pires Falcão (assinatura)

 

Pagamento a Legitima do herdeiro Waldomiro João na importância de

R$ 1:100$000

Acharam mais elles, Juiz e Partidor, deverem separar bens para o pagamento da quantia supra, o que fizeram lançando-lhe:

Na casa numero cinco da travessa dos Navegantes, avaliada em um conto e quinhentos mil reis, somente cem mil reis..............................................................................................................100$000

Na casa numero cinco da rua São José, avaliada em dois contos e quinhentos mil réis, somente quinhentos mil réis................................................................................................................500$000

Na casa numero sete da rua São José, avaliada em dois contos e quinhentos mil réis, somente quinhentos mil réis................................................................................................................500$000

[Fls 18v]

E por esta forma se preencheu este pagamento que o Juiz houve por bem feito e assigna com o Partidor, do que dou fé. Eu Dario Alves Ferreira, escrivão ajudante que escrevi: e eu José Pessoa de Mello escrivão que o subscrevi

 

Hugo Teixeira (assinatura)

Major José de Barros Pires Falcão (assinatura)

 

Pagamento a Legitima do herdeiro Arthur Guilherme na importância de

R$ 1:100$000

Acharam mais elles, Juiz e Partidor, deverem separar bens para o pagamento da quantia supra, o que fizeram lançando-lhe:

Na casa numero cinco da travessa dos Navegantes, avaliada em um conto e quinhentos mil reis, somente cem mil reis.............................................................................................................100$000

Na casa numero cinco da rua São José, avaliada

[Fls 19]

 em dois contos e quinhentos mil réis, somente quinhentos mil réis ..................................500$000

Na casa numero sete da rua São José, avaliada em dois contos e quinhentos mil réis, somente quinhentos mil réis................................................................................................................500$000

E por esta forma se preencheu este pagamento que o Juiz houve por bem feito e assigna com o Partidor, do que dou fé. Eu Dario Alves Ferreira, escrivão ajudante que escrevi: e eu José Pessoa de Mello escrivão que o subscrevi

 

Hugo Teixeira (assinatura)

Major José de Barros Pires Falcão (assinatura)

 

Pagamento a Legitima do herdeiro Pedro Frederico na importância de

R$ 1:100$000

Acharam mais elles, Juiz e Partidor, deverem separar bens para o pagamento da quantia supra, o que

[Fls 19v]

o que fizeram lançando-lhe:

Na casa numero cinco da travessa dos Navegantes, avaliada em um conto e quinhentos mil reis, somente cem mil reis............................................................................................................100$000

Na casa numero cinco da rua São José, avaliada em dois contos e quinhentos mil réis, somente quinhentos mil réis ..............................................................................................................500$000

Na casa numero sete da rua São José, avaliada em dois contos e quinhentos mil réis, somente quinhentos mil réis..............................................................................................................500$000

E por esta forma se preencheu este pagamento que o Juiz houve por bem feito e assigna com o Partidor, do que dou fé. Eu Dario Alves Ferreira, escrivão ajudante que escrevi: e eu José Pessoa de Mello escrivão que o subscrevi

Hugo Teixeira (assinatura)

Major José de Barros Pires Falcão (assinatura)

 

Pagamento a Legitima do herdeiro João Kessler Licht na importância de

[Fls 20]

na importância de

R$ 1:100$000

Acharam mais elles, Juiz e Partidor, deverem separar bens para o pagamento da quantia supra, o que fizeram lançando-lhe:

Na casa numero cinco da travessa dos Navegantes, avaliada em um conto e quinhentos mil reis, somente cem mil reis............................................................................................................100$000

Na casa numero cinco da rua São José, avaliada em dois contos e quinhentos mil réis, somente quinhentos mil réis ..............................................................................................................500$000

Na casa numero sete da rua São José, avaliada em dois contos e quinhentos mil réis, somente quinhentos mil réis...............................................................................................................500$000

E por esta forma se preencheu este pagamento que o Juiz houve por bem feito e assigna com o Partidor, do que dou fé. Eu Dario Alves Ferreira, escrivão ajudante que escrevi: e eu José Pessoa de Mello escrivão que o subscrevi

Hugo Teixeira (assinatura)

Major José de Barros Pires Falcão (assinatura)

Inventário nº 105, maço 8, estante 31 em cima

2º Cartório de Órfãos de Porto Alegre

Arquivo Público do RS.

Transcrição por Otavio A. B. Licht

 

PHILIPPE WERLANG LICHT (JOHANN PETER NICOLAU LICHT, KARL LICHT) faleceu aproximadamente em 23 de julho de 1926 em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil.

 

I.2.9. ADELAIDA CAROLINA WERLANG LICHT (JOHANN PETER NICOLAU LICHT, KARL LICHT), nasceu a 27 de agosto de 1854, Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil.